Ciência e Tecnologia
Palestra no Inpa aborda distribuição dos insetos esperanças
Pesquisas da Amazônia
Com o objetivo de motivar estudantes de Entomologia (estudo dos insetos) a realizarem pesquisas sobre os insetos da família dosTettigoníideos, popularmente conhecidos como esperanças, a bióloga Juliana Chamorro, da Universidad Nacional da Colômbia, apresentará a palestra “Esperanças do Brasil, diversidade e distribuição”. O evento acontece nesta sexta-feira (3), às 16h, no auditório da Entomologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), campus II. A entrada é gratuita.
Na ocasião, a doutora em Entomologia apresentará os avanços realizados durante os últimos anos no Brasil em relação à taxonomia (classificação e identificação), diversidade e distribuição desse grupo de insetos.
“Esses insetos fazem parte de diferentes processos ecológicos, sendo que há espécies que são herbívoras, predadoras e outras que servem de alimentos para outros animais, como algumas espécies de macacos e até mesmo para as larvas de certas vespas”, explica Chamorro.
Segundo ela, o nome vulgar de esperança se refere usualmente aos indivíduos grandes, de cor verde e com a aparência de folha, caracterização que não inclui a maior parte dos Tettigoníideos, diferentes desse padrão. Há na cultura popular a crença de que o pouso do inseto em uma pessoa lhe trará boa sorte, ou se encontrá-lo morto é presságio de mau-agouro.
De acordo com a bióloga, as primeiras espécies brasileiras conhecidas foram descritas por Linnaeus, em 1758. No Brasil, são catalogadas cerca de 600 espécies de esperanças. Há registros de esperanças em 20 estados brasileiros. Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo são os que possuem o maior número de registros.
Chamorro explica que na Amazônia há cerca de 130 espécies reportadas (podem ter sido descritas ou identificadas sua presença), conforme dados do Orthoptera Species Tilhe Online, um banco de dados alimentado por especialistas de diversas partes do mundo.
A pesquisadora está em Manaus (AM) há 15 dias e veio para colaborar na identificação desses insetos, por meio do projeto “Melhoria do nível de resolução taxonômica da coleção de invertebrados do Inpa”, coordenado pelo pesquisador Marcio Luiz de Oliveira, curador da Coleção de Invertebrados do Instituto. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
De acordo com a pesquisadora, a Coleção de Invertebrados do Inpa possui muito mais do que esse número reportado no banco de dados. Ela estima que existam cerca de 3 mil exemplares ainda por serem identificados. “Existe uma quantidade de material muito grande de gêneros e espécies novas que não são fáceis de identificar. O tempo é curto para poder trabalhar de uma forma mais profunda”.
Sobre o projeto
O projeto “Melhoria do nível de resolução taxonômica da Coleção de Invertebrados do Inpa” trará ao Inpa dez especialistas do Brasil e exterior, até 2015, para ajudarem na identificação dos insetos existentes na Coleção. A coleção do Inpa tem aproximadamente 60 anos e existem milhões de exemplares que nunca foram identificados. O principal problema é a ausência de especialistas em certos grupos de insetos.
“Todos esses pesquisadores estão fazendo as mesmas constatações de que a diversidade amazônica é enorme, que há um grande número de espécies ainda desconhecidas pela Ciência e o que tempo que aqui passaram foi insuficiente para estudar tudo como gostariam”, ressalta o pesquisador Marcio Oliveira.
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