Educação
Projeto pedagógico transforma sala de leitura em espaço lúdico
Métodos de ensino
Alunos participantes do projeto durante atividade na sala de leitura
Transformar o ambiente escolar de alunos do ensino fundamental a partir de ações que promovam o acesso à literatura, arte e cultura são alguns dos objetivos do projeto 'Clube de Leitura Universo Paralelo', realizado no Centro Educacional Unificado (CEU) Água Azul, localizado no bairro Cidade Tiradentes, em São Paulo (SP).
Criado em 2013, a iniciativa promovida pelo Programa de incentivo à jornada integral do estado, além de enriquecer o currículo dos estudantes de 7ª ao 9ª ano, também propõe formar cidadãos e leitores atuantes na sociedade. “Utilizamos da sala de leitura da escola como ponto de partida para nossas ações. O nome do projeto, inclusive, remete à criação de um universo paralelo dentro da escola, que coabita o mesmo espaço e tempo”, explica a professora e idealizadora do projeto, Fúlvia Zonaro Crestani.
A primeira intervenção do projeto foi proporcionar e aprofundar as temáticas para além da sala de aula. “A intenção era a de criar um espaço onde os jovens se encontrassem, pudessem trocar experiências, ampliar laços de amizades e uma rede de leitores que atingisse a comunidade como um todo”, completa a educadora.
Justificativa
Além de dar continuidade ao trabalho pedagógico desenvolvido nas aulas de leitura, as atividades realizadas no primeiro ano do projeto ampliaram o acesso aos textos de diversos tipos de gêneros e subgêneros.
Todo o material teórico foi desenvolvido de forma transversal, de maneira que dialogasse com filmes, músicas, artes plásticas e visuais e arte dramática. Dessa forma, o aluno além de melhorar sua autoestima, se sente motivado a frequentar as aulas e aprender conjunto. “Melhorando seu desempenho escolar, bem como seu olhar crítico, a longo prazo teremos profissionais atuantes em diversas áreas”.
A idealizadora ainda acredita que propiciar um ambiente de respeito que motive a construção com os demais colegas de classe, os alunos automaticamente estarão mais à vontade e abertos para descobrirem “a riqueza presente na literatura contemporânea”.
Procedimentos
As atividades realizadas duas vezes por semana, com 1h30 de duração cada, propunha além de leitura, debates sobre o material analisado. “Proporcionávamos ao aluno um ambiente de total liberdade, para que pudesse emitir sua opinião sem qualquer postura preconceituosa por parte dos outros colegas”, conta educadora.
Além disso, no início do projeto a professora deixou a cargo dos alunos a escolha de temáticas para as primeiras leituras. “Após as primeiras aulas e debates, chegamos a seguinte questão recorrente a vários estudantes: O que é ser jovem hoje?”.
Para discutir o tema, foram lidas e debatidas matérias jornalísticas sobre gravidez na adolescência, religião e fé, jovem e comportamento, críticas literárias e filmes, além de outras referências literárias de autores como Clarice Lispector, João Carlos Marinho e Yann Martel.
“Embora vivemos em uma geração amplamente conectada e globalizada, a escola ainda se situa em uma região periférica, em que a desigualdade social se mostra de forma bastante evidente”, relata a idealizadora.
Em seguida, após as discussões, os alunos apresentaram suas dúvidas em forma de frases curtas que mais tarde se transformaram em conceitos visuais, desencadeando uma produção fotográfica. As frases e montagens geraram uma exposição artística nos corredores da escola, com mais de 5 metros de extensão, promovendo debates e reflexões à comunidade escolar.
Resultados
Ao fim da primeira etapa do projeto, Fúlvia percebeu que embora alunos tivessem o hábito da leitura, muitos ainda não conseguiam ler livros inteiros. “Buscando solucionar essa questão preparei para este ano uma nova abordagem, que será a realização de uma leitura compartilhada de obras literárias”, conta.
Após um levantamento preciso, a idealizadora percebeu que o interesse dos alunos estava centrado em livros infantojuvenis, adaptados para séries e filmes. “Observei que os resultados só poderiam ser alcançados trazendo para sala de leitura obras de interesse coletivo”.
A professora ainda diagnosticou que parte dos alunos estão interessados em livros que se transformaram em aventuras e sagas cinematográficas. “Percebi que até o presente momento, o interesse de muitos alunos aumentou, embora nosso grande desafio ainda seja aumentar a frequência escolar de muitos estudantes faltantes”, finaliza.
Para as atividades deste ano também está previsto para o mês de novembro a instalação de uma sala temática do projeto na feira literária da escola, além da festa de encerramento exclusiva para os participantes do Clube.
Fonte:
Portal Brasil
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