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Ciência e Tecnologia

Intercâmbio alerta para a necessidade de políticas para a agricultura familiar

Agroecologia sustentável

Participantes discutiram sobre os desafios para a construção da resiliência agroecológica no semiárido e o papel de políticas públicas
por Portal Brasil publicado: 10/02/2015 10h00 última modificação: 10/02/2015 18h44

Cerca de 120 pessoas, entre técnicos, professores, pesquisadores, bolsistas e lideranças visitaram experiências agroecológicas nos municípios paraibanos de Juazeirinho, Olivedos, Remígio e Esperança, e debateram a necessidade de novas políticas públicas para o desenvolvimento agroecológico sustentável.

A atividade fez parte do Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas realizado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI) e pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) no final do mês passado (21 a 23 de janeiro).

Os participantes que visitaram o município de Juazeirinho (PB), no Território do Cariri, conheceram as experiências do casal de agricultores-experimentadores Edimar Andrade e Cícera Lopes. Moradores da Comunidade Pedra d’água, localizada a 12 km do centro da cidade, estes agricultores enfrentam a estiagem e os desafios da agricultura familiar através da criação e adequação de tecnologias sociais e da mudança de hábitos, partindo do princípio de captação, estocagem, manejo e reuso dos recursos que têm acesso.

A família, que utilizava práticas que agridem o solo como uso de agrotóxicos, desmatamento e queimadas, iniciou a mudança quando ingressou em atividades desenvolvidas por organizações como o Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada às Comunidades (Patac) e o Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú (Coletivo), que compõem a ASA Paraíba.

Visita

Na propriedade de oito hectares, os seminaristas conheceram  experiências com subsistemas agrícolas como, por exemplo, o manejo com a palma forrageira, a farmácia viva que possui uma variedade de espécies de plantas com capacidade medicinal e a criação de bovinos, caprinos, suínos e galinha caipira.

Por meio de formações e do contato com outras experiências, a família aprendeu o cultivo de hortaliças. Hoje eles possuem uma horta totalmente orgânica, permitindo sua participação na feira de alimentação familiar do município, que veio a ser mais uma fonte de renda.

Nenhuma espécie de agrotóxico é utilizada no cultivo dentro da propriedade, conquista que impressionou os participantes do intercâmbio. A família, que tinha grandes problemas com a estiagem, tendo que se locomover por mais de 4,5 km a pé para conseguir água, hoje tem um sistema eficaz e sustentável de segurança hídrica.

Atualmente possuem sete cisternas com capacidade de comportar cerca de 160 mil litros de água. Em 2009, o casal implantou o sistema de reuso de águas.

O modelo teve a consultoria técnica do PATAC e é baseado na experiência do Insa. Nele, toda a água utilizada para lavar louça, roupas e tomar banho passa por um processo de filtragem e tratamento. Por meio da técnica de gotejamento, rega parte da horta e pomar da propriedade. Além disso, está atualmente em processo de instalação um poço que beneficiará toda a comunidade.

O casal atua também como uma liderança em sua localidade e participou da criação do Banco de Sementes da Comunidade Pedra d’água, que estoca uma variedade de sementes para o plantio como feijão, milho, sorgo, jerimum, dentre outros. Também participam da Unidade de Beneficiamento de Frutas. Um Grupo de oito famílias que vêm transformando frutas nativas da região ou adaptadas em polpas, doces, compotas, dentre outros alimentos.

Debate

Ao final das visitas, os seminaristas e representantes do Coletivo e da ASA discutiram sobre os desafios para a construção da resiliência agroecológica no semiárido e o papel de políticas públicas.

Dentre os temas discutidos estão a necessidade de consolidar a segurança alimentar, hídrica e genética (seja de sementes ou de animais) em áreas semiáridas, democratização da terra, diminuição da burocracia em políticas públicas existentes e mobilização por direitos mais efetiva.

Fonte:
Instituto Nacional do Semiárido

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