Defesa e Segurança
Moradores de áreas de risco de sete estados participam de simulados
Durante os procedimentos, os moradores são retirados das casas e direcionados para as rotas de fuga até um ponto de encontro
Com o objetivo de capacitar a população que vive em locais vulneráveis a desastres naturais – enxurradas e deslizamentos de terra – em decorrência das próximas chuvas, simulados de preparação estão sendo promovidos em sete estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Os treinamentos são organizados pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, e acontecerão até o dia 8 de dezembro.
As ações terão simulação dos procedimentos executados durante desastres, entre eles, a emissão de alertas à população, o acionamento de sirenes, além da retirada dos moradores de casas localizadas em terrenos vulneráveis e o cadastramento das famílias em abrigos previamente estabelecidos. Durante os procedimentos, os moradores são retirados das casas e direcionados para as rotas de fuga até um ponto de encontro. Depois seguem para um abrigo, onde participam de palestras.
Os treinamentos, que são muito comuns em países como os Estados Unidos, foram intensificados pelo ministério o ano passado. No primeiro semestre deste ano, nove estados da região Nordeste - Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe - sediaram os simulados, envolvendo mais de 1,2 mil participantes. De acordo com a Sedec, os treinamentos auxiliam a diminuir o índice de mortes em casos de desastres naturais, como enxurradas e deslizamentos.
“Estamos criando no Brasil uma nova cultura de mitigação. Podemos avançar em diversas políticas de defesa civil, mas não podemos impedir que esses desastres ocorram. Então, devemos nos preparar para prevenir as mortes, com capacitação e treinamento”, disse o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana.
Segundo Viana, os exercícios consolidam procedimentos para a criação de um sistema permanente de monitoramento e ajudam os órgãos locais a planejar melhor a ação em casos de risco.
Agenda de treinamentos
Os moradores da comunidade do Morro Boa Vista, em Vila Velha, no Espírito Santo, participam da atividade no próximo sábado (24). No domingo (25), o treinamento será realizado de forma simultânea na Vila Santo Antônio Baronesa, em Santa Luzia, Minas Gerais, e na comunidade Arrelia, na cidade do Rio de Janeiro.
As cidades de Santos, em São Paulo, e Estrela, no Rio Grande do Sul, também receberão os simulados, respectivamente nos dias 1º e 2 de dezembro. Em Santa Catarina, o exercício acontecerá no dia 8 de dezembro na cidade de Itajaí, paralelamente ao treinamento em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Oficinas
A Sedec promove também diversas oficinas preparatórias para os simulados e de auxílio aos municípios na elaboração dos planos de contingência de prevenção a desastres.
A primeira começou na segunda-feira (19) e termina nesta terça (20) em Belo Horizonte, Minas Gerais. As próximas edições serão realizadas nos dias 22 e 23 de novembro, em Vitória, Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Já nos dias 26 e 27 de novembro as oficinas serão em Itajaí, Santa Catarina; dias 29 e 30 de novembro em São Paulo e em Porto Alegre, Rio Grande do Sul; e, nos dias 3 e 4 de dezembro em Curitiba, Paraná.
Desastres Naturais
Em agosto deste ano, foi lançado o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, que irá investir R$ 18,8 bilhões em ações de segurança às populações que vivem em áreas onde ocorrem desastres naturais. Serão beneficiados 821 municípios em todo o Brasil, que corresponderam a 94% das mortes e 88% do total de desalojados e desabrigados nos últimos anos. O plano vai contemplar projetos de mapeamento, monitoramento e alerta, resposta e prevenção a desastres.
Para prevenção de inundações e deslizamentos, serão investidos R$ 15,6 bilhões em obras já previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - como drenagem e contenção de encostas e cheias - em 170 municípios de 17 regiões metropolitanas e bacias hidrográficas prioritárias. Também haverá ações de combate aos efeitos da seca, como a construção de barragens, adutoras e sistemas urbanos de abastecimento de água em nove estados do Nordeste e no semiárido mineiro.
O plano prevê ainda R$ 362 milhões para a expansão da rede de observação com a aquisição de nove radares, 4100 pluviômetros, 286 estações hidrológicas, 100 estações agrometeorológicas, 286 conjuntos geotécnicos e 500 sensores de umidade de solo. Será realizada a ampliação da rede de observação e da estruturação do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Centro Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (Cenad), do Ministério da Integração.
Todos os estados terão salas de situação para monitoramento hidrológico pela Agência Nacional de Águas (ANA), que vão emitir alertas de possíveis ocorrências de desastres nas áreas de risco mapeadas. Receberá investimentos também a Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência, criada este ano, formada por especialistas de diferentes órgãos federais, como geólogos, hidrólogos, engenheiros, agentes de Defesa Civil e assistentes sociais.
- Governo lança Plano Nacional de Gestão de Riscos e Desastres Naturais
- Cerca de R$ 19 bilhões serão investidos em prevenção e resposta a desastres naturais até 2014
- Simulados preparam moradores de estados nordestinos para período de chuvas
- Profissionais são qualificados para atuar em situações de desastre
Os 821 municípios selecionados serão mapeados para identificação de áreas de risco de deslizamentos e enxurradas. A partir desses mapeamentos, para os quais estão previstos R$ 162 milhões, os estados irão apresentar projetos de obras de prevenção.
Segundo o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, o investimento em prevenção é para reduzir os custos com resposta aos desastres, que chegou a R$ 1,1 bilhão em obras de reconstrução nos últimos quatro anos. “Estamos agora priorizando a prevenção. Ainda sim, estamos estimando que, até 2014, vamos gastar em ações de reconstrução pelo menos R$ 2,6 bilhões”, acrescentou.
Estão previstos R$ 2,6 bilhões para ações de socorro e restabelecimento de serviços em áreas atingidas. O repasse será feito pelo Cartão Pagamento de Defesa Civil, que permite a compra de material para socorro das vítimas, como alimentos, remédios, tendas e combustível, assim como o pagamento de serviços e do aluguel social. Quando ocorrerem desastres, ainda serão disponibilizados recursos para construção de unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida.
A Força Nacional do SUS, que atua no atendimento de saúde depois de acontecido os desastres, passará a ter 1 mil profissionais, que serão treinados até 2013. Serão criados até três hospitais de campanha, com o estoque de 300 kits de medicamentos para uso em caso de calamidade. Cada kit terá capacidade para atender 1,5 mil pessoas por mês.
Fonte:
Ministério da Integração Nacional
Agência Brasil
Portal Brasil
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