Educação
Mais da metade da população brasileira acha que educação não melhorou, diz Ipea
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou nesta segunda-feira (28) os resultados do “Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) – Educação”. De acordo com o estudo, 48,7 dos brasileiros acreditam que a educação no País melhorou. Entretanto, dos 2.733 entrevistados, 27,3% acham que não houve mudanças na qualidade de ensino e 24,2% dizem que o sistema piorou.
Desenvolvido pelo Ipea para captar a opinião da população sobre políticas e serviços públicos de diversas áreas, o Sips mostra que as opiniões variam bastante entre as regiões brasileiras. No caso da qualidade de ensino, o Sudeste registrou o maior percentual de avaliações negativas, 36,1%, enquanto no Nordeste esse grupo representa apenas 14% da população. A região com o melhor índice de respostas positivas foi o Centro-Oeste, onde 62,9% acham que a oferta de ensino melhorou.
De acordo com o Ipea, o maior índice de percepção de melhoria nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e no Norte, e o menor índice no Sul e no Sudeste “podem ser uma evidência de que foram ampliados os investimentos nas três primeiras regiões, já que é justamente lá onde se encontram os piores indicadores educacionais do País”.
A percepção sobre a qualidade da educação também varia de acordo com a renda e escolaridade dos entrevistados. Para 35,4% dos que têm nível superior completo ou pós-graduação, a educação piorou. No grupo daqueles que estudaram só até os últimos anos do ensino fundamental (5ª a 8ª série ou 6º a 9º ano), apenas 21,4% têm a mesma opinião.
Entre os que ganham de 10 a 20 salários mínimos, 34,2% acreditam que o ensino está pior. Na população com renda mensal de até dois salários mínimos, apenas 19,3% têm essa percepção.
Segundo o estudo, “o nível de conhecimento das mulheres sobre os temas avaliados foi aproximadamente 10 pontos percentuais maior que o verificado entre os homens”. Essa diferença, aponta o Ipea, pode ser explicada “pelo fato de as mães estarem mais atentas à vida escolar dos filhos” do que outros membros da família.
Merenda escolar
De acordo com a pesquisa do Ipea, as populações do Norte e Nordeste fizeram as piores avaliações sobre a qualidade da merenda oferecida nas escolas brasileiras. Enquanto na média nacional 59,5% acreditam que a qualidade dos alimentos servidos é boa, nas duas regiões a maior parte avalia o serviço como regular: 39,7% no Norte e 47% no Nordeste.
No Sul e no Centro-Oeste, mais de 70% dos entrevistados disseram que a qualidade dos alimentos oferecidos é boa. As regiões Norte e Nordeste também fizeram as piores avaliações sobre a quantidade de alimentos oferecida na merenda: 52,6% e 53,6%, respectivamente, consideraram “pouca” ou “muito pouca” a quantidade de comida ofertada. No Sul do País, esse percentual é inferior a 15%. Na média nacional, 67% avalia como suficiente a quantidade servida nas escolas.
Menos de 43% dos entrevistados acreditam que o impacto de programas de alimentação escolar sobre o desempenho dos alunos é bom ou muito bom e 17% acham que é ruim. A oferta de merenda nas escolas é responsabilidade dos estados e municípios, com apoio do governo federal. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Ministério da Educação, repassa atualmente R$ 0,30 por aluno ao dia para custeio desse serviço. O restante deve ser complementado pelos governos estaduais e municipais.
O Ipea também avaliou a percepção sobre a distribuição de livros didáticos, ação desconhecida por 68% do público. Entre os quesitos conservação, conteúdo, quantidade e qualidade dos exemplares, a avaliação mais baixa foi em relação ao primeiro item: 49% consideram o estado de conservação dos livros ruim ou regular. As obras distribuídas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do MEC, são repostas após três anos de uso.
O Ipea também aponta o desconhecimento da sociedade em relação aos conselhos escolares, cuja função é acompanhar a gestão administrativa, financeira e pedagógica de uma unidade de ensino. Mais de 70% da população desconhece a existência dessa instância, que deve ser composta por representantes de pais, estudantes, professores, servidores da escola e membros da comunidade local.
Fonte:
Agência Brasil
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