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Ciência e Tecnologia

Pesquisadores propõem método de delineamento agroflorestal

Pesquisa

Procedimento proposto por cientistas do Inpa e de instituto da Malásia é fundamental para se obter baixo erro experimental
por Portal Brasil publicado: 05/01/2015 15h31 última modificação: 05/01/2015 15h31

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Johannes van Leeuwen, e o pesquisador português do Agro Biotechnology Institute, da Malásia, Victor Neto, propõem um método que permite entender o delineamento em blocos incompletos. O novo método ajuda a explicar a estrutura desse tipo de esquema de pesquisa.

Para van Leeuwen, o método proposto também ajuda a entender diversas características destes delineamentos, além disso, facilita a sua construção e permite comparar delineamentos alternativos.

"Tudo isto faz com que tenha grande valor didático. Este método, nunca proposto antes, não se encontra em livros que tratam da introdução à estatística experimental", afirma o coordenador do Núcleo Agroflorestal do Inpa, que elaborou um método de diagnóstico e delineamento agroflorestal que focaliza o estabelecimento agrícola individual.

Os delineamentos em blocos, usados hoje em pesquisas nos mais diversos ramos da ciência, foram desenvolvidos nas décadas de 30 e 40.

Na época, a análise dos dados experimentais fazia-se à mão com o auxílio de calculadoras mecânicas. Os delineamentos em blocos incompletos precisam de cálculos mais complexos do que os em blocos completos.

Johannes van Leeuwen e Victor Neto publicaram, recentemente, na Revista Brasileira de Biometria um artigo com o título "A tool for teaching, building and comparing incomplete block designs" (em português, "Uma ferramenta para ensinar, construir e comparar delineamentos em blocos incompletos"), o que, segundo eles, pretende mudar a forma de ensinar os delineamentos.

Na opinião de van Leeuwen, a estrutura dos delineamentos em blocos incompletos é de difícil entendimento.

"Esta é uma das razões porque esses delineamentos são menos usados do que deveriam, o que leva a um uso ineficiente dos recursos para a pesquisa", ressalta.

Exemplo

Para explicar melhor, ele apresenta um exemplo de um delineamento em "blocos completos." 

"Imagine um experimento para comparar seis tipos de ração para cachorrinhos, no qual cada cachorrinho de uma mesma ninhada [de seis cachorrinhos] vai receber uma ração diferente. No jargão científico, as seis rações são os ‘tratamentos', a ninhada o ‘bloco completo' e os cachorrinhos seriam as ‘unidades experimentais', explica o pesquisador do Inpa.

Ele observa, ainda, que o uso de blocos homogêneos é fundamental para se obter um baixo erro experimental.

"Para isso, as unidades experimentais do mesmo bloco devem ser tão parecidas quanto possível. Escolhendo ninhadas e cachorrinhos, cuidadosamente, os cachorrinhos de um bloco [ninhada] vão ser muito semelhantes", comenta o pesquisador.

Para explicar o que é um bloco incompleto, van Leeuwen dá como exemplo a comparação de 15 tipos de ração. Nesse caso, afirma, as ninhadas não podem servir como blocos completos, uma vez que não ocorrem ninhadas de 15 cachorrinhos.

"Usando neste caso ninhadas de seis cachorrinhos – cada animal recebendo uma ração diferente –, estas tornam-se ‘blocos incompletos'", diz o pesquisador, ressaltando que assim são considerados porque um bloco (ninhada) de seis cachorrinhos não contém todos os 15 tratamentos.

De acordo com o pesquisador, para blocos completos a distribuição dos tratamentos é claríssima. No caso dos blocos incompletos, essa distribuição não se entende facilmente. "Assim há uma tendência de evitar o uso desses delineamentos", ressalta.

Para resolver a questão, os pesquisadores propuseram a construção de um quadro onde se visualiza, para todos os pares de tratamentos, quantas vezes dois tratamentos de um par ocorrem juntos no mesmo bloco.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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