Defesa e Segurança
Estagiários conhecem os benefícios do Cyclone 4
Cyclone 4
As vantagens competitivas de o Brasil ter uma empresa especializada em veículos lançadores espaciais. Esse foi o principal objetivo da palestra ocorrida nesta sexta-feira (11) no auditório do Ministério da Defesa e dirigida aos estagiários do Curso Superior de Política e Estratégia (CSUPE) do campus Brasília da Escola Superior de Guerra (ESG).
O gerente de Relações Institucionais da empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), Wagner Santilli, apresentou, entre outros assuntos, os motivos do Brasil ter escolhido a Ucrânia como parceira para o desenvolvimento do projeto Cyclone 4, um veículo lançador de satélites.
De acordo com Santilli, a Ucrânia possui um grande complexo industrial no setor espacial, que após a dissolução da União Soviética perdeu mercado e ficou isolado dos países que detém sítios de lançamentos como o Brasil.
Desde 1991, a Ucrânia já fez 222 lançamentos com a família de foguetes Cyclone (1, 2 e 3), levando ao espaço 250 aparelhos. Ainda segundo o gerente da ACS, as fábricas ucranianas já produziram, por exemplo, o primeiro estágio do foguete norte-americano Antares e o último estágio do foguete Vega, da União Europeia.
Duas empresas ucranianas são responsáveis diretamente pelo projeto Cyclone 4. A Yuzhnoye, reconhecida internacionalmente por projetos de foguetes e sistemas espaciais, e a Yuzhmash, fundada em 1944.
Para Santilli, quando o complexo espacial da ACS estiver pronto no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no estado do Maranhão, a empresa binacional poderá atender um mercado hoje reprimido na América do Sul e África. “Não tem ninguém para atender essa clientela”, comenta.
A exploração comercial e a operação de serviços de lançamento são os principais objetivos da ACS, criada em 2006, após tratados e acordos internacionais entre a Ucrânia e o Brasil.
O gerente da ACS explicou aos estagiários da ESG que o projeto Cyclone 4 prevê seis lançamentos comerciais por ano. Santilli disse ainda que a empresa será um centro de referência espacial para a América Latina e atende plenamente os interesses do programa espacial brasileiro.
Os serviços que serão oferecidos pela ACS beneficiarão áreas como comunicações, meio ambiente, agricultura, defesa e controle do espaço aéreo, meteorologia e outras.
Para o primeiro lançamento, sem data definida, serão enviados ao espaço 68 microssatélites. O foguete Cyclone 4, com 43 metros de altura e três estágios (motores), é capaz de transportar uma carga útil de até 5,6 toneladas.
Santilli destacou, também, que o projeto irá beneficiar o desenvolvimento de empresas do setor no país e a inclusão do Brasil no seleto clube de nações detentoras da tecnologia espacial, possuindo sítios de lançamento, veículos espaciais e satélites.
A palestra de hoje sobre o projeto Cyclone 4 faz parte de uma série de atividades extracurriculares do CSUPE, que incluí também visitas ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e à Embraer, em São José dos Campos (SP).
Fonte:
Ministério da Defesa
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