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Economia e Emprego

Inflação pelo IGP-M tem menor alta em 5 anos e fica em 0,62% em dezembro

CENÁRIO ECONÔMICO

Deflação no mês indica que choque de preços causado pela seca e início da nova safra foi superado, diz economista da FGV
publicado: 30/12/2014 00h19 última modificação: 30/12/2014 00h22

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) desacelerou a de 0,62%, em dezembro, contra um avanço de 0,98% em novembro. O índice, que é usado principalmente para corrigir os preços dos aluguéis, acumula alta de 3,69% em 2014, contra uma taxa acumulada de 5,51% em 2013, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (29), pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 A queda foi puxada pela desaceleração na alta dos preços no atacado. Segundo o economista Salomão Quadros, da FGV, os dados mostram que o choque agrícola, motivado pela falta de chuvas e pela fase de plantio da nova safra – que afetou os preços no mês passado – já foi absorvido e superado. Segundo ele, a taxa de dezembro é a menor desde 2009, quando o IGP-M registrou queda de 1,72% em consequência da crise financeira internacional, que derrubou na época os preços de vários produtos importantes, como petróleo, produtos agrícolas, minerais e todos os seus derivados. 

Para o economista, não foi isso que aconteceu agora, embora o valor tenha ficado abaixo do que vinha sendo registrado nos últimos anos. “O que aconteceu nesse ano não se parece nem um pouco com o que ocorreu naquela ocasião. Claro que a economia mundial não está muito bem das pernas, mas os Estados Unidos estão saindo da recessão até de forma surpreendente, com resultados surpreendentes”, diz ele. 

Por outro lado, a China teve uma desaceleração maior que o esperado e isso está na raiz da queda forte do minério de ferro, de quase 40% neste ano, segundo o IGP-M. E, pelo peso que esse fator tem, na estrutura do índice, é um dos grandes responsáveis por esse número mais baixo de dezembro. 

A desaceleração do IGP-M também teve outros fatores considerados benéficos, como a supersafra norte-americana. “Na verdade. [houve] safras grandes em diversos países. Grandes porque foram estimuladas por bons preços e porque não foram atrapalhadas por adversidades climáticas de grandes proporções”, explica. 

No Brasil houve um choque devido à estiagem no início do ano, que elevou os preços dos grãos. Mas quando a safra americana foi finalmente colhida, foi observada uma sequência de deflações, o que fez com que o IGP-M baixasse de patamar. Desta forma, segundo Quadros, mesmo que tivesse ocorrido um segundo choque, não tão forte quanto a estiagem do primeiro trimestre, mas se tivesse ocorrido uma nova perturbação agora em novembro, isso não desviaria o indicador desse número mais baixo que foi atingido. 

Subíndices 

O IGP-M é composto de três subíndices. O que mais caiu foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com variação de 0,63%, ante 1,26% no mês anterior. O grupo relativo aos Bens Finais avançou 1,05%, em dezembro, contra 0,69% em novembro. Contribuiu para este avanço o subgrupo alimentos processados, cuja taxa de variação passou de 0,67% para 1,30%. Excluindo-se os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice de Bens Finais (ex) registrou variação de 0,73%. Em novembro, a taxa foi de 0,56%. 

O índice referente ao grupo Bens Intermediários avançou 0,69%, contra uma alta de 1,21% em novembro. O principal responsável por este movimento foi o subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa de variação passou de 1,36% para 0,56%. O índice de Bens Intermediários (ex), calculado após a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, variou 0,52%, ante 1,16%, em novembro. 

No estágio inicial da produção, o índice do grupo Matérias-Primas Brutas teve alta de 0,05%, em dezembro. Em novembro, o índice registrou 2,01%. Os itens que mais contribuíram para este movimento foram: soja (em grão) (6,05% para 1,69%), suínos (7,37% para -9,41%) e bovinos (5,86% para 3,59%). Em sentido oposto, destacam-se: café (em grão) (-3,02% para 2,17%), arroz (em casca) (0,18% para 2,22%) e cacau (-7,38% para 1,59%). 

Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também caiu em dezembro, com variação de 0,25%, abaixo do resultado de novembro, de 0,30%. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,27%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,40%. O índice que representa o custo da Mão de Obra registrou variação de 0,24%contra taxa de 0,22% no mês anterior. 

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,76%, em dezembro, ante 0,53%, em novembro. Sete das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação. A principal contribuição partiu do grupo Alimentação (0,55% para 0,85%). Nesta classe de despesa, vale citar o comportamento do item carnes bovinas, cuja taxa passou de 1,94% para 4,71%.

 

“Olhando a estrutura do IGP-M para esses três componentes, pensando no resultado anual, a gente nota uma diferença grande entre o resultado do IPA e o do IPC e também o do INPC, [já que] estes últimos sofreram impactos dos serviços. (...) No caso do IPC, além dos serviços, alimentação, saúde, educação, passagem aérea (foi ano de Copa do Mundo), tivemos, além disso, a recuperação do preço da energia elétrica, que tinha registrado em 2013 uma queda em torno de 15% e, nesse ano, teve uma subida de 14%. Foram praticamente 30 pontos de percentagem de diferença entre um ano e outro”, explica Quadros. 

Fonte: Portal Brasil com informações da FGV

 

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