Ciência e Tecnologia
Projeto Sirius mudará patamar mundial da luz síncrotron, afirma gestor
Radiação
O projeto Sirius, a nova fonte de luz síncrotron brasileira, mudará o patamar mundial de geração desse tipo de radiação. A avaliação é do diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Antonio José Roque.
O gestor ainda aponta a possibilidade de novas frentes de pesquisa e destaca que o País passará a sediar a quarta geração de aceleradores de partículas, ao lado da Suécia, onde está o Max 4.
"No Brasil, hoje, o síncrotron é de segunda geração. Então o Sirius vai, de certa forma, conseguir pular uma etapa e permitir que a comunidade brasileira de ciência e tecnologia tenha um brilho nessa faixa de raios-X na ordem de bilhões de vezes maior do que ela tem hoje, permitindo experimentos impossíveis atualmente", explica o diretor.
O projeto foi apresentado pelo diretor, na quarta-feira (17), aos assessores e gestores de secretarias ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O contrato de construção do prédio foi assinado na sexta-feira (19). Na ocasião, o ministro Clelio Campolina Diniz anunciou a concessão de 100 bolsas para pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
Financiamento
Pensado nas próximas décadas, o projeto prevê expansões pra até 40 linhas de luz. A construção do prédio, das 13 linhas de luz e de todos os aceleradores está prevista para ser concluída até 2020, a um custo total da ordem de R$ 1,3 bilhão. O fornecimento de radiação em luz síncrotron já começará em 2018.
Os equipamentos permitem a realização de investigação em nível atômico e molecular de materiais orgânicos e inorgânicos e tem aplicações em praticamente todas as áreas científicas e tecnológicas: física, química, biologia, geologia, energia e meio ambiente.
"Com esta estrutura consegue-se dizer quais são os átomos que compõem um material, como estão distribuídos no espaço, como são as suas ligações e, através disso, pode-se obter informações, desenhar e entender a função de qualquer material", explica José Roque.
Para Roque, um dos diferenciais do projeto tem sido a parceria com empresas brasileiras. "A terraplanagem já está pronta e a obra está se iniciando agora neste final de dezembro. Uma obra extremamente complexa do ponto de vista da engenharia civil, que terá como executora a Racional Engenharia e o prazo de execução previsto é de 40 meses", informa.
O terreno onde as instalações serão construídas, de 250 mil metros quadrados, foi desapropriado pelo governo do estado de São Paulo.
Histórico
O LNLS faz parte do complexo do CNPEM, instalado em Campinas. Aberto aos usuários em 1997, é responsável pela operação da única fonte de luz síncrotron da América Latina.
"No início do projeto, no começo da década de 80, o número de usuários era menos que uma dúzia. Hoje, 2 mil ou mais pessoas já o utilizaram", ressalta José Roque.
Segundo o diretor, o avanço é resultado do apoio de instituições, como o CNPq e o MCTI, nos últimos anos, o que possibilitou a contratação de jovens físicos brasileiros, engenheiros e técnicos, que foram treinados durante o processo de execução do laboratório.
"Ao longo de dez anos, eles conseguiram construir o primeiro anel. Algo que eu poderia definir como uma epopeia da ciência brasileira, que é sair do nada e conseguir construir um acelerador complexo que colocará o país em uma posição de liderança internacional", observa.
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