Cultura
Preconceito e barreira da mídia são destaques de encontro LGBT
Evento
O último dia de debates do I Encontro Nacional de Arte e Cultura LGBT, realizado no Centro Petrobras de Cinema, em Niterói (RJ), teve dois fóruns temáticos: "Olhares e Reflexões sobre Cultura LGBT" e "Diálogos sobre Mídias, Redes Socais e Comunicação", e contou a participação do deputado federal Jean Wyllys e de Pedro Domingues, coordenador geral de Programas e Projetos Culturais da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.
O evento reuniu militantes da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros) de todo o Brasil, teve mesa formada por Elisa Gargiulo (banda Dominatrix), Valéria Rocha (diretora teatral), Sandro Ka (Grupo Somos), César Almeida (ator e diretor teatral) e Verônica (atriz/cantora), que levantou questões sobre o pequeno número de atrações voltadas para o público LGBT, a falta de incentivo do governo para que haja produções direcionadas a este nicho - que tem um vasto campo cultural - e a necessidade de transformar o produto cultural LGBT em algo atraente para o mercado.
Dança, canto e interpretação são considerados pelos militantes da causa gay e trangêneros como instrumentos capazes de difundir em larga escala a cultura LGBT. Segundo a travesti, cantora e atriz Verônica, essas performances quando bem feitas, cativam qualquer um, mostrando que a sexualidade não pode determinar o talento de uma pessoa. "Mal ou bem, todos que têm uma escolha sexual diferente dos padrões estabelecidos pela sociedade, é um ser humano, um cidadão e que merece respeito", defendeu a artista.
Já na segunda abordagem do dia, os convidados deram ênfase à questão da censura a arte voltada para o LGBT. Durante a mesa, surgiu a ideia de se criar uma rede de cultura que atravesse todas as Regiões do País e todas as manifestações artísticas, proposta que se tornou a principal reivindicação do encaminhamento final do evento.
O debate falou sobre o papel dos produtores de mídia na difusão da cultura LGBT; a força que o segmento pode ter na rede, através de sites, blogs e vídeos, que geram um patrimônio cultural de linguagem própria; a falta de oportunidade dos profissionais que se encaixam nesse perfil; e a dificuldade de colocar em pauta, nos principais meios de comunicação, assuntos relacionados à cultura LGBT.
Um dos destaques da roda foi o depoimento do diretor e roteirista Paulo Vespúcio, que afirmou que já teve filmes vetados por serem destinados ao público gay/trangêneros ou mesmo por ter na história casos que contemplassem a causa. Outra consideração feita pelo roteirista do longa "O casamento de Gorete" foi a falta de patrocinadores para as produções. Segundo Vespúcio, o empresariado não costuma apoiar a arte ou mesmo eventos que levantem a bandeira LGBT, apontando para esse fato, uma das causas de ter que adaptar as suas produções para que se torne "vendável" as distribuidoras.
Por fim, o debate de encaminhamento resumiu as discussões de todo o Encontro e redigiu o documento final a ser apresentado ao Ministério da Cultura. Entre os pedidos, está a criação de uma rede de cultura LGBT que coloque os artistas e realizadores em comunicação, além de facilitar o acesso ao governo, e a conquista de mais espaço para a população trans, ainda muito renegada no meio.
O I Encontro de Arte e Cultura LGBT contou ainda com stands para venda de livros com abordagem a cultura LGBT, além de exposições sobre este universo como: Figurinos In Drag, com curadoria de Almir França e coordenação de Felipe Carvalho. A última noite de discussões foi encerrada com a apresentação da tradicional Escola de Samba Unidos do Viradouro e com a abertura do palco para os artistas presentes ao evento.
Fonte:
Ministério da Cultura
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