Economia e Emprego
Abastecimento de água impulsiona economia do agreste
Infraestrutura
Do novíssimo shopping center com suas seis futuras salas de cinema prestes a inaugurar, aos projetos para um centro de convenções de R$ 10 milhões e um aeroporto, os sinais do crescimento rápido estão por toda parte em Arapiraca, cidade-polo do agreste alagoano, distante 130 quilômetros da capital Maceió.
Mas, ao mesmo tempo em que passa por uma modernização e vê sua economia se sofisticar, a cidade de 220 mil habitantes, segunda mais populosa do Estado, ainda sofre com uma infraestrutura básica precária, incapaz de sustentar o ritmo atual de desenvolvimento da região.
Não é difícil de imaginar o impacto que a nova adutora do Agreste, fruto de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) e a CAB Águas do Agreste, do grupo Galvão Engenharia, irá provocar quando entrar em operação em junho.
Com R$ 146 milhões em financiamento da Caixa - 80% do investimento total de R$ 183 milhões - a adutora captará água no Rio São Francisco e a levará por 57 quilômetros, em volume suficiente para dobrar fornecimento local. Os 1,5 mil metros cúbicos adicionais por hora garantirão o abastecimento da região pelos próximos 30 anos.
Além do ganho óbvio em qualidade de vida, o projeto é fundamental para impulsionar o atual ciclo econômico. “Numa região que não tem água, você não pode usar uma adutora para a indústria”, ressalta Régis Jackson Cavalcante, presidente da Associação Comercial e Industrial de Arapiraca.
O racionamento de água também tem efeito direto nos cofres públicos. “Como Arapiraca ainda vive de fossas e poços artesianos, você não tinha como verticalizar a cidade (construir prédios). Isso criou um grande problema porque a expansão horizontal gera custos adicionais: você tem buscar o lixo mais longe, botar luz mais longe, etc”, avalia Jackson.
Mesmo com problema de abastecimento de água, o avanço econômico de Arapiraca supera o da região Nordeste, onde a classe média cresceu duas vezes mais rápido do que no Sudeste nos últimos 10 anos, segundo dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).
Antes conhecida pela indústria do fumo, que entrou em declínio nos anos 1990, e pelo futebol do ASA, Arapiraca virou um oásis de prosperidade no agreste. Sem levar em conta inflação, a renda per capita anual na cidade cresceu 51% entre 2008 e 2011 e alcançou R$ 10.059. Nos últimos quatro anos, a frota de veículos cresceu 36% e mais 2,5 mil moradores abriram mão de receber o Bolsa Família no período.
E as perspectivas seguem boas para os próximos anos. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, divulgada em meados do ano passado, aponta que o consumo em Arapiraca aumentará a taxa de 12% até 2020, o que coloca o município na sétima posição num ranking que engloba 68 cidades brasileiras com até 500 mil habitantes.
Outro trunfo da cidade é a posição geográfica estratégica. Localizada no centro do Estado, próximo a Pernambuco, Sergipe e Bahia, Arapiraca se consolida um polo logístico. Grandes bandeiras atacadistas estão se instalando na região e não cabe mais ninguém no pequeno distrito industrial, que está em vias de expansão e deve contar com oferta de gás natural em 2017.
Potencial para seguir crescendo não falta à região. A partir de junho, também não vai faltar água para regar o desenvolvimento.
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