Economia e Emprego
Design brasileiro em exposição na capital federal
Traços do arquiteto
O traço de Oscar Niemeyer (1907 – 2012) deu a Brasília alguns de seus mais conhecidos cartões-postais. Pouca gente sabe, entretanto, que o interior de obras monumentais como o Congresso Nacional esconde uma parte pouco conhecida do trabalho do arquiteto carioca.
A partir dos anos 1970, em parceria com a filha, Anna Maria, Niemeyer levou suas curvas para o desenho de mobiliário, criando móveis como a poltrona Easy chair, um dos destaques da exposição Design brasileiro – Moderno & contemporâneo.
Em visitação na Caixa Cultural Brasília (DF), a mostra reúne peças de nomes como Niemeyer, Aída Boal, Joaquim Tenreiro, Lina Bo Bardi e Sergio Rodrigues. Entre cadeiras, poltronas, mesas, estantes, abajures, biombos e cômodas, as cerca de 80 obras modernas e contemporâneas destes e de outros 11 designers e arquitetos brasileiros permitem traçar uma linha do tempo do desenho de mobiliário no Brasil.
“Mostrar esse acervo na capital do País é uma forma de retribuir toda contribuição que a cidade deu para a consolidação da identidade brasileira no mobiliário”, afirma Zanini de Zanine, curador da mostra ao lado de Raul Schmidt Felippe Jr. “Grande parte das peças modernistas foi criada para espaços e projetos em Brasília. A influência da arquitetura da cidade está diretamente ligada ao que foi criado como mobília nesta época”, diz.
Também criador de peças espalhadas pela capital, o arquiteto e designer Sergio Rodrigues tem o trabalho marcado pelo profundo conhecimento da madeira e das potencialidades do material na confecção de móveis.
Criada em 1956, a partir de madeira maciça e palhinha, a Cadeira Oscar é outro destaque da mostra. “A exposição apresenta arquitetos que também fizeram móveis. O interessante é ver que eles desenhavam peças para a arquitetura que criavam”, observa Zanine, que chegou a estagiar com Rodrigues.
Calor e sensualidade
Filho do arquiteto e designer autodidata José Zanine Caldas (1019 – 2011) – um dos homenageados da exposição –, Zanini de Zanine explica que o mobiliário brasileiro passou por diversas transformações estéticas e conceituais, mas sem perder sua essência. “Vejo que o móvel brasileiro não perdeu o calor e a sensualidade ao longo dos anos. Novas produções e linguagens foram exploradas, mas a mesma força neste aspecto vem sendo mantida”, observa o curador e designer.
Para Zanine, a proposta da exposição Design brasileiro – Moderno & contemporâneo é apresentar não só a história do nosso povo, de nossas casas, hábitos e modo de viver, mas a evolução do mobiliário brasileiro perante diferentes momentos sociais e referências estéticas. Uma trajetória que, em alguns casos, teve início com o movimento modernista e que, apesar da influência racionalista europeia, criou linguagem e características próprias a partir do contato direto com a cultura popular brasileira.
“A cultura brasileira é um prato cheio de informações únicas para os criadores de móveis. Materiais regionais, artesanato, cores, texturas. Tudo isso agrega e se faz presente nas peças brasileiras”, observa Zanine. O trabalho do designer carioca de 36 anos está presente na exposição em peças contemporâneas como a Poltrona moeda, feita de chapa de aço perfurada.
Rodrigo Almeida é outro nome importante do design brasileiro contemporâneo presente na mostra. Influenciado pelos trabalhos da italiana Lina Bo Bardi (1914 – 1992) e dos irmãos Fernando e Humberto Campana, também presentes na mostra, o artista paulista acredita que uma das marcas registradas do design atual não está na mistura de conceitos e estilos, mas na fusão.
As obras de Almeida apresentam uma inusitada combinação de diversos materiais, objetos, texturas, cores e linguagens, que culminam numa base experimental classificada por ele de contemporânea, brasileira e internacional. É o que mostram, por exemplo, as peças Armário pictórico, Banco trama e Cadeira África, criadas a partir de madeira pinho e materiais como cordas de PVC e algodão.
“Prefiro não criar reduções, já que é um trabalho que vou procurar avançar durante toda a vida”, diz Almeida. “Mas, além do processo criativo, acredito que temos de ter uma postura política diante do nosso trabalho. Nesse sentido, os aspectos recorrentes que são as fontes de minha essência como cidadão brasileiro são os que regeram o meu trabalho até agora: o tripé índio, negro e português”, avalia.
Fonte:
Caixa Econômica Federal
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