Economia e Emprego
Tesouro quer diversificar base de investidores nos títulos públicos
A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) passou a divulgar, desde fevereiro deste ano, dados sobre os detentores da Dívida Pública Federal (DPF). O objetivo, segundo nota divulgada na quarta-feira (13), no site do Ministério da Fazenda, é permitir aos gestores da dívida antecipar os movimentos dos grupos dos detentores e também ajudar os analistas a entenderem as características dos títulos públicos que estão nas mãos dos investidores.
Conforme o último relatório da DPF, os detentores estão divididos em seis categorias: Instituições Financeiras, Fundos de Investimento, Previdência, Não-residentes, Governo e Seguradoras. As instituições financeiras detêm, hoje, a maior participação nos títulos da dívida, com 29,4% do estoque de R$ 1,671,78 trilhão (em fevereiro), seguido dos fundos de investimento, com 26,6%.
Os grupos Previdência, Não-residentes, Governo, Seguradora e Outros correspondem a 14,7%, 11,4%, 10,7%, 3,9% e 3,3%, respectivamente. No relatório, o Tesouro identifica também as características das aplicações, ou seja, se o investidor aplicou em títulos com vencimento de longo ou curto prazo e índice de correção atrelado ao papel (Selic, índice de preços ou prefixados).
Ao fazer um “retrato” dos detentores, a STN, no médio prazo, pode mudar a estrutura de demanda dos títulos. Se, por exemplo, o Tesouro identifica movimentos de aumento ou redução do volume de títulos nas mãos dos fundos de pensão, que tradicionalmente compram títulos públicos de longo prazo atrelados a índice de preços (NTN-B), pode haver alteração na demanda.
No que se refere à distribuição atual dos detentores, a avaliação da Secretaria do Tesouro é positiva, mas considera ser possível melhorar o perfil atual. Com quase 60% dos títulos os títulos concentrados nas instituições financeiras e nos fundos de investimento, o Tesouro busca uma distribuição melhor entre os grupos.
De acordo com o Tesouro, essa diversificação por categoria de investidores evitaria o chamado “efeito manada”, quando um movimento brusco de um determinado grupo que concentra a maior parte da dívida implica numa alteração na curva de juros da dívida. Por isso, a busca permanente do Tesouro é por diversificar a base de investidores.
Com uma base mais diluída os movimentos são mais suaves e o Tesouro consegue administrar melhor a venda dos seus papeis.
O ideal para o Tesouro é vender títulos prefixados e atrelados a índices de preços, o que não é, necessariamente, o melhor para os fundos de investimento, por exemplo, cujo interesse é por LFT (de curto prazo), corrigidos pela Selic, que, no atual cenário de juros elevados, dão maior rentabilidade em pouco tempo.
Ao divulgar a distribuição dos títulos por grupos de detentores e poder antecipar seus movimentos, o Tesouro Nacional quer também mostrar sua transparência à sociedade.
Fonte:
Ministério da Fazenda
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