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Economia e Emprego

Microempresa é responsável por cerca de cinco milhões de empregos formais

publicado: 27/01/2010 16h24 última modificação: 28/07/2014 09h21

Rio de Janeiro - Em entrevista concedida à Agência Sebrae de Notícias (ASN), o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que a falta de divulgação é o principal fator que tem tornado o crédito inacessível no país. Ele também enfatizou a necessidade de baixar a taxa de juros cobrada no microcrédito, que hoje é de 4%. "É preciso acabar com essa história de que para exigir menos garantias é preciso cobrar juros altos ou vice-versa", disse.

ASN – Existem hoje recursos disponíveis para o microcrédito?

Carlos Lupi – O recurso gerado a partir dos 2% arrecadados do imposto compulsório sobre cheque foi criado para alimentar, incentivar e fomentar o microcrédito. Essa é a função dele. Em 2009, um bilhão desse recurso ficaram parados esperando por tomadores.

ASN – A falta de crédito está sempre no topo da lista de reclamações das micro e pequenas empresas. O que acontece?

Carlos Lupi – Precisamos trabalhar mais na divulgação e na qualificação do microcrédito, justamente porque grande parte dos empreendedores não sabe como e nem onde acessar. E quando consegue obter o recurso não sabe criar a boa utilização dele.

ASN – Então o problema do acesso ao crédito deve-se apenas à falta de divulgação? E as exigências de garantias?

Carlos Lupi  – Na verdade é uma somatória de fatores. São a falta de informação, exigências de garantias, altas taxas de juros e a burocracia. Precisamos criar mecanismos para solucionar esses problemas. Mas no meu entender é, principalmente, a ausência de informação. Sem informação adequada as pessoas acabam ficando com medo dos bancos. O empresário de micro e pequena empresa tem receio de entrar no banco. Por isso, é preciso mostrar para esse público de forma clara os incentivos existentes e como funcionam.

ASN – Como o Sebrae pode atuar nesse processo de divulgação e qualificação?

Carlos Lupi  – Fortalecendo as parcerias já existentes entre Sebrae e ministério, e fazendo uma grande campanha de divulgação e de orientação dos empreendedores no acesso aos recursos disponíveis. Acredito que temos dois grandes desafios pela frente. O primeiro é trabalhar de forma eficaz a disseminação do crédito, e para isso, o ministério irá buscar contribuições com o Sebrae, Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES. O segundo desafio é tornar o dinheiro mais barato. É preciso acabar com essa história de que para exigir menos garantias é preciso cobrar juros altos ou vice-versa.

ASN – Como o senhor analisa o microcrédito no Brasil?

Carlos Lupi – Temos avançado, mas ainda há muito para crescer. Chegamos em 2009 com um milhão de clientes ativos em um mercado que tem potencial para atingir 15 milhões de empreendedores. Isso demonstra que não estamos atingindo nem 10% do que é necessário. Em 2008, o volume de crédito foi de R$ 1,8 bilhão. Em 2009 esse valor subiu para R$ 2,2 bilhões. Entre os números de operação, foram 1,2 milhão e 1,5 milhão, respectivamente. O destaque foi para o crescimento de números ativos, que saltou de 640 mil, em 2008, para 1.092 em 2009. A carteira de ativos cresceu de R$ 708 milhões para R$ 829 milhões, respectivamente em 2008 e 2009. Ao analisar regionalmente, o microcrédito é fortemente presente no Nordeste, com destaque para o Ceará. Os cearenses têm a cultura de se organizarem em cooperativas e associações, fatores que facilitam o acesso a esse tipo de recurso.

ASN – Qual é a participação das microempresas na geração de postos de trabalho?

Carlos Lupi  – Seguindo os critérios traçados pela economia formal, temos que a microempresa trabalha com até cinco empregados. Se nós já atendemos mais de um milhão de clientes, basta multiplicar esse valor pela média do número de empregados. Temos ai aproximadamente cinco milhões de trabalhadores no mercado. O número é alto, mas ainda está longe do ideal.

ASN – A participação das microempresas na geração de emprego teve relevância durante a crise financeira global?

Carlos Lupi – As microempresas foram fundamentais nesse período. O segmento não só manteve seu empregados, como também passou a procurar crédito devido a escassez de dinheiro. Fator esse que contribuiu para o desempenho da economia interna.

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