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Economia e Emprego

Parceria do Brasil com a África é tema de estudo

por Portal Brasil publicado: 14/12/2011 18h24 última modificação: 28/07/2014 16h17

Para analisar a crescente participação política e econômica do Brasil em vários países africanos, principalmente os subsaarianos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolveu, em parceria com o Banco Mundial, o relatório “Ponte sobre o Atlântico – Brasil e África Subsaariana: parceria Sul-Sul para o crescimento”, lançado na terça-feira (13), em Brasília.

O documento representa, de acordo com o diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte), Marcos Cintra, o esforço pra se tentar entender as inúmeras relações entre Brasil e África - cooperação, política externa, investimento e comércio.

O ministro Marco Farani, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), estabeleceu acordo de cooperação financeira com países daquele continente, para que eles possam solicitar empréstimos, com juros de aproximadamente 2% ao ano, para a compra de mini tratores voltados à agricultura familiar. “A cooperação brasileira se dá no campo da capacitação técnica. O Brasil quer ter papel importante também no campo da cooperação financeira”, apontou.


Desafios

Farani considerou que a relação com a África transcende a cooperação técnica e que a priorização da região sul do continente vem ocasionando a abertura de novas oportunidades comerciais e investimentos.

Segundo ele, a ABC tem procurado qualificar a sua cooperação técnica e financeira. “Isso não se dá por escolha, mas porque o Brasil não tem ainda uma agência estruturada, assim o trabalho fica ao sabor do movimento político; o segundo ponto é pelo nosso orçamento, muito pequeno, e não podemos nos lançar em projetos que financiem projetos de maior assistência, mais estruturantes.

O diretor garante que se esses atuais obstáculos forem resolvidos, o Brasil poderá trabalhar de forma mais efetiva. “O que fazemos hoje é muito bom, mas os resultados são de longo prazo. Poderíamos fazer muito mais se o Brasil tivesse uma visão mais clara de como trabalhar no campo da cooperação internacional”, alertou.

Outro ponto importante elencado pelo ministro é que se o Brasil se mostrar ainda mais engajado nos processos de cooperação internacional, países desenvolvidos que dispõem de recursos podem se interessar e colaborar. “Gostaria que o Banco Mundial fizesse novo relatório em cerca de três anos, para analisar se as coisas avançaram, pois o estudo vai nos ajudar a ter clareza sobre o futuro”, afirmou.

Em 2010, concluiu ele, o Brasil gastou 0,04% do Produto Interno Bruto (PIB) em cooperação internacional e precisa fazer crescer essa parcela de contribuição com a comunidade internacional.


Elos

Tânia Malinski, do Departamento da África do MRE, ressaltou que o continente é uma área geográfica de permanente interesse para o País. “O período colonial nos uniu de forma trágica e isso ainda nos une, portanto, temos o desafio de superar as marcas da escravidão, que ainda se fazem sentir”. Ela lembrou que a migração maciça involuntária de africanos nos faz o segundo maior país em descendência africana.

O que une essas duas margens do Atlântico Sul na política internacional, de acordo com Tânia, são fatos emblemáticos, como o apoio do Brasil aos processos de emancipação política dos países africanos; o esforço conjunto na superação do subdesenvolvimento; o Brasil ter condenado o regime de apartheid na África do Sul; e por fim, o movimento importante das décadas de 1960 e 1970 para se tentar conferir mais dinamismo na relação entre Brasil e África.

Os interesses mútuos dessa parceria são a agricultura tropical e familiar, agroexportação, reaparelhamento de hospitais, combate à malária, à Aids e à anemia falciforme, diversificação do comércio, interconectividade por rotas marítimas e aéreas.

Já o grande interesse convergente destacado por Tânia é o trabalho político para tornar os países do Hemisfério Sul mais presentes e estruturados na política internacional, “na advocacia por uma nova ordem mundial”.


Fonte:
Ipea

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