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Educação

Comissão da Verdade é tema de debate na Universidade de Brasília

por Portal Brasil publicado: 30/08/2011 10h23 última modificação: 28/07/2014 14h06

Três universitários e uma busca em comum: a luta pela democracia e o fim da ditadura. A vida e o desaparecimento dos militantes estudantis da Universidade de Brasília (UnB) Honestino Guimarães, Ieda Delgado e Paulo de Tarso da Silva foram relembrados na segunda-feira (29), na Faculdade de Direito da UnB. Em 29 de agosto de 1968, a universidade foi invadida por tropas militares, instalações foram depredadas, estudantes foram presos e professores humilhados.

Presente à discussão Memórias da Resistência, o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, ressaltou a importância de se conhecer essa história. “Essa escola possui uma tradição que é resultado de um processo histórico de resistência. Todo novo estudante de Direito tem de saber onde está chegando e as marcas que vai levar em seu diploma. Aqui, muitos quadros da República se formam”, afirmou Abrão para uma platéia repleta de universitários.

Em seguida, o presidente da Comissão de Anistia lembrou que, embora hoje os tempos sejam outros, é preciso lutar pelo direito de gerações futuras a uma sociedade sem autoritarismo e sem tortura, por meio da instalação da Comissão da Verdade, encarregada de aprofundar as investigações dos crimes cometidos durante o regime militar. “O direito à verdade ainda não está reconhecido em nenhum estatuto legal, tal qual o direito de acesso à informação pública. Esse ato de memória é a arma humana contra a banalização da violência. Estamos aqui para demarcar a ideia do não esquecimento. Não esqueceremos dos três estudantes desaparecidos”.

 

 

Impactos da ditadura

Moderador da mesa, o reitor da UnB, José Geraldo de Souza Júnior, contou que à época da invasão houve uma diáspora na universidade. Eram 230 professores e com a demissão de 15, quase todos os outros pediram demissão. “Houve um desmonte do corpo docente. A UnB pagou um preço alto”.

Ex-militante estudantil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-preso político, o representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) Gilney Viana lembrou que a aprovação da Comissão da Verdade (projeto de lei 7326/2010) é uma prioridade da presidenta Dilma Rousseff e que a universidade é um caso a ser apresentado à comissão.

“Aqui ficavam os agentes secretos infiltrados que passavam informações ao Serviço Nacional de Informação (SNI). A UnB era o projeto piloto de um processo de educação e cultura do Brasil. Os estudantes desaparecidos representavam um processo político de abertura e combate à ditadura”, disse Viana.

A punição dos torturadores do período da ditadura foi ponto da fala do ex-dirigente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Cezar Britto. “A Alemanha puniu quem cometeu os crimes do holocausto, mas o Brasil se acovardou e o Supremo Tribunal Federal não quis cumprir essa etapa da justiça de transição”.

Ex-presidente do centro acadêmico da Faculdade Arquitetura na UnB à época da invasão, José Prates viveu exilado em Paris, no Peru e Guiné Bissau, depois desse período, Prates falou que a UnB é um emblema do que foi a direita no Brasil. “A direita tinha ódio e pavor dessa universidade. A UnB representava um processo de resistência, daí a violência com que ela foi atacada, como se tivéssemos um quartel muito bem armado”.

 

 

Estudantes

Honestino Guimarães estudava Geologia na UnB, foi presidente da Federação dos Estudantes da UnB (Feub) e preso após a invasão do campus. Viveu clandestinamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foi preso aos 26 anos no Rio de Janeiro; Ieda Delgado estudava Direito na UnB e formou-se em 1969. Era militante da ALN. Foi presa em São Paulo quando cumpria tarefa para a organização. Desapareceu aos 29 anos; Paulo de Tarso Silva estudou Direito na UnB e concluiu o curso em 1967. Foi presidente da Federação dos Estudantes da UnB (Feub) e militante  da Ação Libertadora Nacional. Aos 27 anos, foi preso pelo DOI/Codi. Desde então tornou-se desaparecido político.

 

 

Fonte:
Ministério da Justiça

 

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