Você está aqui: Página Inicial > Educação > 2014 > 11 > Gestor destaca importância da experimentação no ensino de ciências

Educação

Gestor destaca importância da experimentação no ensino de ciências

Entrevista

Douglas Falcão Silva, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, fala sobre a importância das feiras de ciências
por Portal Brasil publicado: 07/11/2014 14h20 última modificação: 07/11/2014 14h22
Divulgação/Portal do Professor Douglas Falcão Silva, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Douglas Falcão Silva, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Em entrevista ao Portal do Professor, o diretor do Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Douglas Falcão Silva, destacou que não existe ensino de ciências de qualidade sem experimentação.

“As feiras de ciência têm um papel chave a cumprir, tanto no aspecto de inserção e valorização da experimentação, quanto na motivação dos alunos e envolvimento dos professores”, afirmou diretor.

Douglas Falcão também destacou o crescimento da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), desde sua primeira edição, em 2004, quando foram realizadas 1800 atividades em 250 municípios.

“No momento, estamos registrando 35 mil atividades em cerca de 540 municípios brasileiros”, informa. E observa que a 12ª edição da SNCT, marcada para o período de 19 a 25 de outubro de 2015, terá como tema 'Luz, ciência e vida'.

Confira trechos da entrevista:

Jornal do Professor – Ciência e tecnologia são assuntos que costumam atrair a atenção de crianças e adolescentes? De que forma os professores podem aumentar o interesse de seus alunos por disciplinas ligadas a esses temas?

Douglas Falcão – Sabemos que quanto mais cedo acontece o contato das crianças com a ciência e tecnologia, melhor para a relação que o futuro adolescente e adulto tem com essas temáticas. As crianças em particular são naturalmente muito curiosas, o que facilita a interação com a ciência e tecnologia. A questão é como explorar essa curiosidade natural.

Neste sentido, a experimentação pode realmente fazer a diferença. O professor que desenvolve uma pedagogia que convida seus jovens estudantes a explorar o mundo natural por meio da investigação científica colabora para que os alunos tenham uma interação sustentável com a ciência e a tecnologia.

No caso dos adolescentes que não tiveram uma relação mais estruturada com a ciência e a tecnologia ancorada pela escola, a situação é bem mais indeterminada. Sabemos que nesta fase da vida, uma das principais preocupações dos jovens é a inserção e a afirmação entre seus pares e às vezes, é muito difícil competir com isso!

Tenho visto algumas experiências interessantes que fazem uso justamente das interações sociais para promover a interação dos adolescentes com questões de ciência e tecnologia. Atividades como teatro científico, blogues, projetos na área de tecnologia social e assistiva têm dado bons resultados.

Como preparar melhor os professores de ensino fundamental e médio para que possam despertar em seus alunos o interesse pela ciência? Qual o papel das instituições universitárias nesse sentido?

- Essa é, na verdade, a grande questão! As nossas licenciaturas estão formando um número insuficiente de professores na área de ciências naturais, e os que estão chegando ao mercado ainda carecem de uma formação que incorpore a experimentação como o instrumento número 1 no processo de ensino aprendizagem em ciências.

Não quero dizer que não haja projetos de qualidade na área de formação de professores nas nossas universidades. Mas mais uma vez o problema é de escala. Precisamos dar escala e escopo a esses projetos.

Neste sentido, acho que temos de usar de todos os recursos que estão ao alcance. O Brasil está próximo de alcançar cerca de 300 museus e centros de ciência. A distribuição desses equipamentos ainda é muito assimétrica no território nacional, mas muitos cursos de licenciatura acontecem próximos a estas instituições e constatamos que ainda são raras as parcerias museu-universidade na área de formação de professores. 

Em sua opinião, é importante que os estudantes participem de eventos como olimpíadas e feiras de ciências? Por quê?

- Acho que esta questão é muito importante. Primeiramente, vou falar das feiras. Não existe ensino de ciências de qualidade sem experimentação. E neste sentido, as feiras de ciência têm um papel chave a cumprir, tanto no aspecto de inserção e valorização da experimentação, quanto na motivação dos alunos e envolvimento dos professores.

As feiras deixam um legado para o sistema escolar que vai para muito além do ganho de medalhas. Na apresentação dos trabalhos, as equipes aprimoram o exercício da comunicação científica escrita e oral e com relação aos professores, estes aprimoram suas práticas de ensino que são levadas para o exercício cotidiano de suas aulas.

Com relação às olimpíadas, acho que a questão da motivação e da identificação de talentos são relevantes, mas elas também se justificam pelos impactos que estão além de eventos de competição que destacam os ganhadores.

Hoje, temos que as olimpíadas de conhecimento contemplam os mais variados temas: matemática, língua portuguesa, história, meio ambiente, física, matemática, biologia, agronomia, robótica, dentre outros. É muito interessante ver a mobilização dos grupos (estudantes e professores) diretamente envolvidos nas escolas nas atividades de preparação para as diversas olimpíadas, assim como é interessante ver as diversas metodologias que são utilizadas nas diferentes olimpíadas.

Vale destacar que ambos os editais estão abertos no CNPq.

- A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) completa, este ano, 11 anos. Qual seu crescimento, nesse período? Quais as principais contribuições que ela trouxe para a difusão e popularização da ciência no Brasil?

A SNCT chega ao seu décimo primeiro ano com um legado muito interessante. Ela começa em 2004 em 250 municípios e 1800 atividades realizadas. Em 2013, chegamos a 740 municípios e cerca de 34 mil atividades.

As ultimas três edições da Pesquisa de Percepção Pública da Ciência realizadas em 2006, 2010 e agora em 2014, nos permite estimar que cerca de 90 milhões brasileiros passaram em algum momento pelas atividades da SNCT ao longo dos 10 primeiros anos. Este ano, esperamos alcançar cerca de 800 municípios.

No momento, estamos registrando 35 mil atividades em cerca de 540 municípios brasileiros. Mas talvez o maior legado seja o fortalecimento de uma rede entre as instituições, como institutos de pesquisa, universidades, instâncias municipais, estaduais e federais, organizações não governamentais e empresas privadas em prol da divulgação científica no Brasil.

Além da Semana Nacional, que outras ações têm sido desenvolvidas pelo Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia para popularizar a ciência e a tecnologia entre os estudantes? Quais seus planos para os próximos meses, nesse sentido?

O público escolar é muito valioso para nós. Nossa politica pública para a área de Popularização e Divulgação da Ciência perpassa por uma forte interação com o sistema escolar a fim de atuar para a melhoria do ensino de ciências nas escolas de nível fundamental e médio.

Ainda para 2014, estaremos lançando um edital em parceria com o Instituto Tim para financiar atividades de divulgação de ciência sobre a temática da Luz. O ano de 2015 foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas como o ano Internacional da Luz.

A fim de promover uma maior inserção do Brasil nesta importante comemoração, o tema da próxima edição da SNCT, marcada para o período de 19 a 25 de outubro de 2015, será Luz, ciência e vida.

Uma proposta extremamente ampla, que pode ser abordada por disciplinas como biologia, química, física, história, filosofia, astronomia, etc, e que na verdade não respeita fronteiras disciplinares, culturais, geográficas ou temporais. O que vai facilitar o exercício da criatividade dos estudantes. 

Perfil

Doutor em educação pela University of Reading, Inglaterra, Douglas Falcão tem licenciatura em física pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestrado em educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. No período de 2006 a 2013, ocupou o cargo de coordenador de educação em ciências do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro (RJ).

Fonte:
Portal do Professor 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Universidades federais recebem mais de R$ 210 milhões em recursos
Governo autoriza liberação para 63 Universidades Federais e 41 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
Tema da redação do Enem é excelente, diz Mercadante
Segundo dia de prova do Enem 2015 exigiu que candidatos escrevessem sobre situação da violência contra a mulher no País
"Tema da redação é bom para abrir os olhos das pessoas"
No segundo dia de provas do Enem, candidatos tiveram que fazer texto sobre violência contra a mulher; assunto foi aprovado pelos estudantes
Governo autoriza liberação para 63 Universidades Federais e 41 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
Universidades federais recebem mais de R$ 210 milhões em recursos
Segundo dia de prova do Enem 2015 exigiu que candidatos escrevessem sobre situação da violência contra a mulher no País
Tema da redação do Enem é excelente, diz Mercadante
No segundo dia de provas do Enem, candidatos tiveram que fazer texto sobre violência contra a mulher; assunto foi aprovado pelos estudantes
"Tema da redação é bom para abrir os olhos das pessoas"

Últimas imagens

Candidatos podem consultar vagas por instituição, por cidade ou por curso no site do Sisu
Candidatos podem consultar vagas por instituição, por cidade ou por curso no site do Sisu
Divulgação/EBC
Universidade vai oferecer 50 bolsas de incentivo em 53 cursos superiores de licenciatura e mestrado integrado
Universidade vai oferecer 50 bolsas de incentivo em 53 cursos superiores de licenciatura e mestrado integrado
Divulgação/EBC
Estudo sobre os Doutores Titulados no Exterior mostra que os doutores com diploma de universidades estrangeiras são mais valorizados pelo mercado nacional
Estudo sobre os Doutores Titulados no Exterior mostra que os doutores com diploma de universidades estrangeiras são mais valorizados pelo mercado nacional
Divulgação/EBC
Prouni oferece a estudantes de baixa renda bolsas de estudos integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior
Prouni oferece a estudantes de baixa renda bolsas de estudos integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior
Divulgação/EBC
Programas escolhidos são vinculados a instituição de ensino com programas recomendados pela Capes, com nota 6 ou 7
Programas escolhidos são vinculados a instituição de ensino com programas recomendados pela Capes, com nota 6 ou 7
Divulgação/MEC

Governo digital