Economia e Emprego
Pequenas empresas conciliam férias e trabalho
Brasília - Como equilibrar faturamento menor com
despesas mais altas? Os empregados devem ter férias coletivas ou
escalonadas? Qual é o momento ideal para que o dono da empresa possa
descansar? Como garantir recursos para bancar os gastos extras do final
de ano? Essas questões preocupam a esmagadora maioria dos pequenos
empreendimentos, que têm poucos funcionários e muito trabalho.
Fechar o estabelecimento duas vezes por ano, 15 dias em julho e outros
15 durante as festas de final de ano, foi a primeira opção dos sócios
Guillaume Petitgas e Thais Rosa Melo. À frente da ‘La Boulangerie’,
café e padaria de Brasília, o casal optou por enfrentar o período em
que a cidade fica vazia simplesmente fechando as portas. Com o tempo, a
escolha acabou por se revelar desastrosa para o negócio.
“A gente acaba perdendo mais dinheiro do que ganhando porque os custos
fixos continuam e o faturamento é zero. E, pior, os clientes reclamavam
quando fechávamos e ainda era preciso pelo menos mais uma semana para
reconquistá-los. Agora a idéia é que cada um saia em períodos
diferentes e a casa fique aberta o tempo todo”, afirma Guillaume.
Com dez meses de funcionamento, o Genaro Jazz Burger, também de
Brasília, fechou as portas de 23 de dezembro a 4 de janeiro. Mas a
situação é considerada ‘atípica’ pelo empresário Genaro Castello Branco
Macedo”. “Sabia que estava correndo risco porque a casa estava se
firmando, mas não teve jeito. A equipe, com doze funcionários, estava
esgotada porque trabalhou muito para garantir o sucesso da casa”,
reconhece o empresário.
Para Varney Azeredo Lopes, dono do Castelo Hostel, no Rio de Janeiro, alta temporada é sinônimo de muito trabalho. Voltado para estudantes, o casarão em Copacabana, zona sul da cidade, fica lotado. Alguns hóspedes fixos ajudam no período letivo, mas o equilíbrio das contas ainda é difícil. “Quando tenho gasto extra, recorro aos bancos e só me afasto dos negócios em feriados prolongados, assim mesmo porque alguém da família fica à frente”, explica Lopes.
Quando o cliente descansa, o empresário mais trabalha. O consultor do Sebrae Julien Alves de Matos diz que esta situação é muito comum porque a maioria dos empreendimentos têm até 3 funcionários e o dono atua como curinga para compensar a ausência.
Outro problema bem característico das micro e pequenas empresas é a falta de planejamento para enfrentar estes períodos, sobretudo o financeiro. “O ideal é que o empresário comece a poupar em novembro porque se não, ele corre o risco de entrar o ano administrando dívidas”, adverte o consultor.
“Vou poupar pelo menos 15% do faturamento. Não quero mais passar por sufoco de pagar contas sem entrar dinheiro e lançar mão do cartão de crédito para bancar os gastos”, avisa Genaro Castelo Branco Macedo.
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