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Economia e Emprego

Ipea lança duas publicações sobre o grupo dos Brics

Integração

Obras analisam relações de cada integrante do grupo com seus vizinhos, especialmente na dimensão econômica
por Portal Brasil publicado: 15/07/2014 11h21 última modificação: 15/07/2014 11h21

Em seminário realizado na última quinta-feira (10), em Brasília (DF), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou duas publicações dedicadas ao grupo do Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Os livros buscam entender os países do agrupamento e a mecânica de suas relações com os vizinhos, especialmente na dimensão econômica de sua inserção internacional.

Resultado do projeto coletivo, que envolveu tanto pesquisadores do Ipea, quanto bolsistas contratados, o livro Os Brics e seus Vizinhos: comércio e acordos regionais traz contribuições importantes para o debate sobre o papel da integração regional nas políticas comerciais externas dos membros do grupo e o papel de cada um deles enquanto eixos produtivo-comerciais em suas respectivas regiões.

O volume foi organizado por Renato Baumann, diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea, e Ivan Tiago Machado Oliveira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto.

"Ao longo do tempo, o processo de aproximação desses países foi gerando um conhecimento mútuo", pontuou Baumann. "Em todos os casos, houve uma intensificação significativa do fluxo de comércio e do fluxo de investimento". As relações do Brasil com seus vizinhos foi o tema tratado nos dois primeiros capítulos do volume.

Primeiro as análises se concentraram nas características do padrão de comércio brasileiro, examinando uma série de indicadores relativos à intensidade, à concentração e à especialização das pautas bilaterais. Além disso, examina-se a relevância da região para a política comercial do Brasil.

O perfil dos acordos do Brasil com os vizinhos é analisado no segundo capítulo. Os autores mapearam o conjunto de compromissos assumidos pelo Brasil nas diferentes áreas de comércio.

A Rússia é o objeto de estudo dos capítulos 3 e 4. Neles os autores trabalham indicadores de comércio a fim de apresentar um quadro no qual se destaca a falta de competitividade internacional da maioria dos vizinhos da Rússia, bem como os baixos índices de comércio intrassetorial na região.

O papel dos acordos regionais na política comercial do país também ganha atenção. No capítulo 5, o autor analisa o comércio entre a Índia e seus vizinhos, apontando, ainda, os impactos, sobre o comércio exterior brasileiro, das preferências dadas pela Índia a seus vizinhos. O capítulo seguinte analisa o perfil regulatório dos acordos regionais indianos com seu entorno.

Sobre a China, o livro mostra que ela atua como locomotiva produtivo-comercial na região, devido ao elevado grau de complementaridade produtiva com países do entorno. É, também, centralizadora de acordos regionais na Ásia, mapeando os tipos de temas inseridos nesses acordos e sua vinculação com a política comercial externa chinesa.

Por fim, a publicação analisa a África do Sul. Alguns dos resultados mostram a complexidade da relação do país com seus vizinhos, apontando uma alta intensidade no comércio bilateral, ainda que declinante ao longo do período analisado, exceto no caso das importações de produtos com origem nos países vizinhos.

Investimento direto

Já o volume Os Brics e seus Vizinhos: investimento direto estrangeiro, que teve organização do pesquisador André Pineli, traz estudos detalhados das relações de investimento direto dos Brics com seus respectivos vizinhos. Dos cinco casos abordados na publicação, a China é a única que possui economias avançadas entre seus vizinhos, enquanto os demais países do grupamento são os países com estrutura produtiva mais complexa de suas respectivas regiões.

"Isto tem implicações importantes para os padrões dos fluxos regionais de IDE: enquanto a África do Sul, a Índia e a Rússia quase não recebem investimentos de seus vizinhos, a China acolhe muito mais do que realiza, ocupando o Brasil uma posição intermediária".

"Em 2000, o grupo do Brics respondeu por 0,6% do fluxo mundial de investimento estrangeiro. Já em 2012, a participação desse grupo chegou a 10,5%. É um salto realmente muito grande em apenas 12 anos, considerando que nesse período o total de investimento estrangeiro no mundo não teve uma variação muito grande", afirmou Pineli. O livro também traz um apêndice com mapas e informações geográficas, econômicas, políticas e sociais dos Brics e de cada um de seus vizinhos.

Fonte:
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

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