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Economia e Emprego

Caso de doença bovina no Mato Grosso é desconsiderado

Doença animal

Investigações de campo envolveram 11 propriedades, todas com vínculo de trânsito animal com estabelecimentos onde esteve a vaca analisada
por Portal Brasil publicado: 02/05/2014 18h39 última modificação: 30/07/2014 01h57

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e as autoridades sanitárias mato-grossenses (Indea) acionaram, no dia 24 de abril, o sistema de defesa animal para averiguar um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina em Mato Grosso.

Desde que foi iniciada a averiguação, foram adotadas todas as providências previstas em protocolos nacionais e internacionais. As investigações de campo envolveram 11 propriedades, todas com vínculo de trânsito animal com estabelecimentos onde esteve a vaca analisada.

Neste cenário, após inspeção em mais de 4 mil animais, foram identificados 49 bovinos, em plena condição física de saúde, que haviam nascido um ano antes e um ano depois da vaca com suspeita de EEB. 

Para estes casos, a recomendação internacional prevê a destruição desses animais. O abate dos animais ocorreu no dia 25 de abril. Ainda assim, o serviço sanitário também submeteu amostras encefálicas coletadas de todos os exemplares ao teste de EEB pelo Laboratório Nacional Agropecuário de Pernambuco (Lanagro-PE). E, em 30 de abril, todos os resultados foram negativos para a doença.

Essas medidas foram adotadas visando encerrar as atividades de campo, independentemente do resultado conclusivo que ainda está por ser enviado pelo laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), localizado em Weybridge, na Inglaterra.

Todas as ações foram sustentadas nas recomendações sanitárias do Código de Animais Terrestres da OIE, visando cumprir com os seus dispostos, mantendo assim o Brasil com a melhor classificação mundial sanitária para EEB, que é de risco insignificante.

Desde 1990, o Mapa aplica medidas de prevenção e vigilância dessa doença, que são atualizadas constantemente, em consonância com as informações científicas disponíveis e as recomendações da entidade internacional.

Diante dessas ações, consolidadas há mais de duas décadas no Brasil, um eventual registro da enfermidade não configura risco sanitário, visto que as medidas de mitigação de risco atuais são suficientes para evitar a reciclagem e amplificação do agente causador.

Entenda

Em 14 de abril deste ano, o Laboratório Nacional Agropecuário em Pernambuco (Lanagro-PE), referência nacional para o diagnóstico de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis, emitiu laudo positivo para marcação priônica em amostra de tecido nervoso bovino oriunda do Estado do Mato Grosso.

Imediatamente, o serviço veterinário oficial do Brasil iniciou as investigações de campo e providências para o envio da amostra ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em Weybridge, Reino Unido - Animal Health and Veterinary Laboratories Agency (AHVLA), para teste confirmatório e demais testes complementares que permitam a sua tipificação, conforme os protocolos estabelecidos.

As averiguações indicaram tratar-se de uma vaca de 12 anos de idade, nascida e criada na mesma fazenda, em sistema extensivo de produção a pasto e sal mineral, e enviada para abate no dia 19 de março, devido a problemas reprodutivos ocasionados pela idade avançada.

A vaca chegou ao matadouro em decúbito esternal e com sinais de fadiga muscular, devido ao longo tempo de viagem em função das condições inadequadas da estrada.

Com esse quadro, o animal foi direcionado ao abate de emergência e submetido à colheita de amostras para teste laboratorial no Lanagro-PE, conforme protocolo de vigilância para Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB). A carne e outros produtos do animal não ingressaram na cadeia alimentar e o material de risco específico foi incinerado no matadouro.

Investigações complementares de campo, envolvendo 11 propriedades com vínculo de movimentação animal, permitiram identificar 49 animais do “coorte” (nascidos um ano antes e um ano depois do nascimento do caso).

Esses animais foram examinados, sem constatação de quaisquer alterações clínicas, sendo então sacrificados e completamente destruídos. Amostras de tecido nervoso desses animais foram submetidas ao teste para EEB no Lanagro-PE e resultaram todas negativas no dia 30 de abril.

Isso demonstra de forma inequívoca que o animal identificado é um caso isolado e não representa risco algum para a sanidade animal e à saúde pública.

Em relação à amostra enviada ao Reino Unido, o AHVLA confirmou o resultado positivo na prova de imunohistoquímica, sendo a OIE e, consequentemente,  seus 178 países membros, informados oficialmente pelo delegado do Brasil perante aquela organização.

A confirmação da tipicidade da forma da doença deverá ocorrer no dia 8 de maio, data prevista pelo AHVLA para conclusão dos testes complementares. Entretanto, as evidências epidemiológicas apontam para um caso atípico de EEB, que ocorre de forma esporádica e espontânea, não relacionada à ingestão de alimentos contaminados.

Não serão adotadas outras ações em nível de campo, pois todas as medidas inerentes ao caso já foram tomadas, conforme as recomendações do Código Sanitário de Animais Terrestres da OIE, visando cumprir com os seus dispostos, mantendo assim o Brasil com a melhor classificação mundial sanitária para a EEB, que é de risco insignificante para essa doença.

Sobre a doença

A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) é uma enfermidade degenerativa não-contagiosa que afeta o sistema nervoso central de bovinos, causada por uma proteína infectante chamada “príon”.

Existem dois tipos conhecidos de EEB em bovinos, que são as formas clássica e atípica. É importante distinguir estes dois tipos, devido às diferentes características epidemiológicas de cada uma.

EBB clássica: é transmitida por alimentos contaminados com o príon por terem sido confeccionados com produtos obtidos a partir de animais infectados.

Os sinais clínicos da enfermidade são nervosismo, reação exagerada a estímulos externos e dificuldade de locomoção, queda na produção de leite e diminuição de apetite.

É uma doença crônica, cujos sinais clínicos se ag ravam com o passar do tempo, podendo perdurar por meses. Além disso, a situação clássica apresenta longo período de incubação (tempo entre o momento da infecção e o início da doença), que em média é de 4 a 5 anos.

EEB atípica: é causada por príons ligeiramente diferentes da causa clássica. A diferença é relacionada à massa molecular do príon, que pode ser menor (conhecido como L-EEB) ou maior (H-EEB). Ocorre em animais mais velhos acima de 9 anos.

Trata-se de uma manifestação rara, cuja origem não está totalmente esclarecida. Ainda assim, a teoria mais aceita é que esta apresentação é uma forma espontânea da doença, não sendo relacionada com a ingestão de alimentos contaminados. Segundo a OIE, no entanto, o leite, a gelatina e a carne produzida, não apresentam risco de transmissão.

Saiba mais

Em 2005, a OIE extinguiu o termo “livre de EEB” de seu Código Sanitário de Animais Terrestres. A avaliação atual da entidade em relação à doença elenca as seguintes categorias: insignificante, controlado e indeterminado, em ordem crescente de grau de risco. Ou seja, nenhum pais do mundo está isento da ocorrência de casos esporádicos da enfermidade.

Para avaliação de situação sanitária, a OIE considera as medidas de prevenção, vigilância e mitigação de risco adotadas por um país nos últimos sete a oito anos.

Fonte:
Ministério da Agricultura 

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