Você está aqui: Página Inicial > Ciência e Tecnologia > 2014 > 09 > Monitorar a fertilidade do solo pode reduzir custos de produção

Ciência e Tecnologia

Monitorar a fertilidade do solo pode reduzir custos de produção

Agricultura e inovação

Pesquisador da Embrapa sugere procedimentos para facilitar o trabalho de produtores e técnicos agropecuários
por Portal Brasil publicado: 08/09/2014 19h32 última modificação: 08/09/2014 19h32

Fazer o monitoramento da fertilidade do solo de cada propriedade pode reduzir o custo de produção. O procedimento auxilia o agricultor ao definir a fonte, quantidade e o momento de aplicação do adubo na safra seguinte, tanto por meio de análise de solo, quanto por análise foliar.

Antes de cultivar qualquer espécie (milho, soja, braquiária solteira ou consorciada e cana), o agricultor precisa saber minimamente dois fatores: qual a característica física do solo (teor de argila), porque isso impacta diretamente na dose de fósforo que será aplicado no solo; e como está a fertilidade do solo, que é definida por meio da análise química.

Mas como agir, quais os passos o produtor e o técnico devem seguir? Confira o que diz o pesquisador Carlos Kurihara, da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), que atua na área de Fertilidade do Solo.

Análise do solo e foliar

Com a análise de solo, o produtor rural conhece a fertilidade de cada gleba de sua propriedade e, com isso, consegue-se definir a adubação do próximo cultivo de forma racional.

O primeiro passo, em termos de fertilidade do solo, é corrigir a acidez do solo com calcário. "Não adianta aplicar adubo sem corrigir a acidez, porque o agricultor vai jogar dinheiro fora", afirma o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Unidade de Pesquisa da Embrapa localizada em Dourados (MS), Carlos Kurihara.

Em geral, o período indicado para a análise de solo é no outono/inverno. O objetivo é dar tempo para que o agricultor aplique o calcário no solo, que deve reagir antes do cultivo da soja na safra de verão.

Com base na análise de solo, também será definido se outro insumo de extrema importância deverá ser aplicado: o gesso. "O gesso beneficia o aprofundamento do sistema radicular, o que faz a planta aguentar alguns dias a mais em condições de estiagem prolongada", explica o pesquisador.

Aplicado o calcário e o gesso, o produtor já pode pensar em aplicar o adubo. Com a análise de solo, será possível saber qual a dose ideal de adubo, a melhor fonte e o melhor momento de aplicação. "Tudo depende do equilíbrio de nutrientes no solo. E isso o agricultor só vai saber por meio da análise de solo".

A análise do solo pode ser realizada a cada três anos. "Nesse prazo, os teores de nutrientes já terão alterado bastante, dependendo também do manejo que o agricultor faz em sua lavoura", afirma o pesquisador.

Sistema Convencional X SPD

No Sistema Plantio Direto (SPD), há o acúmulo gradativo de matéria orgânica, decorrente da deposição de resíduos culturais na superfície do solo, um dos princípios básicos do sistema (os outros dois são o não-revolvimento do solo e a rotação de culturas). Segundo Kurihara, isso permite um ambiente melhor em termos de fertilidade e de eficiência no uso de nutrientes, especialmente o fósforo.

O resultado é a menor perda do adubo fosfatado e, em função da cobertura do solo com palhada, o solo conserva a umidade por um período maior de tempo. Essa umidade é importante para o sistema radicular absorver a água, como também para transportar o nutriente do solo para chegar até a superfície da raiz.

Apesar do solo ser rico em fósforo, com a baixa umidade o nutriente não consegue ser transportado para o sistema radicular. O resultado é uma planta com desenvolvimento menor e, consequentemente, com uma produção de grãos menor.

Adubação fosfatada corretiva no SPD

A partir de três anos de pesquisa em Dourados, realizado pelo pesquisador Carlos Kurihara e acadêmicos orientados por ele, foram definidos critérios para adubação fosfatada corretiva de acordo com o nível de correção desejada.

Os critérios são os seguintes: anualmente colocar uma quantidade um pouco maior de adubo fosfatado na linha de semeadura da soja para que sobre um pouco de adubo. Dessa forma, ao longo de três a quatro anos, a correção fosfatada será realizada de forma gradativa.

Considerando que a soja é cultivada num espaçamento de 45 centímetros normalmente, espera-se que ao longo de quatro anos, adubando-se o solo com um pouco mais de fósforo na linha, haja uma boa correção da camada superficial (de 0 a 10 cm).

Nesse trabalho também foi desenvolvida pela pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste uma tabela com a dose de adubo que deve ser aplicada no solo para fazer a correção adequada, usando-se fonte solúvel, de acordo com o nível em que o agricultor deseja aumentar a disponibilidade de fósforo no solo (mg/dcm³).

A tabela estará disponível em Circular Técnica que será publicada em breve no Portal da Embrapa Agropecuária Oeste no menu Publicações. 

Adubação na sucessão soja com milho-braquiária

Outro trabalho de pesquisa realizado por Kurihara em parceria com Gessí Ceccon, engenheiro agrônomo e analista da Embrapa Agropecuária Oeste foi a adubação na sucessão soja com milho-braquiária.

As pesquisas foram conduzidas em Dourados  durante quatro safras de milho safrinha e de soja. A escolha do município foi por ter um solo bastante argiloso, cerca de 60% de argila.  "É uma situação de potencial máximo de adsorção e fixação de fósforo pela argila do solo", esclarece Kurihara.

Adubação nitrogenada no milho safrinha

Também em parceria com Gessí Ceccon, estudos mostram que é possível estimar qual o nível ótimo de adubação nitrogenada em milho safrinha, aplicada tanto em semeadura quanto em cobertura do milho safrinha, de acordo com o custo do adubo nitrogenado no ano que o agricultor está trabalhando e também da  expectativa do preço do grão de milho que será colhido naquela safra.

Por meio de cálculos matemáticos, os pesquisadores conseguiram estimar qual é a melhor dose de adubo nitrogenado para cada cenário de preço de adubo e preço de milho.

Por "Para um patamar de 8,5 mil quilos de grãos por hectare, os trabalhos têm demonstrado que a adubação nitrogenada em torno de 40 a 50 kg de nitrogênio é bastante interessante, porque se tem uma margem de lucro boa", exemplifica Kurihara. 

Fonte:
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Biotecnologia auxilia no desenvolvimento de plantas
A pesquisadora da Embrapa Lucimara Chiari fala da importância da biotecnologia no melhoramento de forrageiras
Consulta Pública sobre Marco Legal
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promove um processo de Consulta Pública em duas fases. Saiba como participar
Brasil reduz emissão de gás carbônico
Brasil reduz 53,5% do total de gás carbônico (CO2) emitido pelo na atmosfera entre 2005 e 2010
A pesquisadora da Embrapa Lucimara Chiari fala da importância da biotecnologia no melhoramento de forrageiras
Biotecnologia auxilia no desenvolvimento de plantas
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promove um processo de Consulta Pública em duas fases. Saiba como participar
Consulta Pública sobre Marco Legal
Brasil reduz 53,5% do total de gás carbônico (CO2) emitido pelo  na atmosfera entre 2005 e 2010
Brasil reduz emissão de gás carbônico

Últimas imagens

Reagentes do teste estão em produção e serão distribuídos para centros de pesquisa e laboratórios do País
Reagentes do teste estão em produção e serão distribuídos para centros de pesquisa e laboratórios do País
Divulgação/Fiocruz
Satélite deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016
Satélite deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016
Divulgação/Finep
Melhores classificados representarão o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2017
Melhores classificados representarão o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2017
Divulgação/MCTI
Pesquisadora Rose Monnerat diz que bioinseticida pode ser adicionado em qualquer lugar que acumule água ou tenha potencial para ser um criadouro do Aedes aegypti
Pesquisadora Rose Monnerat diz que bioinseticida pode ser adicionado em qualquer lugar que acumule água ou tenha potencial para ser um criadouro do Aedes aegypti
Divulgação/Embrapa
Radares Atlas e Adour foram modernizados
Radares Atlas e Adour foram modernizados
Divulgação/AEB

Governo digital