Cultura
Poeta Manoel de Barros morre aos 97 anos
Literatura Brasileira
Morreu, na manhã desta quinta-feira (13), aos 97 anos, o poeta Manoel de Barros. Ele estava internado havia duas semanas na Unidade de Terapia Intensiva do Proncor, em Campo Grande (MT). A causa do falecimento ainda não foi divulgada pelo hospital.
Nascido no dia 19 de dezembro de 1916, em Cuiabá (MT), Manoel Wenceslau Leite de Barros escreveu sua primeira poesia aos 19 anos.
Na carreira artística, participou do pós- Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas europeias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade.
Em sua trajetória, publicou mais de 30 livros e foi agraciado com vários prêmios literários de repercussão em todo o Brasil, entre eles, dois Jabutis, em 1989 e 2002.
É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros.
Sua obra mais conhecida é o "Livro sobre Nada" de 1996. Sua última obra, Portas de Pedro Viana, foi publicada em 2013.
Presidenta lamenta perda
A presidenta Dilma Rousseff lamentou nesta sexta-feira (14), a morte do poeta Manoel de Barros, titular da Cadeira nº 1 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
Confira a íntegra da nota da presidenta:
“Foi com pesar que soube da morte do grande poeta Manoel de Barros. Em O Livro Sobre Nada, ele escreveu:
“Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham”
As palavras certas sempre achavam Manoel de Barros. O Brasil perdeu um grande ourives das palavras.
Aos familiares, amigos e admiradores, meus sentimentos.”
Cultura
O Ministério da Cultura divulgou uma nota de pesar pela morte do poeta. Confira o documento na íntegra:
"O Ministério da Cultura lamenta a perda do poeta Manoel de Barros e solidariza-se com seus familiares, amigos e leitores do Brasil e do mundo. Simples, de poesia delicada e repleta de seu imaginário pantaneiro, ao contrário do que dizem estes seus versos "Quando o mundo abandonar o meu olho./ Quando o meu olho furado de beleza for esquecido pelo mundo./ Que hei de fazer.", Manoel de Barros jamais será esquecido."
Confira a lista de publicações do poeta:
- 1942 — Face imóvel
- 1956 — Poesias
- 1960 — Compêndio para uso dos pássaros
- 1966 — Gramática expositiva do chão
- 1974 — Matéria de poesia
- 1980 — Arranjos para assobio
- 1985 — Livro de pré-coisas
- 1989 — O guardador das águas
- 1990 — Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda
- 1993 — Concerto a céu aberto para solos de aves
- 1993 — O livro das ignorãças
- 1996 — Livro sobre nada
- 1996 — Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Akzente
- 1998 — Retrato do artista quando coisa
- 2000 — Ensaios fotográficos
- 2000 — Exercícios de ser criança
- 2000 — Encantador de palavras - Edição portuguesa
- 2001 — O fazedor de amanhecer
- 2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo
- 2001 — Águas
- 2003 — Para encontrar o azul eu uso pássaros
- 2003 — Cantigas para um passarinho à toa
- 2003 — Les paroles sans limite - Edição francesa
- 2003 — Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha
- 2004 — Poemas Rupestres
- 2005 — Riba del dessemblat. Antologia poètica — Edição catalã (2005, Lleonard Muntaner, Editor)
- 2005 — Memórias inventadas I
- 2006 — Memórias inventadas II
- 2007 — Memórias inventadas III
- 2010 — Menino do Mato
- 2010 — Poesia Completa
- 2011 — Escritos em verbal de ave
- 2013 — Portas de Pedro Viana
Fonte:
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