Ciência e Tecnologia
Satélite brasileiro obtém dados do campo magnético da Terra
Geofísica
Dados obtidos pelo primeiro satélite científico brasileiro, o cubesat NanosatC-Br1, confirmam informações teóricas sobre o campo magnético da Terra.
Lançado há cinco meses, o pequeno satélite desenvolvido em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) leva a bordo um magnetômetro cujas informações geradas comprovam a presença da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas).
Além disso, registram valores da intensidade do campo magnético condizentes com os obtidos pelos modelos da Associação Internacional de Geomagnetismo e Aeronomia (Iaga, na sigla em inglês).
Os resultados obtidos comprovam a validade do uso de experimentos em cubesats para a investigação de fenômenos eletrodinâmicos sobre a América do Sul.
Inovação
"Com o NanosatC-Br1 pudemos confirmar a previsão dos valores teóricos da intensidade do Campo Magnético Total da Terra, conforme previsto pelo modelo International Geomagnetic Reference Field [IGRF] da Iaga e União Internacional de Geodésia e Geofísica (IUGG)", comemora Nelson Jorge Schuch, pesquisador do Centro Regional Sul (CRS) do Inpe, localizado em Santa Maria (RS), e coordenador do Programa NanosatC-BR.
"Trata-se dos primeiros dados gerados por um satélite científico brasileiro", completa o pesquisador do Inpe Otávio Durão, que coordena atividades do projeto em São José dos Campos (SP).
Uma pré-análise científica das observações coletadas pelo magnetômetro XEN-1210, em operação a bordo do NanosatC-Br1, mostra uma ótima correlação dos dados em comparação com valores teóricos previstos para a intensidade do campo geomagnético para a mesma altitude com a modelagem teórica do IGRF-Iaga/IUGG. A análise dos dados é coordenada pelo pesquisador Marlos Rockenbach da Silva, do CRS/Inpe.
Elaboração
Lançado de uma base russa em 19 de junho, o NanosatC-Br1 transmite dados para estações localizadas em Santa Maria e São José dos Campos. Leva a bordo instrumentos para o estudo de distúrbios na magnetosfera, principalmente na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, e do setor brasileiro do Eletrojato Equatorial Ionosférico.
Realizada pelo instituto em parceria com a universidade, a capacitação de recursos humanos para a área espacial também é objetivo do projeto.
O desenvolvimento do NanosatC-Br1 permitiu que estudantes tivessem a supervisão de especialistas do Inpe e atuassem diretamente em todas as fases para construir e colocar um satélite em órbita – desde especificação e desenvolvimento do cubesat, até montagem, integração, testes, lançamento, operação e recepção dos seus dados.
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