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Cultura

Antônio Torres ocupa cadeira de Machado de Assis

Academia Brasileira de Letras

Romances e livros de contos do escritor baiano têm como cenários a vida urbana ou a história do Brasil
por Portal Brasil publicado: 10/04/2014 12h20 última modificação: 30/07/2014 01h43

A Cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que tem como fundador Machado de Assis, o primeiro presidente da instituição, voltou a ser ocupada nessa quarta-feira (9) por um romancista. Eleito em 7 de novembro do ano passado, o escritor baiano Antônio Torres tomou posse em solenidade no Petit Trianon, sede da ABL, na cadeira que já teve como ocupantes dois conterrâneos seus, Otávio Mangabeira (1886-1960) e Jorge Amado (1912-2001).

Jorge Amado foi sucedido na Cadeira 23 por sua viúva, a também escritora Zélia Gattai (1916-2008), e esta pelo jornalista e musicólogo Luiz Paulo Horta, falecido em 3 de agosto de 2013. Eleito com 34 dos 39 votos possíveis, Antônio Torres já havia tentado ingressar na academia em 2011, mas na ocasião foi derrotado pelo jornalista Merval Pereira Filho.

Nascido em 1940 em um povoado chamado Junco, hoje cidade de Sátiro Dias, no sertão da Bahia, Torres estudou em Salvador, onde começou a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia. Também foi publicitário em São Paulo, antes de se radicar no Rio de Janeiro.

Sua estreia na literatura ocorreu em 1972, com o romance "Um Cão Uivando para a Lua". Desde então, publicou mais 16 obras, entre elas os romances "Essa Terra" (1976) e "Um Táxi para Viena D'Áustria" (1991), ambos traduzidos para o francês.

Considerada uma obra-prima, "Essa Terra", romance que aborda o êxodo dos nordestinos em busca de uma vida melhor no Sudeste e Sul do País, abriu caminho para a carreira internacional do escritor baiano. Ele hoje tem livros publicados na França, na Alemanha, na Itália, na Inglaterra, na Holanda, na Espanha, em Portugal, nos Estados Unidos, em Israel, em Cuba e na Argentina. Em 1998, foi condecorado pelo governo francês com o título de Chevalier des Arts et Lettres.

Antônio Torres também ganhou importantes prêmios literários, entre eles o Machado de Assis, da própria ABL, concedido em 2000, e o Jabuti, em 2007. Os romances e livros de contos do escritor têm como cenários a vida urbana ou a história do Brasil, como é o caso de Meu Querido Canibal (2000), que relata a saga dos índios tamoios na época da fundação da cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: 
Agência Brasil

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