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Cultura

Mato Grosso do Sul comemora 100 anos da chegada de estrada de ferro

Patrimônio

Conjunto da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em Campo Grande, foi tombado pelo Iphan em 2009. Complexo possui 135 edifícios
por Portal Brasil publicado: 27/01/2014 11h35 última modificação: 30/07/2014 01h48
Divulgação/Iphan Abertura da linha tronco da ferrovia conectou o estado de São Paulo ao interior de Mato Grosso

Abertura da linha tronco da ferrovia conectou o estado de São Paulo ao interior de Mato Grosso

Este ano será de grande mobilização para a sociedade de Campo Grande (MS). Há cem anos as duas frentes de trabalho da Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil – uma que começou a ser construída em Bauru (SP) em 1905 e outra que saiu de Porto Esperança (MS) em 1908 – se encontram na cidade, possibilitando seu desenvolvimento e futura elevação à capital do posteriormente criado estado de Mato Grosso do Sul. Para celebrar a data, o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional no Estado (Iphan-MS) está preparando as comemorações e produzindo agenda, calendário e uma publicação sobre a importância da estrada de ferro.

O conjunto da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB) em Campo Grande foi tombado pelo Iphan em 2009. O complexo possui 22,3 hectares e 135 edifícios em alvenaria e madeira, erguidos em datas diferentes a partir da ampliação das atividades e ainda mantém parte dos trilhos que não foram retirados da área urbana de Campo Grande. Entre os imóveis estão as casas dos operários, dos funcionários intermediários e dos graduados, os escritórios, as oficinas, uma escola, a caixa d’água e a estação, construída a partir de 1914, com ampliações em 1924 e 1930. Originalmente, possuía 12 metros de extensão, mas foi expandida para 165 metros de comprimento. O imóvel abrigava áreas para bar, apoio, bilheteria, administração de cargas, serviços médicos e depósito.

A inauguração da estação de Ligação em Campo Grande no dia 12 de outubro de 1914 efetivou a abertura da linha tronco da ferrovia, conectando o estado de São Paulo com o interior de Mato Grosso.  Ainda hoje, o complexo mantém sua coesão formal, o que garante a importância de sua preservação, já que descreve uma narrativa das transformações histórica, política, social, tecnológica e arquitetônico-urbanística dos anos em que foram implementadas.

As vilas, os trilhos e a história

Um dos destaques do conjunto é a rotunda de manutenção, construção semicircular inaugurada em 1951, com 110 metros de diâmetro. Continha oficinas, área de lavagem e depósito de peças, num complexo de amplas coberturas que marcam a sua imponência, identificada pela logomarca da EFNOB. As casas para os operários, tanto as de 1930 quanto o conjunto da rua dos Ferroviários, de 1951, eram, em sua maioria, feitas de madeira, havendo, porém, exemplares em alvenaria. Já para os funcionários intermediários e para os graduados, as construções eram de alvenaria, em terreno único, sendo que as residências para os de nível hierárquico mais alto tinham um melhor acabamento.

A necessidade de garantir a comunicação no extenso território brasileiro, no final do século XIX e início do século XX, foi o grande impulsor do desenvolvimento do setor de transporte no território nacional. Foi nesse cenário de expansão que começou a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil – EFNOB, ligando o litoral paulista, em Santos, com as fronteiras do Brasil com a Bolívia, em Corumbá, atualmente no estado do Mato Grosso do Sul.

Desde o Segundo Império, em meados do século XIX, já se discutia a construção de uma ligação férrea do longínquo Mato Grosso ao litoral brasileiro, um trajeto que só podia ser feito por navegação pela bacia platina, o que dependia de relações com Paraguai e Argentina. Durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), a falta de meios de transporte na região ficou evidente quando o primeiro contingente brasileiro enviado para as trincheiras demorou oito meses para percorrer os dois mil quilômetros entre a Capital do Império e a vila de Coxim, na então província do Mato Grosso.

Foram muitos os planos para a construção da ferrovia, mas todos eles esbarravam em questões políticas, econômicas ou geográficas e não eram aprovados. Somente em 1904 foi criada a Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que recebeu a concessão. Mesmo assim, os trilhos só começaram a ser implantados depois que a Companhia Paulista, percebendo que uma nova via seria prejudicial a seus interesses, divulgou parecer técnico sugerindo que a nova ferrovia partisse da Estrada de Ferro Sorocabana com destino a Cuiabá.

De acordo com o Iphan-MS, num registro histórico, a importância fundamental para o patrimônio cultural brasileiro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e de suas estruturas está na dimensão estratégica nacional de que um país desenvolvido passava necessariamente pela integração de seus territórios, o que poderia ser feito com o trem. Essa ação ficou evidente quando, em meados da década de 1910, o governo do Mato Grosso assumiu a responsabilidade direta pelo término do trecho da ferrovia entre Itapura e Corumbá, em função dos atrasos das obras e da importância da linha para o estado. Essa era também uma forma de aproximar as relações internacionais entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Em 1914, as duas frentes de trabalho se encontram em Campo Grande, conforme o previsto. Era a chegada do trem, símbolo da modernidade naqueles distantes sertões.

Fonte:

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

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