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Ciência e Tecnologia

Seminário busca alternativas para agricultura familiar

Amazonas

Agricultores de municípios como Autazes, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Iranduba, entre outros, participam do evento.
por publicado: 26/11/2014 15h08 última modificação: 26/11/2014 15h08

Mais de 200 pessoas entre agricultores, técnicos e gestores de instituições com atuação na agricultura familiar participaram dos debates do primeiro dia (25) do Seminário "Agricultura familiar no Amazonas: desafios para a inovação e sustentabilidade".

O evento acontece no auditório Samaúma, da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus (AM) e se estende até o dia 27 de novembro, quando será realizada uma Oficina para definir a agenda de prioridades e estratégias para a ação integrada entre as Instituições de ensino, pesquisa, assistência técnica e extensão rural, em parceria com as organizações dos agricultores, visando fortalecer a Agricultura Familiar no Amazonas.

No primeiro dia, instituições como Embrapa Amazônia Ocidental, Secretaria de  Produção Rural(Sepror), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Organização das Cooperativas do Brasil (OCB-AM), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentaram inciativas desenvolvidas e suas estratégias de atuação para o fortalecimento da agricultura no Estado. 

Agricultores de municípios como Autazes, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Iranduba, Manacapuru,Urucará,Rio Preto da Eva, entre outros, participam do evento. Trinta dirigentes de cooperativas agrícolas e agroextrativistas estão presentes no seminário.

O Agricultor João Batista de Oliveira destaca que as soluções precisam ser discutidas junto com os agricultores e "essa é uma oportunidade ímpar".

"Precisamos de assistência técnica local que valorize o nosso saber, precisamos de apoio com mecanização mínima para reduzir nosso esforço porque os agricultores que estão no campo estão envelhecendo, e precisamos  fortalecer a união com as instituições de pesquisa e capacitação para trazer a tecnologia para dentro da comunidade", afirmou.

O pouco acesso dos agricultores às informações sobre politicas públicas e ao conhecimento gerado pelas instituições de pesquisa e universidades foi um dos problemas  destacados por diversos participantes do evento.

Um exemplo disso são os instrumentos de apoio para a comercialização de produção da agricultura familiar, como  programas de Aquisição de Alimentos, de Merenda Escolar, de Compras Institucionais, e Política de Garantia de Preço Mínimo para Produtos da Sociobiodiversidade.

"Esses são instrumentos para gerar renda e segurança alimentar e já existem desde 2003, mas são pouco conhecidos e apenas 10% dos agricultores do Amazonas conseguem acessar essas políticas públicas", informou o assessor da superintendência da Conab, Thomas Silva, que apresentou informações sobre esses programas.

O sociólogo da Embrapa Amazônia Ocidental, Lindomar Silva, ressalta que será criado um arranjo institucional que permita ampliar as ações das instituições no interior, nas microrregiões do Amazonas, para dar encaminhamento às prioridades definidas e juntar as forças para efetivar as propostas, por meio de projetos articulados entre as diversas instituições assim como propostas para chamadas públicas para financiamentos de ações pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O assessor da diretoria da Embrapa, Eliseu Alves, pesquisador e um dos fundadores da Embrapa na década de 70, palestrou no evento e apresentou um panorama das tendências do rural brasileiro, na ultima década. Com base em dados do censo agropecuário, mostrou aspectos como o esvaziamento do campo com a mobilidade rural, a concentração de maior volume de produção e da renda em poucas propriedades.

Um aspecto destacado por Eliseu, é a influência da adoção de tecnologia tem sido fundamental no crescimento da agricultura nas últimas décadas, esse fator representava um coeficiente de 0,42%, em 1996, e avançou para 68,1%  em 2006.

Abordou exemplos bem sucedidos da agricultura familiar no Semi-árido e na região Sul brasileira, destacando como fatores de sucesso a organização, o empoderamento e a participação dos agricultores para mudarem as situações desfavoráveis de seu contexto e mostrou exemplos de como a pequena propriedade familiar, com adoção de tecnologias, se destaca na produção de alimentos e geração de renda.

Para o presidente da OCB-AM, Petrúcio Magalhães Júnior, a agricultura familiar precisa estar conectada com a inovação  para ser competitiva capaz de garantir segurança alimentar com qualidade. "Para nós nos não há contradição entre produzir e preservar", disse o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), MuniLourenço. 

O foco da inovação, segundo destacou o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amazônia Ocidental, pesquisador Ricardo Lopes, é aumentar a renda e melhorar a condição de vida dos agricultores familiares, com sistemas sustentáveis de produção.

Diversas tecnologias geradas pela Embrapa e já disponíveis foram apresentadas pelo chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Celso Azevedo, e  incluem desde sistemas de manejo, cultivares mais produtivas e resistentes a doenças, e sistemas de produção adequados às condições do estado.

O secretário de produção do Estado, Valdenor Cardoso, ressalta que "não é simples gerar tecnologia, não é simples levar essas tecnologias para o produtor; se fizermos de forma isolada é mais difícil ainda e estamos buscando atuar deforma compartilhada tornar a ação de todos mais eficaz".

O professor da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas, Henrique Pereira, destacou que nesse esforço conjunto entre as instituições deve se buscar soluções que contemplem as características de diversidade agricultura familiar na Amazônia, que se caracteriza por público diversificado em seus modos de vida, práticas culturais e pela pluriatividade com manejo simultâneo de múltiplos ambientes e diversos recursos dos ecossistemas.

"É necessário que os agricultores participem da formulação das agendas de pesquisa e eles também sejam produtores de conhecimento para inspirar soluções tecnológicas mais adaptadas", ponderou.

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