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Ciência e Tecnologia

Bolsista da Capes é exemplo de empreendedorismo científico

Biotecnologia

Cientista desenvolveu projeto vendido por quase R$ 1,5 bilhão
por Portal Brasil publicado: 09/09/2015 10h23 última modificação: 09/09/2015 10h23
Foto: Marcelo Freitas O cientista Leonardo Maestri Teixeira desenvolveu uma plataforma para o rápido diagnóstico da infecção hospitalar.

O cientista Leonardo Maestri Teixeira desenvolveu uma plataforma para o rápido diagnóstico da infecção hospitalar.

O pesquisador Leonardo Maestri Teixeira‏ conseguiu um feito e tanto. Em agosto, ele vendeu para a farmacêutica Roche a empresa GeneWEAVE, cofundada por ele durante o período em que fez doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. O valor do negócio foi de US$ 425 milhões, aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

Mineiro de Belo Horizonte, 37 anos, Leonardo‏ é graduado em Ciência e Tecnologia de Laticínios pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), tem mestrado em Microbiologia Agrícola pela mesma instituição e doutorado em Nanobiotecnologia pela Cornell. Durante todo o período como estudante, o pesquisador foi bolsista da Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, agência brasileira de fomento à pesquisa do Ministério da Educação. Atualmente, o cientista dirige o Instituto de Tecnologia e Pesquisa, em Aracaju (SE).

A GeneWEAVE desenvolveu uma tecnologia de diagnóstico de tuberculose. Posteriormente, o projeto foi adaptado para diagnosticar infecção hospitalar. O cientista explica que não ficou bilionário com a venda da empresa, pois o investimento ‏na GeneWEAVE, cerca de US$ 25,2 milhões, veio de recursos de capital de risco de investidores americanos, que ficaram com boa parte do valor da venda.

Em entrevista ao Portal Brasil, Leonardo comenta a importância da Capes no desenvolvimento de pesquisas científicas no Brasil, dá detalhes sobre o projeto vendido à Roche e ‏aponta exemplos de como a combinação de empreendedorismo e ciência pode render bons resultados.

Como a Capes participou de sua história estudantil e profissional?
Tive bolsa da Capes, e sempre da Capes, desde a graduação. Primeiramente, como bolsista de iniciação científica, posteriormente de mestrado e, finalmente, a de doutorado no Exterior. Todas concorridas e conquistadas por mérito. Reforço que se não fossem as bolsas da Capes não teria tido condições financeiras de me dedicar exclusivamente aos estudos como fiz, tampouco a condição financeira de estudar em uma Ivy League (como são conhecidas as universidades de um prestigiado grupo de oito instituições de ensino superior nos Estados Unidos) e morar no Exterior para estudar. A ida para o doutorado foi a primeira vez em que eu e minha esposa colocamos os pés fora do Brasil – ou seja, graças à Capes.

Como você avalia a atuação da Capes atualmente?
Nos últimos anos, a Capes aumentou exponencialmente os programas de estímulo e fortalecimento à pós-graduação. Esta expansão é visível, basta comparar o volume de recursos e editais abertos nas últimas duas décadas. Um exemplo claro desta expansão são as oportunidades que existem hoje para os estudantes que querem realizar os cursos no Exterior. Lembro que em 2014, quando iniciei meu doutorado em Cornell, havia disponíveis para todo o País apenas algumas bolsas para o doutorado pleno no Exterior. Me preocupa apenas a crise econômica atual, pois a descontinuidade das ações e programas voltados para o fortalecimento da pós-graduação e da pesquisa é extremamente danosa, já que pode provocar a desmobilização de núcleos de excelência que foram estruturados em todo o Brasil.

Qual a contribuição para a sociedade da pesquisa desenvolvida na GeneWEAVE?
O problema da infecção hospitalar é mundial. Diariamente, milhares de pessoas morrem, pois quando conseguem identificar o microrganismo e o perfil de resistência a antimicrobianos que ela possui, já é tarde. A tecnologia que desenvolvemos permitirá que todos os pacientes, como também colaboradores e visitantes, sejam testados e os resultados liberados de forma rápida.

Originalmente, a sua pesquisa na GeneWEAVE era focada no diagnóstico da tuberculose, depois, no de infecção hospitalar. A pesquisa pode seguir também outros caminhos?
Sim, nossa tecnologia, na verdade, é uma plataforma, ou seja, pode ser adaptada a qualquer microrganismo e característica que seja interessante detectar. Neste momento, o foco será ampliar para todos os microrganismos de relevância em casos de infecção hospitalar, posteriormente será ampliada para novos alvos. Mas, como fomos comprados, as prioridades de novos alvos agora serão determinadas pela Roche.

Como você avalia a relação empreendedorismo/ciência no Brasil atualmente?
Temos diversos casos de empreendedorismo no Brasil neste sentido. Como exemplo, posso citar a Gentros, uma empresa de biotecnologia com uma equipe altamente competente e com grandes fundamentos. Os principais desafios que as empresas nascentes de base tecnológica enfrentam no Brasil, em minha opinião, são as burocracias muito bem conhecidas por nós brasileiros, mas também a falta de uma “indústria” de capital de risco madura, principalmente para investimentos nas áreas de saúde e biotecnologia. Estas áreas têm um ciclo de desenvolvimento e um risco tecnológico muito maior do que outros empreendimentos de base tecnológica. Sendo assim, diversos fundos optam por setores com potencial de retorno mais rápido.

Além disso, muitas empresas de base tecnológica da área de biotecnologia no Brasil, por necessidade de sobrevivência, perdem o foco no produto inicial e com grande potencial de retorno para garantir um faturamento precoce e fluxo de caixa. Para um país em franco crescimento como o nosso, estas frentes de curto prazo, em muitos casos, são boas oportunidades, entretanto, com potencial de crescimento linear.

Um grande case de sucesso acadêmico na área de biotecnologia que temos no Brasil é o da antiga Biobrás. Este é um grande caso que inspirou e ainda inspira muita gente. Entretanto, ainda existe um pouco de preconceito para quem tem o interesse em empreender dentro do meio acadêmico. Estes, em alguns casos, acabam não sendo tão bem-vistos por não dedicarem-se apenas à ciência fundamental, mas este é um cenário que não é exclusivo do Brasil, infelizmente. Em minha opinião, acredito que temos que ter os dois tipos de pesquisa: a ciência fundamental, que é a que gera o conhecimento; e a aplicada, que é alimentada pelos conhecimentos gerados pela ciência fundamental e se torna uma ponte do conhecimento gerado para a sociedade. Ou seja, não existe uma melhor que a outra, elas se complementam.

Fonte: Portal Brasil

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