Cultura
Cinema Negro é tema de debate no Cine Brasília
Igualdade Racial
A edição 2015 do Latinidades, o Festival da Mulher Afro Latino-americana e Caribenha, tem como tema “cinema negro”. E para discutir a questão, foi realizado na quarta-feira, 22 de julho, no Cine Brasília – tradicional sala de cinema da capital brasileira, onde o festival está sendo realizado até domingo, 26 de julho – a mesa batizada “Afinal, o que é cinema negro”, com a participação de Kathleen McGhee Anderson, roteirista americana de televisão, teatro e cinema; Janaína Oliveira, professora de história no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ); e Larissa Fulana de Tal, diretora de cinema do coletivo Tela Preta.
Kathleen McGhee Anderson diz que o cinema negro pode ser resumido como “filmes feitos por negros e para negros”. E questiona: “Por que é tão vital que negros façam cinema?” A produção artística, afirma a roteirista, tem um grande poder de transformação. “Literatura, música, cinema, etc. são instrumentais para nos mostrar para o mundo. E quanto mais escrevermos sobre nossas especificidades, sobre a nossa realidade local, mais universal será a nossa mensagem.”
Janaína Oliveira reforça a necessidade de “descolonizar os olhares” de quem vê e quem faz cinema. “O cinema negro diz respeito às nossas histórias. Aí vem o problema das representações e dos estereótipos. Por exemplo: achar que um personagem negro responde por todos os negros”, pontua a professora, também pesquisadora de cinema negro e coordenadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE).
Larissa Fulana de Tal reclama da representação negra feita de maneira superficial: “Não existe profundidade”. Ela acredita que realizadores negros deveriam expandir suas bagagens cinematográficas com cinematografias de outras referências e sensibilidades. “Nos filmes iranianos e africanos encontramos roteiros menos convencionais, personagens mais complexos”, comenta.
A diversidade do cinema negro, tanto as produções antigas quanto as contemporâneas, se beneficiaram enormemente da popularização da internet. Para Kathleen McGhee Anderson, essa facilidade representa um divisor de águas. “Se no passado o contato das pessoas com o cinema negro era quase nulo, hoje em dia, no YouTube podemos encontrar centenas de filmes, do mundo todo.”
No vídeo abaixo, a professora Janaína Oliveira indica alguns filmes e realizadores essenciais para conhecer o cinema negro.
Fonte: Portal Brasil
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