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Ministério do Esporte leva programa de lazer a comunidades indígenas

por Portal Brasil publicado: 13/05/2011 14h54 última modificação: 28/07/2014 14h42

Em maio, o Ministério do Esporte inicia a instalação dos três primeiros núcleos do Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc) em comunidades indígenas. As primeiras etnias a serem contempladas são os povos Wai Wai, no Amazonas; Terena e Xavante, no Mato Grosso. A capacitação começa no próximo dia 23, quando as educadoras Cláudia Bonalume e Maria Leonor Ramos visitam a aldeia dos Wai Wai, próximo à fronteira com a Venezuela.

Com ajuda de uma tradutora e um guia local, as educadoras passarão três dias trocando informações. Elas vão ensinar a burocracia necessária para implementação do programa governamental, que será adaptada à realidade da aldeia indígena, além de transmitir o conteúdo pedagógico e informacional de esporte e lazer.

Cláudia e Maria Leonor aprenderão as preferências recreativas dos índios relacionadas à atividade física, dando início à construção de uma política pública cujo principal objetivo é o resgate das atividades tradicionais, como dança e pinturas corporais. “São eles que apontam suas preferências. Não queremos simplesmente levar esportes não-indígenas”, explica a secretária nacional de Esporte e Lazer, Rejane Penna Rodrigues.

Desde 2003, o Pelc beneficia a população brasileira, principalmente nas comunidades que enfrentam situações de vulnerabilidade social, como violência e baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O ministério prevê um aumento de demanda já neste ano. Atualmente, o Brasil conhece 220 etnias indígenas, que falam 180 línguas. Todas elas possuem práticas corporais e jogos diferenciados.

Os Wai Wai, por exemplo, praticam arco-e-flecha, canoagem (nos rios, com canoas próprias), natação e o chamado futebol de cabeça. “É um futebol que só eles jogam, usando a cabeça, praticamente deitados na areia”, completa Rejane. “Temos o cuidado de não ofertar uma proposta que não é do cotidiano deles, e ao mesmo tempo de não negar o acesso aos esportes não-indígenas que eles têm interesse de aprender. Essa é uma construção coletiva”.

Por se tratar de um interesse manifestado pelas comunidades, o futebol tradicional será levado para o Pelc indígena. Mas o conteúdo total do programa será estabelecido pelos próprios índios, em conjunto com as educadoras do ministério. “Uma possibilidade é levarmos a caminhada, para as mulheres praticarem nas primeiras horas da manhã, enquanto os homens fazem orações”, acrescenta Leonor.

Em junho e julho, os demais núcleos serão instalados no Mato Grosso. O próximo edital do Pelc deverá sair em agosto, e a previsão da Secretaria Nacional de Esporte e Lazer é de que a demanda aumentará bastante. “Começamos com apenas três comunidades, mas muitos já avisaram que vão concorrer”, afirma Rejane. Prova de que se trata de uma política que se consolida “na raiz”, como ensina a secretária: “É uma demanda de fato, e não um assistencialismo que chega ao lugar, mas as pessoas não pediram, não querem e talvez não saibam lidar com aquilo”. 

 

Fonte:
Ministério do Esporte

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