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Educação

Portal Brasil resgata entrevista com Rubem Alves

Homenagem

Quadro de saúde do escritor e educador é delicado após internação na UTI de hospital de Campinas (SP) na última semana
por Portal Brasil publicado: 17/07/2014 16h31 última modificação: 17/07/2014 17h45

O escritor e educador Rubem Alves está internado desde a última quinta-feira (10) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro Médico Campinas, em Campinas (SP).  Ele deu entrada no hospital com quadro de insuficiência respiratória em consequência de uma pneumonia.

Segundo o último boletim médico divulgado pelo hospital nesta quinta-feira (17), o estado de saúde do escritor é estável em relação à infecção pulmonar. No entanto, apresenta piora progressiva da função renal, causada pela pneumonia.

Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933 em Boa Esperança, interior de Minas Gerais. Autor de mais de 120 títulos, é considerado um dos escritores mais célebres da língua portuguesa da contemporaneidade. Dentre suas obras se destacam os livros infantojuvenis, como 'A árvore e a aranha', 'A pipa e a flor' e 'A Menina e o pássaro encantado'.

Em entrevista concedida ao Portal Brasil ano de 2011, Rubem Alves falou sobre perspectivas e desafios na educação básica, métodos de ensino e o papel do professor. Confira alguns trechos da entrevista:

Escola ideal

Para o escritor, a escola deve ser um ambiente de troca de conhecimento mútua entre professores e alunos. “Essa ideia do professor ir lá dar uma aula, ficar na frente, os alunos copiando, isso não existe. Os professores são companheiros dos alunos, não tem nota, nota é uma inverdade porque aquilo que o aluno produz numa prova, não revela o que ele pensa”, ressaltou.

Para Rubem Alves, os professores frequentemente reproduzem o conteúdo das apostilas. “É preciso que os professores parem e digam: Não vamos seguir o programa, vamos fazer as coisas que são essenciais no ambiente em que a criança vive. Então eu diria que os professores teriam que fazer sempre essa pergunta: Isso que eu vou ensinar serve para quê?”

O escritor também relata que recebeu, de um menino, uma carta que descreve bem a necessidade das crianças de expandir seus conhecimentos e dar vozes à imaginação a partir do gosto pela leitura. Segundo ele, a carta dizia: “Querido Rubem Alves, li o seu livro O patinho que não aprendeu a voar, aprendi que liberdade é a gente fazer aquilo que deseja muito e eu quero ser livre."

“A gente precisaria ter uma educação ligada com a vida, porque é pra isso que a gente aprende, para ver melhor, para ter mais prazer, para ter mais experiência, poupar tempo, não se arriscar”, reforçou Rubem Alves.

Ensino no Brasil

Segundo o escritor, para se alcançar um bom nível de qualidade na educação básica é preciso capacitar professores: “O professor é o ponto central de qualquer programa de transformação do ensino brasileiro”.

O escritor também propôs uma nova avaliação do ensino. “O que adianta passar no vestibular se dentro de dois anos eu terei esquecido todas as coisas? Eu gostaria que a avaliação não fosse feita imediatamente depois que [o vestibular] termina. Eu gostaria que fosse feito anos depois. Porque o aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento faz o seu trabalho”, ressaltou.

Cansado do método tradicional dos vestibulares, Rubem Alves esteve à frente da implementação do novo sistema de avaliação da Universidade de Campinas (Unicamp). “Nós estávamos cansados de vestibular de cinco escolhas, escolhas múltiplas. Nós queríamos um vestibular que revelasse a capacidade de pensar do aluno, nós queríamos a medir a capacidade de pensar.”

“Aí, nós chegamos à conclusão de que a maneira que a gente tem de avaliar a capacidade de pensar numa pessoa só tem uma: mandar fazer uma redação”, completou.

O papel do professor

Segundo o autor, as escolas devem ensinar a criança a pensar: “Para mim esse é o objetivo da educação: criar a alegria de pensar.”

O escritor propôs, ainda, um novo tipo de professor. “É aquele que não ensina nada, não é professor de matemática, de história, de geografia. É um professor de espantos. O objetivo da educação não é ensinar coisas porque as coisas já estão na internet, estão por todos os lugares, estão nos livros”, enfatizou.

Segundo ele, missão do professor não é dar respostas prontas. “As respostas estão nos livros, estão na internet. A missão do professor é provocar a inteligência, é provocar o espanto, é provocar a curiosidade”, continuou.

Assim, para o educador, é a partir da curiosidade que o professor pode incentivar o gosto pela leitura: "Então você tem que criar o gosto. Não mandando ler, mas lendo. Uma hora muito boa para leitura é quando as crianças e os adolescentes vão para a cama. Então a mãe se senta ao lado e vai ler um livro.”

Trajetória do escritor

Educado no seio de uma família protestante, Rubem Alves estudou teologia no seminário Presbiteriano do Sul, um dos mais conhecidos seminários evangélicos da América Latina.

Mais tarde, tornou-se pastor de uma comunidade presbiteriana, em Lavras, interior de Minas e casa com Lídia Nopper, com quem teve três filhos: Sérgio, Marcos e Raquel. Em 1963, viajou para Nova York para se dedicar a pós-graduação. Em 1964, durante o Golpe Militar, regressiy ao Brasil, sob acusação de ser subversivo.

No mesmo ano é convidado para o doutorado na United Presbyterian Church, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, em 1968, se despediu da Igreja Presbiteriana. Em 1969, conseguiu um emprego na Faculdade de Filosofia de Rio Claro. Aí permaneceu até 1974, ano em que finalmente ingressou no Instituto de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), até se aposentar na década de 1990.

Em 1984, se dedicou à formação em psicanálise. Teve sua clínica até 2004. Seu contato com os pacientes incrementou seu conteúdo que, transformados em palavras, compuseram diversas de suas crônicas sobre o cotidiano.

Fontes:
Portal Brasil
Instituto Rubem Alves 

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