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No Médio Solimões, mulheres se destacam na pesca

Pesquisa

Instituto Mamirauá inicia pesquisa sobre trabalho e perfil das participantes do manejo nas reservas Mamirauá e Amanã
por Portal Brasil publicado: 06/01/2015 16h08 última modificação: 06/01/2015 16h50
Divulgação/Governo de Alagoas Atualmente 420 mulheres participam dos projetos de manejo de pesca desenvolvidos na área da Reserva Mamirauá

Atualmente 420 mulheres participam dos projetos de manejo de pesca desenvolvidos na área da Reserva Mamirauá

A pesca de pirarucu na região do Médio Solimões vem tendo um "toque feminino". Nos últimos anos, a participação das mulheres na atividade até então predominantemente masculina está crescendo.

Com esse cenário, o Instituto Mamirauá iniciou um projeto de pesquisa com o objetivo de caracterizar o trabalho e o perfil das mulheres que participam de projetos de manejo de pesca nas reservas Mamirauá e Amanã.

"Queremos saber o que essas mulheres estão fazendo, como estão participando dessas atividades, se estão associadas às colônias, aos sindicatos de pescadores", afirma a pesquisadora Isabel Soares de Sousa.

"Precisamos dar visibilidade a esse trabalho, pois, à medida que isso é registrado, elas têm mais facilidades para garantir a aposentadoria, o seguro defeso, e os outros benefícios sociais que o homem já tem como pescador."

Atualmente, são 420 mulheres e 712 homens participando dos projetos de manejo de pesca desenvolvidos na área da Reserva Mamirauá, e 120 mulheres e 324 homens na Reserva Amanã.

Isso representa um percentual expressivo de participação feminina na atividade nessa região, de 34,26%.

Em cinco dos dez acordos de pesca assessorados pelo Instituto Mamirauá, foi observada a participação feminina em diversas etapas do manejo.

Para Milce Cordeiro de Carvalho, do Acordo de Pesca do Cleto, não há distinção entre o trabalho da mulher e do homem na pesca.

Ela também participa de várias etapas do manejo, da pesca com arpão até o tratamento do peixe.

"Tudo que posso fazer, eu faço. Todo mundo tem que colaborar. A gente se uniu e assim ficou mais fácil, a gente vai vencendo a batalha, um ajudando o outro. O serviço do homem é igual o meu trabalho, o que ele sabe fazer, eu também sei", enfatiza Milce.

Rotina

Segundo Elane Carvalho Marques, da comunidade São Raimundo do Jarauá, na Reserva Mamirauá, a pesca faz parte da sua rotina desde a infância. Filha de pescador, iniciou aos 14 anos o trabalho na Associação de Produtores do Setor Jarauá (APSJ), como secretária.

 O tempo foi passando e atualmente ela faz parte tanto da diretoria da APSJ quanto da coordenação do acordo de pesca, trabalhando como tesoureira.

No ano de 2014, a cota de pesca estabelecida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a comunidade foi de 1.136 peixes.

Participam do acordo mais de 50 pescadores e é Elane a responsável pela organização das finanças, como pagamento de pessoal e recebimento do recurso proveniente da pesca do pirarucu e também de outras espécies.

"Jarauá é uma comunidade pesqueira, vive e sobrevive da pesca. Aqui as mulheres estão envolvidas e são avaliadas também. Trabalham na vigilância, contagem, evisceração. Onde tem uma mulher, o trabalho vai direito", brinca.

Acesse outras informações sobre o Programa de Manejo de Pesca do instituto.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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