Economia e Emprego
Idosos e mulheres são mais afetados pela miséria no DF
A pobreza extrema no Distrito Federal tem perfil diferente do resto do País, o que representa um desafio para a formulação de políticas públicas de erradicação da miséria. Em Brasília (DF), a economia baseada em serviços e na renda do funcionalismo público exige níveis de qualificação mais elevados da mão de obra e impede a entrada de parcela da população no mercado de trabalho.
O perfil da pobreza extrema na capital do País foi apresentado pelo diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, durante o seminário A Dimensão e a Medida da Pobreza Extrema no Brasil.
No Distrito Federal, a população mais pobre é urbana, composta, em sua maioria, por mulheres com filhos ou idosos sem benefícios da previdência social. Segundo o levantamento, 85% dos extremamente pobres não têm qualquer tipo de ocupação, consequência da baixa escolaridade que, apesar de maior que a média nacional, é insuficiente para atender às necessidades do mercado local.
“No DF, quase não temos população rural idosa, o que diminui a cobertura previdenciária nessa faixa etária. Temos um tipo de família urbana, diferente, com mulheres criando os filhos sozinhas e sem creches. Todos esses fatores tornam maiores as vulnerabilidades dessa população e dificulta o trabalho da política social”, explicou o diretor do Ipea.
Poucos avanços
No Brasil, a pobreza e a desigualdade social diminuíram nos últimos anos. Já no Distrito Federal, a pobreza manteve-se nos mesmos patamares e a desigualdade cresceu. “O padrão de crescimento do DF é diferente, pois não elimina a pobreza e intensifica a desigualdade. É uma economia de serviços, com contribuição dos salários do funcionalismo”, argumentou Jorge Abrahão.
Rômulo Souza, do MDS, acredita que o Distrito Federal tem uma capacidade de atuação maior que outras unidades da federação. “Os níveis de governo estão muito próximos e no DF existe uma estrutura urbana que facilita o acesso a essas pessoas. O poder público pode atuar de forma mais eficiente para aumentar a renda da população mais pobre” afirmou.
O evento, organizado pelo Ipea em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o governo local, é o primeiro de uma série. O objetivo é traçar perfis regionalizados da miséria e auxiliar a elaboração do Plano Nacional de Erradicação da Miséria. O próximo seminário ocorrerá em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira (26).
Fonte:
Ipea
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil
















