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Economia e Emprego

Economia do Carnaval

Carnaval não é apenas festa ou descanso. Período gera emprego e renda para diferentes regiões do Brasil
por Portal Brasil publicado: 01/02/2013 16h49 última modificação: 30/07/2014 00h25
Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Amazonense Carnaval gera emprego e renda extras neste período do ano

Carnaval gera emprego e renda extras neste período do ano

Muita gente trabalha durante os dias de festa do Carnaval. Alguns até mesmo meses antes para dar conta de que os blocos, trios elétricos e escolas de samba garantam a diversão da época. Para este ano, a estimativa da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizados e Trabalho Temporário (Asserttem) é de que as festas espalhadas pelo País gerem cerca de 250 mil empregos temporários. Além das vagas de costureiras, aderecistas e marceneiros, o trabalho temporário também engloba outras, como de vendedor, recepcionista, atendente, garçom, auxiliar de serviços gerais, motorista, entre outros.

A cadeia produtiva, por assim dizer, de um carnaval é um tanto complexa e envolve diferentes setores da economia. Até a hora em que a primeira escola de samba abre os desfiles na Marquês de Sapucaí, por exemplo, o Carnaval já influenciou a atividade industrial, o dia-a-dia das agremiações e também atividades paralelas que sofrem efeitos indiretos da festa, como o setor de comidas e bebidas, turismo e o mercado fonográfico. 

Em 2013, o impacto da festa carioca chega até Cuiabá. A prefeitura da capital do Mato Grosso irá patrocinar o desfile da Mangueira, e empresários locais tiveram a oportunidade de incrementar seus negócios. O produtor de eventos Caíque Loureiro, que vê o Carnaval como um período forte para a sua empresa graças às festas do interior do estado, vai vender, em Cuiabá, fantasias que serão utilizadas no desfile da Mangueira, além de ingressos para quem quiser assistir ao evento na Sapucaí.

No setor de fantasias, aliás, a movimentação é intensa tanto pela contratação de profissionais de diversas partes do País, quanto pela busca de soluções criativas que caibam no orçamento das agremiações. Neste Carnaval, a saída encontrada por algumas foi o reuso de materiais resgatados do carnaval passado e também a confecção de fantasias a partir de outros materiais reciclados. A escola de samba capixaba Pega no Samba contou com profissionais do carnaval de Parintins para criar roupas com caixas de leite vazias, como o vestido da segunda porta-bandeira da agremiação. Já a Escola de Samba Mirim Pimpolhos da Grande Rio, de Duque de Caixias (RJ), teve o trabalho de reciclagem reconhecido pela Secretaria Estadual do Ambiente, que, em parceria com a escola, realizou capacitação com alunos participantes do projeto Ecomoda, que ensina a moradores de comunidades carentes técnicas de corte e costura com foco na reutilização de materiais.

Turismo

No período do folia, também a demanda por serviços cresce. Segundo o Ministério do Turismo, o Carnaval 2013 deverá gerar 6,2 milhões de viagens dentro do País, alcançando uma movimentação financeira de R$ 5,7 bilhões, algo em torno de 2,5% a 3% do faturamento previsto para o setor em 2013. Só o Rio de Janeiro deve receber 900 mil turistas (20% deles estrangeiros) para totalizar 5,3 milhões de foliões que irão seguir os quase 500 blocos de carnaval de rua ou assistir aos desfiles das escolas de samba. Em 2012, para efeito de comparação, a expectativa de 850 mil turistas foi superada e pouco mais de 1 milhão de pessoas se deslocaram até o Rio de Janeiro. 

O Recife, outro destino carnavalesco do País, não deve ficar muito atrás: 700 mil turistas devem participar dos desfiles e shows dos diferentes estilos de música (frevo, maracatu, samba de afoxé, entre outros) que o folião pode aproveitar da capital pernambucana. Com a rede hoteleira com 99% das vagas ocupadas, o governo recifense espera que a renda de R$ 595 milhões gerada em 2012 seja batida. 

Janaína Alves, uma microempreendedora individual do Recife, espera pegar uma parte deste bolo. Depois de passar um tempo na informalidade, hoje ela tem um quiosque no Recife Antigo e neste Carnaval vai vender vaca atolada (tipo de carne ensopada), pastel, cachorro quente, macaxeira com carne e refrigerantes, além de fornecer alimento para blocos de rua. A equipe de cinco funcionários chega a dobrar durante os dias de festa e seu faturamento aumenta 30%. “O Carnaval é essencial, eu não deixo passar essa oportunidade porque eu sei que dá retorno”, afirma.


Fontes:

Ministério do Turismo
Sebrae
Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro
Prefeitura do Recife
Riotur

A cadeia produtiva do economia do Carnaval, de Luis Carlos Prestes Filho (2009)

 

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