Você está aqui: Página Inicial > Ciência e Tecnologia > 2014 > 12 > Gestor aponta perspectivas do setor hídrico para 2015

Ciência e Tecnologia

Gestor aponta perspectivas do setor hídrico para 2015

Gestão da água

Secretário Carlos Nobre relembra, em Reunião Ordinária, impactos da crise da água, bem como causas e impactos da seca
por Portal Brasil publicado: 17/12/2014 11h14 última modificação: 17/12/2014 11h14

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, abordou crises recentes por falta de água nas regiões Sudeste e Nordeste, durante palestra de abertura da 32ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), na terça-feira (16).

Na ocasião, o gestor também discutiu causas e impactos da seca e mencionou previsões meteorológicas para o país nos próximos meses.

A partir de dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e dos institutos nacionais de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e de Pesquisas Espaciais (Inpe), Nobre apresentou explicações possíveis para a estiagem de 2014 no Sudeste, como os "sistemas de bloqueio", massas de alta pressão atmosférica que, segundo ele, constituem a principal razão pela escassez de chuva na região.

"Bloqueios de cinco dias acontecem frequentemente e bloqueios de 20 dias já são um fenômeno muito raro, mas esse bloqueio [de dezembro a fevereiro] durou 48 dias", disse.

"Não há nenhum registro recente, nas últimas décadas, de um bloqueio que tenha durado tanto. Os veranicos, aqueles períodos secos no meio do verão, normalmente são causados por bloqueios de cinco a dez dias", completou.

Hipóteses

Apesar da descrição meteorológica, o secretário destacou não ter certeza sobre o motivo da duração do sistema de bloqueio em São Paulo.

"Tem a ver com mudança climática? A pergunta que todos fazem é: isso é resultado de aquecimento global? A resposta é: não sabemos dizer. Não é sim nem não. Porque para poder dizer isso nós precisaríamos realmente ter muito mais estudos ou modelos matemáticos", avisou.

"O que nós podemos afirmar é que o clima ficou mais variável em um planeta mais quente. Contem com isso."

Nobre recordou que o Cemaden instalou em abril 30 medidores de chuva na parte alta da bacia do Sistema Cantareira. "Os pluviômetros do estado de São Paulo se concentram nos reservatórios, mais na parte baixa", informou.

"Agora, ao todo, são 36 pluviômetros enviando dados em tempo real, além de equipamentos da ANA [Agência Nacional de Águas]. Isso permite realmente avançar sobre o que conhecemos do comportamento hidrológico do sistema. A capacidade de monitorar aumentou, mas é uma coisa recente, obviamente."

Próximos meses

De acordo com o secretário, o fenômeno climático El Niño tem boas chances de gerar impactos "fracos ou moderados" no país de janeiro a março de 2015.

"As consequências mais notáveis costumam ser uma indução à seca durante a estação chuvosa do Norte e do Nordeste, uma tendência de chuvas acima da média no Sudeste da América do Sul e verões muito quentes", enumerou.

Região Nordeste

O secretário expressou preocupação com o Nordeste, que enfrentou secas severas em 2012 e 2013 e ainda mantém baixos níveis de armazenamento hídrico. "Se El Niño se acentuar, nós vamos ter que olhar a região com muita atenção", alertou.

"Norte e Nordeste ficam sob controle do [Oceano] Pacífico, por meio do fenômeno, mas dependem, principalmente, do Atlântico.

Se o Atlântico estiver favorável, com águas quentes próximas à costa e frias ao norte da linha do equador, será um ano em que normalmente choverá bem."

Perspectivas em São Paulo

Para São Paulo, mesmo com o fenômeno, os dados citados por Nobre anteveem pouca chuva, embora ele tenha enfatizado dificuldades para previsões de longo prazo.

"O Sudeste funciona, na questão da previsibilidade, como qualquer outra região do planeta. O que é atípico é você ter previsibilidade, como ocorre no Norte e no Nordeste, ou, em anos de El Niño, no sul do Brasil, porque a atmosfera é muito variável", esclareceu.

Sobre o Conselho

Criado em 1997, o CNRH desenvolve regras de mediação entre os diversos usuários de água no Brasil e estabelece diretrizes complementares para implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos.

O colegiado é presidido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e tem como órgão executivo a Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano da pasta.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Biotecnologia auxilia no desenvolvimento de plantas
A pesquisadora da Embrapa Lucimara Chiari fala da importância da biotecnologia no melhoramento de forrageiras
Consulta Pública sobre Marco Legal
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promove um processo de Consulta Pública em duas fases. Saiba como participar
Brasil reduz emissão de gás carbônico
Brasil reduz 53,5% do total de gás carbônico (CO2) emitido pelo na atmosfera entre 2005 e 2010
A pesquisadora da Embrapa Lucimara Chiari fala da importância da biotecnologia no melhoramento de forrageiras
Biotecnologia auxilia no desenvolvimento de plantas
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promove um processo de Consulta Pública em duas fases. Saiba como participar
Consulta Pública sobre Marco Legal
Brasil reduz 53,5% do total de gás carbônico (CO2) emitido pelo  na atmosfera entre 2005 e 2010
Brasil reduz emissão de gás carbônico

Últimas imagens

Reagentes do teste estão em produção e serão distribuídos para centros de pesquisa e laboratórios do País
Reagentes do teste estão em produção e serão distribuídos para centros de pesquisa e laboratórios do País
Divulgação/Fiocruz
Satélite deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016
Satélite deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016
Divulgação/Finep
Melhores classificados representarão o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2017
Melhores classificados representarão o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2017
Divulgação/MCTI
Pesquisadora Rose Monnerat diz que bioinseticida pode ser adicionado em qualquer lugar que acumule água ou tenha potencial para ser um criadouro do Aedes aegypti
Pesquisadora Rose Monnerat diz que bioinseticida pode ser adicionado em qualquer lugar que acumule água ou tenha potencial para ser um criadouro do Aedes aegypti
Divulgação/Embrapa
Radares Atlas e Adour foram modernizados
Radares Atlas e Adour foram modernizados
Divulgação/AEB

Governo digital