Cultura
Programa resgata cultura Waimiri Atroari
O programa Waimiri Atroari, implementado pela Eletrobras Eletronorte, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e sob a orientação do indigenista Porfírio Carvalho, está investindo na valorização étnica das comunidades indígenas da Amazônia. Os Waimiri Atroari sobreviveram à extinção – morriam em média 20% ao ano e hoje têm taxa de natalidade de 6% ao ano, de acordo com a Eletrobras Eletronorte.
No último dia 4 nasceu a milésima quingentésima índia da comunidade Waimiri Atroari, na Aldeia Paryry, na divisa dos estados do Amazonas e Roraima. Com quatro quilos e 49 centímetros, Ketamyna Atroari é uma prova de vida para um povo que, em 1988, somava apenas 374 indivíduos.
De acordo com o indigenista Porfírio Carvalho, “os índios estão todos muito bem, vivendo em suas terras sem invasores, sem perturbação, de acordo com sua cultura”. Mas, ele explica que nem sempre foi assim. “Em 1986 reencontrei os Waimiri numa situação muito difícil. Estavam doentes, tristes, perambulando pela rodovia BR-174, pedindo carona a caminhoneiros, dependentes de alimentação e doações. Ainda não havia demarcação nem definição dos limites de suas terras”, explica o indigenista da Eletrobras Eletronorte.
Reconhecido como referência mundial, o programa fez com que mulheres, crianças e idosos pudessem caminhar saudáveis pelas aldeias. A iniciativa da Eletronorte foi idealizada para compensar os impactos provocados pelo alagamento de 30 mil hectares das terras indígenas – hoje demarcadas em 2.585.911 ha – pela hidrelétrica Balbina.
Saúde
De acordo com o programa, um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento populacional desses índios é o subprograma de saúde. O objetivo é garantir boas condições de vida à população Waimiri Atroari, valorizar a medicina tradicional e repassar conhecimentos das outras formas de medicina.
Na reserva existem 19 postos de saúde e oito laboratórios. As atividades são realizadas por uma médica, enfermeiras, odontólogas, 18 agentes técnicos, um motorista, com o apoio de 39 agentes técnicos de saúde e 12 laboratoristas indígenas. No início todos os laboratoristas eram brancos, mas depois os primeiros Waimiri foram sendo treinados e repassaram os conhecimentos para outras pessoas da comunidade. Hoje são 12 escolhidos pelo povo.
Educação
O método é desenvolvido exclusivamente para os Waimiri Atroari. Primeiro, aprendem a escrever na língua própria e, quando já estão interpretando a escrita, começam a aprender o português e a matemática. São bilíngües. As aulas não se limitam à escola, mas podem ser explorados outros espaços como recurso didático, a exemplo de caçadas, pescarias, construção de malocas.
São 19 escolas, 54 professores Waimiri Atroari e sete não-índios que auxiliam em disciplinas como ciências, geografia e matemática. Segundo a Eletronorte, no início do programa não havia professores da etnia, o que foi acontecendo com a realização de cursos de capacitação e formação.
Para Porfírio Carvalho, idealizador do programa Waimiri Atroari, o trabalho mudou a vida dessa comunidade indígena. “Não é um trabalho qualquer, mas de sentimento, de amor. Hoje, os Waimiri Atroari são um povo orgulhoso da sua vida, do seu território e da sua cultura”, enfatiza.
Fonte:
Eletrobras Eletronorte
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