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Literatura foi responsável pelo reconhecimento da América Latina, diz Izabel Allende

por Portal Brasil publicado: 06/08/2010 11h32 última modificação: 28/07/2014 09h17

A literatura foi a grande responsável pelo conceito sobre o Continente Latino-Americano e o reconhecimento da região pelo mundo. A avaliação foi feita na quinta-feira (5), em Paraty, pela escritora Isabel Allende, peruana, naturalizada chilena, um dos nomes de maior destaque da 8ª Festa Literária Internacional (Flip), que acontece na cidade, situada a 230 km da capital fluminense.

 

“Eu pertenço à primeira geração de escritores latino-americanos, que cresceu lendo outros escritores latino-americanos. Criamos o conceito de continente, em grande parte devido à literatura. O que não conseguiram os políticos, conseguiu a literatura. Hoje, os escritores latino-americanos escrevem sobre temas muito diferentes. Há muito menos política do que havia antes”, disse Isabel.

 

A escritora comemorou ainda o surgimento de novos nomes na literatura latino-americana que, segundo ela, vem mostrando um trabalho de qualidade. Isabel Allende vai lançar, durante a Flip, o mais recente livro de sua autoria A ilha sob o mar. A obra, que surge depois de três anos sem a publicação novos trabalhos, conta a história da escrava Zarifé, que emigra do Haiti para Nova Orleans, nos Estados Unidos.

 

“Minha primeira intenção não era escrever sobre a escravatura. Era escrever sobre Nova Orleans e quando comecei a pesquisa para o livro, descobri que chegaram a Nova Orleans milhares de refugiados que escaparam da revolta dos escravos no Haiti”. Segundo ela, esses refugiados eram colonos franceses que trouxeram escravos domésticos e compuseram uma classe social de negros livres em Nova Orleans.

 

Para Isabel, que coleciona entre seus 18 livros publicados em mais de trinta idiomas, obras de história e de ficção, a nova obra se enquadra entre os trabalhos que exigem a abertura do autor para o sonho e para as emoções. “Em A ilha sob o mar, por exemplo, não se explica o triunfo da revolta dos escravos do Haiti sem o vodu. A força espiritual do vodu uniu os escravos e lhes deu uma coragem sobrenatural”.

 

Entre as características mais citadas nas obras de Isabel Allende, estão a presença de personagens femininos fortes e de enredos envolvendo relações de poder e justiça. Segundo a própria autora, esse foco de interesse tem uma justificativa pessoal. “O interesse pelo poder e abuso do poder começou para mim com o golpe militar do Chile  (1973) quando, em 24 horas, eu vi o que era o poder da ditadura militar. Eles podiam fazer o que queriam. Eu tenho visto ao largo de toda minha vida. Eu não seria escritora hoje sem o golpe militar do Chile, que me obrigou a sair do meu país. Isso marcou minha vida, minha personalidade e minha escrita”, disse.

 

Isabel ainda falou sobre o feminismo. Conceito que, segundo ela, está desprestigiado. A autora chilena acredita que, apesar disso, “as causas do feminismo seguem valendo. As mulheres aqui [na Flip] têm liberdade, educação, acesso à saúde. Somos mulheres privilegiadas. Mas 80% das mulheres no mundo não vivem como nós. Nossa obrigação é lutar por elas. Feminismo é uma forma de ajudarmos umas às outras e não como uma guerra contra os homens”, concluiu.

 

Fonte:
Agência Brasil


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