Você está aqui: Página Inicial > Ciência e Tecnologia > 2015 > 08 > “Torre Alta da Amazônia é uma grande conquista para a ciência”

Ciência e Tecnologia

“Torre Alta da Amazônia é uma grande conquista para a ciência”

Pesquisas ambientais

Ministro Aldo Rebelo participou da cerimônia de inauguração e destacou que a construção é uma grande conquista para ciência mundial
por Portal Brasil publicado: 24/08/2015 12h51 última modificação: 24/08/2015 15h36
Ascom/MCTI Equipada com sensores e radares a laser em diferentes alturas, a Torre Alta ampliará o campo de pesquisa e o entendimento da interação entre a biosfera e a atmosfera.

Equipada com sensores e radares a laser em diferentes alturas, a Torre Alta ampliará o campo de pesquisa e o entendimento da interação entre a biosfera e a atmosfera.

Brasil e Alemanha celebraram no sábado (22) a inauguração do Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês), estrutura de 325 metros instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, entre os municípios de São Sebastião do Uatamã (AM) e Itapiranga (AM), a cerca de 150 quilômetros (km) de Manaus. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo participou da cerimônia de inauguração e destacou que  a construção é uma grande conquista para ciência mundial.

A Torre Alta ampliará o campo de pesquisa e vai coletar dados sobre as manifestações atmosféricas para estudos referentes à interação entre a vegetação e atmosfera. Equipada com sensores e radares a laser em diferentes alturas para medições do solo – como quantidade de água, temperatura e umidade –, do ar acima e abaixo da copa das árvores.

A torre vai estudar o fluxo de vapor d'água e de aerossóis (partículas sólidas e líquidas em suspensão) importantes para a formação de nuvens. O observatório transmite os dados para os laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e dos institutos Max Planck de Química e Biogeoquímica, responsáveis pela implementação do projeto.

"Os trabalhos desenvolvidos aqui serão para preservar a vida no planeta e dar alternativas para o desenvolvimento sustentável da humanidade. Somos muito gratos aos nossos amigos pesquisadores da Alemanha, do Inpa e a todos os profissionais que ajudarão a construir essa torre na maior floresta tropical continua do mundo", disse o ministro durante a cerimônia.

A empresa responsável pela construção da torre é a San Soluções Empresariais, do Paraná, que venceu a licitação. O representante da empresa, Sérgio Alves do Nascimento, relata os desafios tecnológicos logísticos de uma obra dessa magnitude na região amazônica.

"Em média, as estruturas que fazemos estão entre 50 e 150 metros (m). Para entregar uma estrutura de 325 m no meio da floresta amazônica tivemos que vencer uma logística impressionante. Foi preciso trazer as peças da torre por estrada e por rio até a Reserva do Uatumã".

Objetivo científico

O projeto tem o objetivo de monitorar e estudar o clima da Região Amazônica, por cerca de 20 a 30 anos, a partir da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O observatório deve medir com precisão fluxos de água, dióxido de carbono (CO²) e calor, a fim de analisar o impacto do ciclo de absorção e liberação de substâncias.

O coordenador do projeto pelo Inpa, Antonio Manzi, explicou que a Atto permitirá o estudo do balanço de carbono. "Com as pesquisas que serão realizadas, aumentaremos os nossos conhecimentos sobre o esse ciclo de carbono tropical, o que é muito importante mundialmente", observou Manzi.

Os 325 metros da Atto possibilitam o monitoramento de uma extensão de espaço atmosférico jamais alcançada antes, cerca de mil quilômetros quadrados (km²), preenchendo lacunas de monitoramento e coleta de dados feitas por satélites e outros instrumentos. A expectativa é que o projeto atraia alto investimento científico de diversos países.

Do topo da torre de medição, pesquisadores também podem rastrear alterações em grandes áreas de floresta tropical causadas por massas de ar que as atravessam. Ao analisar essas interações, eles querem chegar a novas conclusões sobre a importância da floresta tropical para a química e a física da atmosfera.

Construção da parceria

A Alemanha é uma das principais parceiras do Brasil em ações de capacitação tecnológica e inovação. No setor de meio ambiente, a parceria entre os dois países já existe há 30 anos, por meio do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), projeto do qual a Torre Atto faz parte. Ambos os países têm tradição em estudos ambientais.

Na Alemanha, a indústria de tecnologia do meio ambiente é um setor importante da economia e os alemães são líderes no estudo da química da atmosfera. Já o Brasil tem competência no campo da física de nuvens e transporte de matérias na camada limite – área situada na baixa troposfera (camada da atmosfera em que vivemos e respiramos) e que, portanto, sofre diretamente a influência da superfície. Na Amazônia, a camada limite pode atingir até 1,6 mil m.

O LBA já possui outras torres na Amazônia, com alturas entre 50 e 80 m, que são capazes de monitorar fenômenos de interação entre floresta e atmosfera num raio de 10 km. Em 2007, pesquisadores alemães propuseram a construção da torre alta depois de visitar a Torre K34, de 52 m de altura, localizada na reserva biológica Cuieiras, ao norte de Manaus.

 

Fonte: 

Ministério de Ciência e Tecnologia

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Consulta Pública sobre Marco Legal
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promove um processo de Consulta Pública em duas fases. Saiba como participar
Brasil reduz emissão de gás carbônico
Brasil reduz 53,5% do total de gás carbônico (CO2) emitido pelo na atmosfera entre 2005 e 2010
100 anos da Academia Brasileira de Ciências
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Emília Ribeiro, convocou pesquisadores a se unirem pelo futuro do Brasil
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promove um processo de Consulta Pública em duas fases. Saiba como participar
Consulta Pública sobre Marco Legal
Brasil reduz 53,5% do total de gás carbônico (CO2) emitido pelo  na atmosfera entre 2005 e 2010
Brasil reduz emissão de gás carbônico
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Emília Ribeiro, convocou pesquisadores a se unirem pelo futuro do Brasil
100 anos da Academia Brasileira de Ciências

Últimas imagens

Reagentes do teste estão em produção e serão distribuídos para centros de pesquisa e laboratórios do País
Reagentes do teste estão em produção e serão distribuídos para centros de pesquisa e laboratórios do País
Divulgação/Fiocruz
Satélite deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016
Satélite deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016
Divulgação/Finep
Melhores classificados representarão o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2017
Melhores classificados representarão o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2017
Divulgação/MCTI
Pesquisadora Rose Monnerat diz que bioinseticida pode ser adicionado em qualquer lugar que acumule água ou tenha potencial para ser um criadouro do Aedes aegypti
Pesquisadora Rose Monnerat diz que bioinseticida pode ser adicionado em qualquer lugar que acumule água ou tenha potencial para ser um criadouro do Aedes aegypti
Divulgação/Embrapa
Radares Atlas e Adour foram modernizados
Radares Atlas e Adour foram modernizados
Divulgação/AEB

Governo digital