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Cultura

Obras de Farnese de Andrade estão expostas em Brasília

Trajetória artística

Exposição fica aberta na Caixa Cultural até 11 de janeiro, e têm despertado atenção do público pelo estilo bizarro e grotesco
por Portal Brasil publicado: 09/12/2014 12h04 última modificação: 09/12/2014 12h04
Foto:Denise Andrade Mostra apresenta um conjunto de quase 60 obras do artista, mapeadas ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990

Mostra apresenta um conjunto de quase 60 obras do artista, mapeadas ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990

Destaques da Galeria Piccola I e II, as obras do artista plástico mineiro Farnese de Andrade (1926 – 1996), em exposição na Caixa Cultural Brasília até 11 de janeiro de 2015, têm despertado atenção do público pelo estilo bizarro e grotesco.

De fato, a morbidez de alguns assemblages (colagens com objetos e plásticos tridimensionais) criados pelo artista chega mesmo a assustar alguns visitantes mais sensíveis, como foi o caso da estudante de arquitetura Gabriela de Almeida Severo, que passou pelo local para conferir a exposição Street Art - exposta na Galeria Principal do espaço -, mas foi fisgada pelos trabalhos densos, enigmáticos e pessoais de Farnese.  “Achei interessante o que vi, são obras de uma beleza assustadora”, opina.

Para o curador Marcus de Lontra Costa, o mérito da exposição Farnese de Andrade – Arqueologia existencial, além de resgatar a obra e trajetória de um artista praticamente esquecido nas últimas décadas, está, justamente, nessa atração sensorial e interesse mórbido que os trabalhos do artista despertam nas pessoas.

Segundo o curador, a associação entre religião e política, relação familiar e sexualidade, inconsciente e realidade trágica surge como espelho diante dos olhos de quem passa pela galeria.

“É natural que o público sensível e interessado em arte se deixe fascinar pela obra generosa e impactante de Farnese”, destaca o curador. “A vida, em especial quando abordamos questões da infância, da sexualidade, do espírito religioso e da loucura, pode ser bizarra e mesmo grotesca. Farnese desnuda essas questões e, muitas vezes, provoca o espectador para que veja a sua própria dor, o seu sorriso e a sua morte, sempre perpassado por uma enorme dose de talento e uma suave melancolia”, observa.

Artista múltiplo, o mineiro de Araguari Farnese de Andrade estudou pintura em Belo Horizonte com o mestre (Alberto da Veiga) Guinard nos anos 1940, mudando-se para o Rio de Janeiro no final da década, onde passou a trabalhar como ilustrador nos jornais Diário de Notícias e Correio da Manhã, além da revista O Cruzeiro e Manchete.

A carreira como desenhista e gravador teve início em 1964, quando passou a produzir as impactantes colagens de objetos que recolhia em praias e aterros da Cidade Maravilhosa. Dono de personalidade difícil, o artista, enclausurado em sua própria solidão, desenvolveu um estilo de criar poético e autobiográfico singular.

“A própria construção do trabalho do artista o conduzia a essa reclusão. Farnese era o artista andarilho, caminhava pelas praias, pelos depósitos, pelas ruínas da cidade reunindo fragmentos de histórias já vividas e com elas construiu, silenciosamente, a sua própria história”, aponta o curador Marcus de Lontra.

Ao todo, a mostra apresenta um conjunto de quase 60 obras do artista, mapeadas ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990.

As imagens de santos mutilados e deformados, braços, pernas e cabeças de bonecas ordenadas aleatoriamente dentro de oratórios e redomas, gamelas enfeitadas com peças domésticas simbólicas expressam muitas vezes a personalidade de um artista recluso e fustigado por referências íntimas e ao mesmo tempo universais como a presença da mãe, a angústia do medo e a presença inevitável da morte.

Fazendo uma reflexão sobre o trabalho do artista, o curador Marcus de Lontra Costa classifica sua obra com o que chama de “o lado obscuro da modernidade”.

“Ele flerta com o Dadaísmo e o Surrealismo e com obras de artistas referenciais do século 20 como Joseph Cornell, Jean Dubuffet e Marcel Duchamp. No Brasil, ele é único e suas referências históricas se estruturam no barroco colonial”, explica.

Serviço

Exposição - Farnese de Andrade - Arqueologia Existencial

Local: Caixa Cultural Brasília – Galerias Piccola I e II

Endereço: SBS Quadra 4, Lotes 3/4 - Edifício Anexo à Matriz da CAIXA

Abertura: terça-feira (25), às 19h (estacionamento gratuito no local)

Visitação: de 26 de novembro de 2014 a 11 de janeiro de 2015, de terça-feira a domingo, das 9h às 21h

Informações: (61) 3206-9448 e (61) 3206-9449

Agendamento de visitas monitoradas e oficinas: (61) 3206-9892

Classificação indicativa: livre para todos os públicos

Entrada Franca

Fonte:

Agência Caixa de Notícias

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