Cultura
Amazônia do século XVIII é retratada em exposição na Bahia
Programação cultural
A Caixa Cultural Salvador apresenta, nesta quarta-feira (2), a exposição “Viagem filosófica: Alexandre Rodrigues Ferreira e a Amazônia brasileira”. A coleção, pertencente à Biblioteca Nacional, jamais foi exposta e possui 50 gravuras, ilustrações e desenhos técnicos produzidos no século XVIII. Com curadoria do historiador Carlos França de Oliveira, a mostra aborda a expedição do naturalista brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira ao Rio Negro e ao Amazonas, a mando da Coroa Portuguesa, sob o governo de D. José I e do Marquês de Pombal. A exposição fica em cartaz até 1º de dezembro, sempre das 10h às 18h, com entrada franca.
A coleção que compõe o projeto é considerada pelo curador como uma verdadeira joia da história e do naturalismo no Brasil. “Tanto tratamos de naturalistas europeus, como Saint-Hilaire, Jhon Mawe, ou de desenhistas, como Debret, Rugendas, Ekhout e esquecemos da figura singular de Alexandre Rodrigues Ferreira, um naturalista baiano, formado em Portugal que, no final do século XVIII, foi convidado a liderar uma expedição a Amazônia Brasileira, atravessando o rio Negro, o Amazonas, indo ao Mato Grosso e às fronteiras da colônia”.
A obra de Rodrigues Ferreira, ilustrada pelos desenhistas José Codina e José Joaquim Freire, que o acompanharam, foi guardada na Real Livraria de Portugal, a biblioteca dos Reis, veio para o Brasil na ocasião da transferência da corte portuguesa, em 1808. A coleção, desde então, faz parte da sessão de manuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A exposição tem cenografia inspirada na região amazônica e trilha sonora do grupo Uakti (Águas da Amazônia).
Retrato da Amazônia
Em 1773, a Rainha Dona Maria I ordenou a Alexandre Rodrigues Ferreira, na qualidade de naturalista, que empreendesse uma “Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá”. O objetivo era conhecer melhor o centro-norte da colônia brasileira, até então praticamente inexplorado, a fim de lá implementar medidas desenvolvimentistas.
Em 1783, Rodrigues Ferreira deixou seu cargo no Museu D'Ajuda e, em setembro, partiu para o Brasil, com a finalidade de descrever, recolher, aprontar e remeter, para o Real Museu de Lisboa, amostras de utensílios empregados pela população local, bem como de minerais, plantas e animais. Ficou também encarregado de tecer comentários filosófico e políticos sobre o que visse nos lugares por onde passasse.
Regressando a Lisboa, em janeiro de 1793, foi nomeado Oficial da Secretaria do Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos. Em 1794 foi condecorado com a Ordem de Cristo e tomou posse como Diretor interino do Real Gabinete de História Natural e Jardim Botânico. No ano seguinte foi nomeado, seguidamente, Vice Diretor dessa instituição, Administrador das Reais Quintas e Deputado da Real Junta do Comércio.
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