Cultura
"Memórias e cantos de Moçambique" visa preservar memória do congado
Culturas Afrodescendentes
O projeto Memórias e cantos do Moçambique do Tonho Pretinho traz à capital brasiliense os primeiros resultados da iniciativa. Realizado pelas universidades federal de Goiás (UFG) e de Brasília (UnB), por meio de um convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o programa tem como objetivo garantir a salvaguarda e a disseminação de concepções religiosas e práticas culturais próprias dos descendentes de africanos na América Latina, mais especificamente, situados no município de Itapecirica, em Minas Gerais.
A ação também prevê a produção de exposição fotográfica, documentário, CD, livro e oficinas, que possuem como inspiração e plano de fundo o moçambique, congado típico da cidade do Centro-Oeste mineiro. A manifestação cultural e religiosa afro-brasileira consiste em um bailado dramático com canto e música que recria a coroação de um rei.
Para a doutoranda de Antropologia pela UnB e responsável pela pesquisa do projeto, Talita Viana, o conhecimento sobre as culturas com base africana é vasto. "Quando as pessoas falam de culturas afrodescendentes, sempre se pensa em candomblé, umbanda. E nesse moçambique há uma devoção aos santos católicos, mas tem uma espiritualidade africana muito forte, muito presente. Essa invisibilidade tem impacto em políticas públicas que entendem que o congado não é de matriz africana e, portanto, não pode participar de certos editais."
O projeto é um dos vencedores do edital Projeto de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial relacionado à música, canto e dança de comunidades afrodescendentes localizadas no território brasileiro. A ação foi lançada pelo Iphan no primeiro semestre de 2013, após proposição do Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial da América Latina (Crescipal), órgão da Organização das Nações Unidas.
Exposição
Na última quarta-feira (1), a exposição Na Angola Tem: Memórias e cantos do Moçambique do Tonho Pretinho foi inaugurada na Galeria Dulcina, em Brasília. A mostra, que fica em cartaz no local até 20 de junho, reúne imagens do fotógrafo Marcelo Feijó e também de moçambiqueiros, como são chamados aqueles que participam da celebração.
De acordo com diretor de Direito Intelectual (DDI) do Ministério da Cultura, Marcos Souza, "editais e iniciativas como esta são importantes não só porque têm essa dimensão da preservação da memória das tradições culturais nacionais, mas também permite ter uma interface muito interessante com a questão do direito autoral. Ao contrário do senso comum, boa parte dessas criações têm autor e, portanto, são protegidas pela lei de direito autoral", disse.
Já o sociólogo que coordena a pesquisa pela UFG, Sebastião Rios, explicou que “esse edital aprovou três projetos de congado justamente porque ele queria trabalhar com manifestações não patrimonialistas. E tem ainda a questão da salvaguarda e da memória. Ao final do projeto, queremos que essa preocupação da memória e com o suporte da memória seja incorporada pelo grupo".
Para isso, oficinas de audiovisual foram ministradas aos moçambiqueiros para que eles tenham ciência da importância de sua cultura e possam documentá-la e preservá-la.
O congado
O moçambique do Tonho Pretinho se destaca por sua fidelidade às concepções religiosas e às práticas culturais próprias dos descendentes de africanos na América que deram forma ao congado. Ele é herdeiro e tributário de uma tradição forte e enraizada na região de Itapecerica, que conta com quase dois séculos de existência.
Nas cerimônias de coroação de reis congos nas festas de Nossa Senhora do Rosário, os tambores e as danças celebram de um modo africano os santos católicos e conferem a seu culto desdobramentos e significações novas nessa manifestação híbrida do catolicismo negro de raiz banta no Brasil. Na festa, os principais santos homenageados são Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora das Mercês.
Saiba onde conferir o projeto:
Brasília
Exposição Na Angola Tem: Memórias e Cantos do Moçambique do Tonho Pretinho
Local: Galeria Dulcina
Endereço: SDS Bloco C, 30 – Conic
Data: até 20 de junho
Horário: das 8h às 22h
Goiânia
Documentário Na Angola Tem
Local: Cine UFG | Faculdade de Letras
Endereço: Av. Esperança, S/N – Chácaras Califórnia
Data: 3 de junho
Horário: 19h30
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura
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