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Cultura

Seminário debate atuação da mídia negra no Brasil

Inclusão

Papel da publicidade e patrocínio também ganhou espaço na discussão
por Portal Brasil publicado: 02/06/2014 15h49 última modificação: 30/07/2014 01h41
Divulgação/Fundação Cultural Palmares Participaram do evento representantes da comunicação negra do País

Participaram do evento representantes da comunicação negra do País

Para dar continuidade ao Seminário ‘Diálogos: Democracia e comunicação sem racismo, por um Brasil afirmativo’, que acontece em Brasília (DF), dois painéis puderam ser acompanhados pelos participantes na última sexta-feira (30). Os painéis ‘Combate ao Racismo na Mídia: Estratégias e desafios de inserção’ e ‘Comunicação Pública, Patrocínio e Publicidade no governo’, abriram espaço para representantes de profissionais que se dedicam à mídia negra debaterem sobre a conjuntura atual.

Participaram da discussão, a jornalista do jornal A Tarde (BA), Cleidiana Ramos; o professor de comunicação da Universidade de São Paulo (USP), Dennis Oliveira; o fundador do Portal Áfricas, Washington Andrade; Asfiló de Oliveira (Filó), do portal Cultne e o cineasta e produtor americano, Ire Moseley. No painel sobre patrocínio e publicidade, participaram a jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Juliana César Nunes, e o diretor do comitê de patrocínios da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Marcos Pedrine.

Representação negra na imprensa

Com o objetivo de mostrar como a mídia negra vem sido representada atualmente, a repórter do jornal A Tarde (BA), Cleidiana Ramos, relatou sua experiência diária e ressaltou a necessidade de uma maior visibilidade do jornalista negro. “O dia a dia do jornalista negro hoje é extremamente complicado, tendo em vista, a falta de oportunidades e a inexistência de espaço dentro das mídias de destaque do País”, desabafou.

Sobre o assunto, o professor Dennis Oliveira sugeriu alternativas para que a mídia negra ganhe espaço. “Pensar em políticas públicas para a mídia com corte étnicorracial pode ser uma alternativa de combate ao racismo nos meios de comunicação. Elaborar um programa especial de combate ao racismo nas redes públicas de comunicação também pode ser um caminho,” reiterou.

O fundador do site Cultne, Filó, apresentou uma nova produção audiovisual com a temática racismo no futebol. Participaram do vídeo diversas personalidades e artistas negros. Ainda em sua explanação, Filó falou sobre a situação da propriedade de políticos de meios de comunicação, apesar da proibição constitucional. Ele argumentou soluções para esse monopólio acabar. “A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) tem papel crucial no combate ao racismo na comunicação. Precisamos encontrar novos modos para dar destaque aos nossos produtos na grande mídia”, argumentou.

No mesmo contexto, o cineasta e produtor americano Ira Moseley participou do debate mostrando inicialmente como se deu a visibilidade do negro na mídia norte americana. “Implementamos o empoderamento no contexto de negócios para mídia negra. Dessa forma, foi possível mudar o contexto da agenda da temática afro nos mais importantes eixos da comunicação.”

Mais recurso público

O diretor do Portal Áfricas, Washington Andrade, descreveu o que ele chamou de “A saga de um empresário negro em busca de recursos”. Segundo ele, a dificuldade é grande justamente por conta da falta de incentivos. “Temos que fazer ações fortes junto a Seppir e a Fundação Cultural Palmares no sentido de buscar maior visibilidade para mídia negra. Isso é urgente e necessário”, alertou.

Comunicação pública

Sobre comunicação pública, a jornalista da EBC Juliana César contou a experiência em trabalhar em uma instituição desse tipo e citou a abordagem dada aos temas de combate ao racismo. “Um exemplo a ser dado é a Voz do Brasil que passou a tratar a temática racial por meio de matérias e séries ligadas a raça”. Juliana disse ainda que é importante ver a comunicação pública como um espaço a ser ocupado. “A comunicação pública e financiada pelos nossos recursos e ela tem que atender aos nossos anseios”.

Patrocínio institucional

O papel da publicidade e patrocínio também ganhou espaço na discussão. O representante da área na Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), Marcos Pedrine, colocou a instituição a disposição para conceder orientações sobre como conseguir patrocínio. Ele finalizou a discussão falando sobre a importância desse tipo de apoio.   “Patrocínio é uma forma de trazer para dentro das instituições as ações e políticas públicas do governo federal”, definiu.

Fonte: 

Fundação Cultural Palmares

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