Economia e Emprego
OMC: Brasil é estratégico na definição de agenda comercial da próxima década
Comércio Exterior
O Brasil é um ator de extrema importância para a definição da agenda comercial da próxima década, aponta o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo. “É muito importante que o Brasil ajude a definir essa agenda, de maneira que leve em consideração as prioridades do País”, afirmou, em entrevista ao Portal Brasil.
Azevêdo esteve reunido na tarde desta segunda-feira (28) com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro. Após o encontro, o chefe da OMC avaliou que a organização abre “um leque [de discussões] que abarca um monte de temas novos, diferentes, interessantes” para a próxima década.
O diretor-geral da OMC lembra que o Pacote de Bali, firmado na Indonésia em 2013, e o acordo pela redução de subsídios à exportação de produtos agropecuários, acertado no ano passado em Nairóbi (Quênia), devem imprimir novo rumo às negociações de futuras no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC). É de olho neste cenários que Azevêdo coloca o Brasil como um dos países com potencial para ajudar o organismo multilateral a definir uma nova agenda para as negociações globais do comércio.
“A minha conversa com o ministro [Monteiro] foi justamente para convidar o Brasil a participar desse momento de reflexão sobre o futuro, porque o que estamos definindo agora provavelmente será a agenda comercial da próxima década”, disse.
A definição de regras para o comércio eletrônico mundial e a inserção de empresas de pequeno e médio portes no mercado global são algumas das “áreas prioritárias”, segundo Azevêdo, sobre as quais “ainda não há clareza” de como “uniformizar práticas de comércio”.
O diretor da OMC considera que as negociações multilaterais evoluem para um quadro no qual os acordos serão específicos. Esse seria o desdobramento dos temas incluídos na Rodada Doha, acordo ensaiado a partir de 2001 que terminou com o Pacote de Bali, abrangendo somente cerca de 10% da ambição inicial.
“Temas da própria Rodada de Doha, como a agricultura, continuam sobre a mesa, e o Brasil sempre foi um agente muito importante na definição das agendas e dos temas que precisam ser discutidos”, afirmou Azevêdo.
Alinhamento
O ministro Monteiro avaliou que o alinhamento dos temas de uma nova agenda de acordos multilaterais - ou seja, com vários países à mesa de negociação - exige um esforço de “visões” do Brasil com a própria OMC para evitar impasses diplomáticos.
“É muito importante que o Brasil alinhe um pouco a sua visão de comércio, sobretudo com um interlocutor com a importância que tem o diretor-geral da OMC, o embaixador Roberto Azevêdo, que além de tudo é brasileiro”, considerou.
Monteiro disse que temas sensíveis ainda geram impasses nas negociações, mas que existe uma disposição maior em âmbito global para facilitar o comércio.
“Esse foi o tema consagrado por ocasião de Bali e agora com a conferência de Nairóbi”, observou o ministro, ressaltando a importância do encontro no Quênia para “corrigir distorções (causadas por subsídios) que afetam o comércio” agropecuário.
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