Educação
Proposta pedagógica transforma matemática em atividade lúdica
Ensino e aprendizagem
Alunos do 1º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Armando Rosário Castelo, no Distrito de Paiquerê, em Londrina (PR), descobriram o gosto e o prazer pela matemática a partir de uma atividade lúdica e criativa desenvolvida com jogos de boliche, disputados em sala de aula.
A iniciativa surgiu assim que a professora e idealizadora do projeto, Josiane de Souza Campos, diagnosticou um certo bloqueio dos alunos ao se depararem com exercícios que exigiam interpretação de gráficos. “Sempre quando aparecia algum tipo de gráfico embora eu explicasse com cuidado, eu via uma certa dificuldade por parte dos estudantes. Assim, eu percebi com a ajuda desse método pedagógico uma saída para auxiliar os alunos nas tarefas do dia a dia.”
A professora ainda conta que a ideia de unir o jogo de boliche com o conteúdo que deveria ser desenvolvido em sala de aula surgiu a partir de um jogo que listava as brincadeiras que eles mais gostavam com a letra ‘B’. “A proposta era deixar mais claro para os alunos como construir e interpretar gráficos, entender conceitos de comparação e quantidade, além de desenvolver a questão da responsabilidade, autonomia e regras dentro de um grupo.”
Segundo o diretor da escola, Jairo dos Santos, o principal objetivo é apresentar novas propostas pedagógicas, a fim de que o aluno esteja preparado para a realidade da vida. “A iniciativa é entendida como um apoio pedagógico que auxilia a professora na sala de aula. Durante todo o processo observamos ampla aceitação dos alunos e de todo corpo docente envolvido”, ressalta.
Metodologia
Antes de iniciar o jogo, é realizado uma divisão dos grupos em forma de sorteio. Os alunos também devem decidir o nome do grupo, que será representando pelas vogais. “Como esse momento gera muito conflito, porque a maioria dos alunos escolhem a letra ‘A’, eu propus novamente um sorteio entre aqueles que decidem por essa vogal”, afirma a professora.
Em seguida é o momento dos alunos escolherem a cor que irá representar cada grupo. “Como a maioria também queria a cor vermelha, eu sugeri que os estudantes deveriam entrar em um consenso. Decidido o nome e as cores de cada grupo pudemos iniciar o jogo.”
O jogo se inicia respeitando as ordens das vogais. Embora o grupo ‘A’ fosse o primeiro a jogar, era de responsabilidade de cada grupo escolher a ordem dos integrantes que iriam participar. “Eu orientava o grupo dizendo que a decisão deveria ser discutida entre os participantes, e só quando fosse decidido era preciso levantar a mão e emitir o resultado final.”
Em seguida, o primeiro integrante de cada grupo, com sua respectiva cor, se levantava e efetuava sua primeira tentativa. “Por exemplo, se o grupo da cor vermelha derrubava quatro pinos, então todos os alunos deveriam assinalar, pintando na tabela os quadrados que indicavam aos pontos obtidos.”
“No final de todo esse processo um gráfico era formado. Neste momento nós contávamos os pontos de cada grupo, realizávamos comparações, como por exemplo, quantos pontos o grupo ‘A’ fez a mais que o grupo ‘B’”, revela Josiane.
Resultados
De acordo o com o diretor Jairo, iniciativas como essa incentivam os alunos a melhorarem a autoestima e consequentemente apresentarem melhores resultados não só na matemática, mas também em outras áreas.
Josiane percebeu uma melhora significativa no desempenho dos alunos. “Conceitos de quantidade e interpretação de gráficos eu vejo que a maioria melhorou bastante. Eles já conseguem identificar, por exemplo, se o gráfico está falando de brinquedos, sabor de sorvete e a quantidade de cada produto”, afirma.
No entanto, ressalta a educadora, a questão da responsabilidade, da autonomia, regras e o conceito de grupo deve ser algo trabalhado em comum com outras disciplinas como um desafio a ser enfrentado.
“Foi um trabalho em que eu gostei de ter realizado e o mais importante é que as crianças além de gostarem também aprenderam. Sempre eu vou estar buscando maneiras de passar o conteúdo que eles aprendam de uma forma concreta, realista, lúdica e contextualizada. Eu acho que esse é o caminho”, finaliza Josiane.
Provinha Brasil
Projetos pedagógicos além de incentivarem os alunos, melhoram o desempenho na sala de aula. Esse diagnóstico pode ser comprovado por meio da Provinha Brasil, avaliação oferecida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O exame consegue detectar deficiências de ensino, aprendizagem e o nível de alfabetização de alunos do 2º ano do ensino fundamental de escolas públicas.
Atualmente, além da provinha de leitura os professores aplicam um exame com questões de matemática. Os testes são compostos de 20 questões. Algumas dessas questões são lidas pelo professor – na íntegra ou em parte - e outras são lidas apenas pelos alunos.
Em cada ano ocorre um novo ciclo de avaliação da Provinha Brasil. O exame é realizado em dois momentos durante o ano letivo: ao início do segundo ano do ensino fundamental e ao final desse mesmo ano letivo.
Até 30 de setembro, as escolas públicas que tenham aplicado a Provinha Brasil poderão lançar os dados referentes ao primeiro semestre. Depois de lançarem os dados, as escolas poderão produzir relatórios de desempenho por aluno, turmas e escola. No mês de setembro, os interlocutores estaduais e municipais poderão acessar relatórios consolidados de suas respectivas redes.
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