Cultura
"Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" é o representante do Brasil no Oscar
Melhor Filme Estrangeiro
O Ministério da Cultura (MinC) divulgou, nesta quinta-feira (18), na Cinemateca Brasileira, em São Paulo (SP), que "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", dirigido por Daniel Ribeiro, concorrerá a uma vaga na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2015.
Escolhido entre 18 títulos nacionais, o filme foi selecionado por uma comissão especial formada por cinco membros especialistas na área. A 87ª cerimônia do prêmio está marcada para 22 de fevereiro, em Los Angeles, Estados Unidos.
O anúncio foi feito pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, logo após a reunião da comissão especial. Foram responsáveis pela escolha o diretor, produtor e roteirista Jeferson De; o jornalista Luis Erlanger, a coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves; o presidente do conselho da Televisão América Latina (TAL), Orlando de Salles Senna; e o ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza.
Marta Suplicy afirmou que o filme selecionado pode fazer história para o país. "A obra eleita nos oferece uma história original, roteiro bem defendido, com linguagem universal e é também uma obra de alta sensibilidade, que aborda a temática adolescente em situações extremas", afirmou. "Fico feliz com essa seleção, nos tira de situações com cara de Brasil, tem uma linguagem universal, com uma história que pode ocorrer em qualquer país, em qualquer lugar", completou a ministra.
O primeiro longa-metragem do diretor Daniel Ribeiro narra a historia de um adolescente cego e homossexual que tenta lidar com a superproteção da mãe e sua busca pela independência. O cotidiano do jovem muda com a chegada de Gabriel, que o ajuda a descobrir mais sobre si mesmo e sua sexualidade.
Se o "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" for indicado na categoria, será a quinta vez que o Brasil concorrerá ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 1963, foi o "O pagador de promessas" ; em 1994, "O Quatrilho"; em 1998 "O que é isso companheiro?" e, em 1999, "Central do Brasil".
Parceria
Segundo a produtora executiva do filme, Diana Almeida, a parceria com o setor público foi "fundamental" para a realização do longa-metragem. "Sem estes patrocínios e investimentos, a gente não teria realizado o filme", resumiu. "Eu acho incrível que o cinema no Brasil, nos últimos anos, se tornou uma coisa muito democrática e acessível. Se você tem um bom projeto, é possível realizar. Tem uma diversidade de editais que tornam isso possível", completou.
Diana relata como foi o "longo percurso" para conseguir bancar o projeto: "A gente começou recebendo um edital da Prefeitura de São Paulo para desenvolvimento do projeto. Na sequência, a gente aprovou o filme na lei do Audiovisual e ficou apto a se inscrever nos editais das empresas públicas. A gente ganhou o edital do BNDES, da Sabesp - que é dinheiro da Lei Rouanet, mas organizado pela Secretaria de Estado da Cultura (de São Paulo), da Eletrobrás e tivemos o investimento do Fundo Nacional do Audiovisual".
Sucesso
Com 129 longas-metragens, 2013 teve recorde histórico de lançamentos nacionais desde a retomada do cinema na década de 1990. Neste ano, até 27 de agosto, o número de filmes produzidos no Brasil chegou a 66.
Além de maior produção, o setor audiovisual brasileiro também cresceu em público e em faturamento de bilheteria. Em 2013, 149,5 milhões de ingressos vendidos e renda de mais de R$ 1,7 bilhão. Os números representam alta em relação a 2012, quando foram registrados 146,4 milhões de espectadores e R$ 1,6 bilhão de renda.
Já a participação de público dos filmes nacionais em 2013 foi de 18,6%. O percentual também representa um acréscimo em relação a 2012. No ano passado, 10 filmes brasileiros ultrapassaram a marca de 1 milhão de bilhetes vendidos e 24 tiveram mais de 100 mil espectadores. No ano retrasado, apenas 17 obras ultrapassaram esta marca.
Veja os 18 títulos que concorreram à vaga na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2015.
A Grande Vitória, do diretor Stefano Capuzzi
A Oeste do Fim do Mundo, do diretor Paulo Nascimento
Amazônia, de Thierry Ragobert
Dominguinhos, de Eduardo Nazarian, Joaquim Castro e Mariana Aydar
Entre Nós, de Paulo Morelli
Exercício do Caos, de Frederico Machado
Getúlio,de João jardim
Hoje eu quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro
Jogo de Xadrez, Luís Antônio Pereira
Minhocas, de Paolo Conti e Arthur Nunes
Não pare na pista: a melhor historia de Paulo Coelho, de Daniel Augusto
O Homem das Multidões, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães
O Lobo atrás da Porta, de Fernando Coimbra
O menino e o mundo, de Alê Abreu
O menino do espelho, de Guilherme Fiúza Zenha
Praia do Futuro, de Karim Aïnouz
Serra Pelada, de Heitor Dhalia
Tatuagem, de Hilton Lacerda
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