Cultura
Ministro da Cultura recebe integrantes do MST
Gestão em Cultura
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu, nessa quinta-feira (12), representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O ministro ouviu demandas relacionadas a políticas públicas culturais para as áreas de reforma agrária, comunidades camponesas e atingidas por barragens.
"É muito importante pensar em uma política cultural para o campo, que inclua também as manifestações tradicionais e os indígenas. Sugiro realizarmos um grande encontro, com presença das diversas secretarias e vinculadas do Ministério da Cultura, e se possível de outros ministérios que tenham relação com o tema, para darmos um primeiro passo no esboço dessa política", afirmou Juca Ferreira.
O coordenador do Setor de Cultura do MST, Julio Morete, destacou a necessidade de políticas públicas permanentes para as áreas de reforma agrária e para o campo em geral. "Essas políticas são importantes para a fixação do homem no campo", destacou. "E uma das prioridades é fazer das escolas espaços culturais e capacitar professores e agentes culturais que possam dialogar com a cultura de resistência que existe em nossas comunidades. É preciso começar nas crianças", ressaltou.
Foi discutida a criação de equipamentos culturais em estruturas existentes nas áreas de assentamento, como galpões e casarões de fazendas. "Gostaríamos de apoio para transformar esses locais em cinemas, teatros. Uma de nossas ideias, que inclusive já discutimos com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), é que alguns desses locais possam virar patrimônio material, o que possibilitaria a busca por recursos para financiar as reestruturações necessárias", afirmou Carla Loop, também coordenadora do Setor de Cultura do MST.
Outra demanda apresentada pelos participantes são ferramentas para distribuição de livros, documentários e músicas produzidas pelos integrantes do movimento. "Há uma vitalidade enorme na produção cultural do campo, mas que precisa ter visibilidade. Hoje, infelizmente, falamos para nós mesmos", lamentou Rafael Villas Boas, integrante do Coletivo de Cultura do MST e professor da Universidade de Brasília. "Precisamos de mecanismos para mudar isso", acrescentou.
A reestruturação da Rede Cultural da Terra, programa criado em 2004 pelo Ministério da Cultura em parceria com o próprio MST e os ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar, também foi citado pelos integrantes do movimento. O programa era destinado à difusão, fruição e circulação da produção artística brasileira no meio rural, fomentando variadas linguagens artísticas e expressões culturais.
Pontos de Cultura Rurais
Outra pauta foi a ampliação dos Pontos de Cultura rurais. "Precisamos de suporte do Ministério da Cultura para avançar nesse tema. E é importante que isso seja feito levando em consideração as especificidades do campo", observou a coordenadora da Rede de Pontos de Cultura Rurais, Marjorie Botelho. "Hoje, as políticas para a cultura são voltadas para as áreas urbanas, para as metrópoles. Muitos Pontos não têm telefone, não têm internet. Precisamos de um tratamento que leve em conta essas diferenças", completou.
Os integrantes do MST, ao final da reunião, entregaram ao ministro Juca Ferreira uma carta com 18 propostas para o desenvolvimento da cultura no campo. Estão, entre elas, programas de capacitação em áreas culturais; desenvolvimento de uma política de inclusão digital nos assentamentos; apoio a eventos que visem fortalecer a cultura do campo; fomento à criação de bibliotecas nas áreas de reforma agrária e comunidades camponesas; e a criação de uma coordenadoria no Ministério da Cultura voltada à cultura do campo.
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