Cultura
Conselho do Patrimônio Cultural se reúne em Brasília
Preservação
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural estará reunido, na próxima quinta-feira (15), na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília (DF). A pauta da 75ª reunião foi montada com dois temas. O primeiro trata da continuidade da Rede de Patrimônio no Piauí. Será avaliado o registro, como Patrimônio Cultural Brasileiro da Produção Tradicional e Práticas Socioculturais Associadas à Cajuína no estado, de Estabelecimentos das Fazendas Nacionais do Piauí: Fábrica de Laticínios, em Campinas do Piauí, e Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, em Floriano.
Com foco no segundo tema, os conselheiros avaliarão as propostas de tombamento da Casa Grande e Tulha da antiga Chácara do Paraíso das Campinas Velhas, em Campinas (SP), e do Sítio da antiga fazenda de Santo Inácio de Campos Novos, do Distrito de Tamoios, em Cabo Frio (RJ).
Em 2013, foram aprovados os registros da Festa do Divino Espirito Santo de Paraty (RJ), da Festa do Senhor do Bonfim, em Salvador (BA), e da Festividade do Glorioso São Sebastião da Cachoeira do Arari (PA). Também passaram a ter a proteção do Iphan o Edifício A Noite, no Rio de Janeiro (RJ), a Igreja do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), o Teatro Castro Alves e o Terreiro de Candomblé Ile Axé Oxumaré, ambos em Salvador (BA)
Fazendas Nacionais do Piauí
O Iphan propõe o tombamento conjunto do Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara e da Fábrica de Laticínios porque ambos decorrem das antigas Fazendas Nacionais do Piauí que, originalmente, eram grandes extensões de terras doadas aos primeiros desbravadores, no Brasil colônia. A proposta de tombamento está relacionada com o processo de ocupação decorrente da utilização das Fazendas Nacionais a partir de projetos de aproveitamento da mão de obra remanescente da escravidão. As duas exemplos emblemáticos do patrimônio edificado no Brasil entre o final do século XIX e começo do XX, tanto da arquitetura tradicional piauiense, que se utiliza de materiais e técnicas locais, quanto da arquitetura industrial implantada no interior do país em pleno século XIX.
Sítio da antiga fazenda de Santo Inácio de Campos Novos
O conjunto é remanescente de uma antiga fazenda jesuíta fundada no século XVII (1648), e está implantado sobre um sambaqui, característica do padrão de implantação dos conjuntos jesuíticos litorâneos da primeira fase de colonização, onde o local elevado permitia ampla visualização e boas condições de defesa. A casa principal, a capela e o cemitério anexo são raros exemplares de arquitetura rural jesuítica, construídos por volta de 1690. Com a expulsão dos jesuítas do Brasil (1759), o sítio sofreu diversas intervenções, mas que não comprometem a preservação de seus traços.
Casa Grande e Tulha da antiga Chácara do Paraíso das Campinas Velhas
As instalações da Antiga Chácara do Paraíso das Campinas Velhas foram construídas em taipa de pilão e estão ainda bem conservados. A Casa Grande é um exemplar típico da arquitetura rural paulista do século XVIII. O conjunto se relaciona com os processos de ocupação territorial do interior de São Paulo e também com processos econômicos como os do açúcar e café. A chácara ainda testemunhou a introdução de novas tecnologias relacionadas à produção rural, em especial do café, que teve em Campinas um dos principais centros, contribuindo com as fortes transformações econômicas, tanto regionais quanto nacionais.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.
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