Esporte
Tradição do Brasil em Copas do Mundo eleva confiança no time verde e amarelo
Especial Copa de 2014
A participação da seleção brasileira de futebol em torneios internacionais e Copas do Mundo sempre obteve destaque. Essa tradição e jeito com a bola fizeram do País referência no esporte, que é o mais praticado nacionalmente.
O que pouca gente sabe ou conhece é a trajetória que fez com que o time brasileiro seja tão respeitado e, como consequência disso, porque a realização de um Mundial aqui é tão especial.
Muito além da geração de emprego, obras de infraestrutura e recursos obtidos com a atividade turística, tendo em vista a grandiosidade do evento, a Copa do Mundo de 2014 representa um momento de celebrar o esporte e possibilitar que os brasileiros acompanhem a luta rumo ao tão sonhado hexacampeonato.
Relembre como foi a performance do time brasileiro em outros Mundiais. O Portal Brasil preparou esse resgate histórico. Confira:
A Nova Era Dunga e o Mundial de 2010
Dunga foi escolhido para ser o treinador do Brasil para a Copa de 2010, na África do Sul. Tetracampeão em 1994 e com fama de disciplinador, o gaúcho não tinha experiência como técnico, mas conseguiu uma série de resultados positivos antes de embarcar para a África do Sul.
Sob o comando de Dunga, a Seleção Brasileira venceu a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009.
O treinador formou um grupo de jogadores de sua confiança e conseguiu colocar o Brasil mais uma vez como favorito. Tudo deu certo até o segundo tempo das quartas de final. Na primeira fase, o Brasil ganhou da Coreia do Norte e da Costa do Marfim, além de ter empatado com Portugal. Classificado em primeiro do grupo, enfrentou o Chile nas oitavas de final. Resultado: vitória tranquila por 3 x 0.
Contra a Holanda, a Seleção Brasileira fez um primeiro tempo quase perfeito e foi para o intervalo vencendo por 1 x 0, gol de Robinho com passe de Felipe Melo. Ninguém poderia imaginar o que viria no segundo tempo. A Holanda empatou já aos sete minutos. A zaga falhou, o goleiro Julio Cesar saiu mal e a bola, que tinha sido cruzada por Wesley Sneijder, desviou de leve em Felipe Melo antes de entrar.
Desestabilizado, o Brasil se perdeu em campo e viu a Holanda virar. Dessa vez, Kuyt desviou uma cobrança de escanteio e a bola caiu na cabeça do baixinho Sneijder, que só mandou para as redes. Uma melancólica despedida para o Brasil.
"Quadrado Mágico" do Brasil na Copa de 2006
Em 2006, a Seleção Brasileira chegou à Alemanha mais favorita do que nunca. Afinal, o time treinado por Carlos Alberto Parreira contava com o chamado “Quadrado Mágico”: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Adriano. Com Ronaldo Fenômeno integrado ao grupo, o Brasil chegou a Weggis, uma pequena cidade da Suíça, para fazer a preparação final antes da Copa do Mundo. Na primeira fase, a Seleção Brasileira venceu três vezes e avançou sem sustos. Nas oitavas de final, um 3 x 0 tranquilo sobre Gana.
O sonho do hexa, no entanto, acabaria nas quartas de final. Parreira escalou um time mais cauteloso, optando por Juninho Pernambucano no meio e apenas Ronaldo como atacante de ofício. Mas nem isso foi capaz de parar Zidane e seus companheiros. O camisa 10 francês fez uma de suas melhores partidas na Copa e cobrou uma falta para Henry completar e definir o placar.
12 anos do penta: Família Scolari leva Brasil ao quinto título
Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo foi disputada em duas sedes. O Japão e a Coreia do Sul dividiram a responsabilidade de organizar o Mundial. A final foi em solo japonês.
Os barbeiros e cabeleireiros do Brasil tiveram dias cheios no mês de julho de 2002. Todo menino que gostava de futebol no País queria um corte de cabelo igual ao de Ronaldo. A meia-lua de cabelo na frente da testa deu sorte para o artilheiro. Ele marcou dois gols contra a Alemanha do goleiro Oliver Kahn, chegou aos oito na artilharia da Copa, se tornou o jogador que mais balançou as redes em Mundiais, com 15 tentos, e garantiu o pentacampeonato para o Brasil.
A opinião pública pedia Romário. O técnico Luiz Felipe Scolari, no entanto, nem quis saber. Felipão fechou o grupo, expôs sua confiança nos convocados e garantiu a união de um elenco que ficou conhecido como “Família Scolari”.
Na primeira fase da Copa de 2002, o Brasil não teve muitas dificuldades. Foram três vitórias. A Turquia até que endureceu o jogo, mas acabou derrotada por 2 x 1. China e Costa Rica foram despachadas com sonoras goleadas.
Nas oitavas de final, um jogo complicado diante da Bélgica. O placar de 2 x 0 para o Brasil não espelhou os obstáculos que a Seleção precisou superar em campo. Com muita marcação, os belgas chegaram a ameaçar. Mas Rivaldo e Ronaldo garantiram a vitória.
A Inglaterra de David Beckham foi o adversário das quartas de final. E o sonho do penta quase escapou pelas mãos quando Michael Owen aproveitou uma falha de Lúcio e abriu o placar. Mas o Brasil tinha Ronaldinho Gaúcho. O meia era então um garoto de 22 anos que jogava no Paris Saint-Germain, ainda longe de ser o jogador que encantou o mundo com a camisa do Barcelona.
Mas foi contra os ingleses que ele começou a chamar a atenção de todos. Primeiro, fez bela jogada no meio-de-campo e acertou um passe primoroso para Rivaldo empatar. Depois, acertou um chute que entrou no ângulo do gol inglês.
Um reencontro com a Turquia foi o cardápio da semifinal. O Brasil já havia vencido o mesmo adversário na primeira fase e, por isso, o favoritismo era imenso. Mas a retranca preparada pelos turcos foi ainda mais forte.
Um chute de Ronaldo com o bico da chuteira, no entanto, foi suficiente para colocar o Brasil de novo na final, a terceira seguida desde 1994.
A Alemanha tinha o goleiro Oliver Kahn, que acabou sendo eleito o melhor jogador da Copa de 2002. Mas Ronaldo marcou dois gols na decisão, se tornou o artilheiro do torneio, garantiu o pentacampeonato para o Brasil e, depois, ainda foi eleito o melhor jogador do mundo em 2002.
Carrascos franceses na copa de 1998
Como campeão da Copa de 1994, o Brasil nem precisou disputar as Eliminatórias para o Mundial da França. A preparação teve de ser feita por meio de amistosos. Mesmo assim, a confiança era alta, já que a Seleção contava com Ronaldo, eleito pela FIFA nos dois anos anteriores o melhor jogador de futebol do mundo.
Após a vitória em 1994, o Brasil mostrava seu poder em Copas do Mundo e chegava a sua segunda final consecutiva. Na final contra o Brasil, campeão em 1994, Zinedine Zidane, astro francês, colocou seu nome no hall da fama do futebol mundial exibindo seu futebol exuberante.
Já no primeiro tempo, o camisa 10 marcou dois gols e abriu 2 x 0 no placar. Perdido em campo, os brasileiros não tiveram forças para reagir e coube a Emmanuel Petit a tarefa de fechar o placar, antes do apito do árbitro marroquino Said Belqola, o primeiro africano a comandar uma decisão de Copa do Mundo da FIFA.
A França era campeã pela primeira vez na história e a festa tomou conta de todo o País, com destaque para os cerca de um milhão de torcedores que lotaram a avenida Champs Élysées.
20 anos do Tetra
O Brasil chegou aos EUA em 1994 sob desconfiança. A classificação durante as Eliminatórias veio no sufoco. O técnico Carlos Alberto Parreira foi obrigado a se render ao apelo popular e convocar Romário para o último jogo das Eliminatórias, contra o Uruguai. Resultado: 2 x 0 com show do Baixinho. Depois ele provaria, definitivamente, que o povo estava certo.
Na primeira fase, o Brasil não teve muita dificuldade, apesar de o até então capitão Raí (considerado o craque do time) não ter sido escalado como titular. A braçadeira passou para Dunga. Nas oitavas de final, um confronto com os donos da casa. O favoritismo era brasileiro, mas o jogo foi duríssimo e a classificação só veio a 20 minutos do fim do jogo, com um gol de Bebeto.
Nas quartas de final, a partida mais emocionante. Os brasileiros tiveram de enfrentar a Holanda de Bergkamp, Rijkaard e Overmars.
No começo do segundo tempo, a Seleção abriu 2 x 0, com direito à famosa comemoração de Bebeto, que fingiu embalar um bebê em homenagem ao nascimento de seu filho. Mas os holandeses, com Dennis Bergkamp e Aron Winter, buscaram o empate. Foi então que o lateral Branco, também muito criticado, cavou uma falta na intermediária, pegou a bola e se preparou para a cobrança.
Com o chutaço, a bola fez uma curva inimaginável, quase raspou as costas de Romário e ainda bateu no pé da trave antes de morrer nas redes: 3 x 2.
Na semifinal, mais sufoco, dessa vez contra a Suécia. O placar permaneceu inalterado até os 35 minutos do segundo tempo.
Quando a prorrogação parecia inevitável, Romário apareceu por trás dos grandalhões suecos para arrematar de cabeça. O gol colocou a Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo 24 anos depois do tricampeonato de 1970. E o adversário seria justamente a Itália, vice em 1970.
De um lado, Romário de Souza Faria. Do outro, Roberto Baggio. Os brasileiros ainda estavam engasgados com os italianos por causa da “Tragédia do Sarriá”, em 1982. Os italianos, por sua vez, também buscavam o tetra e não esqueciam que a última final entre os dois países terminara em goleada tupiniquim.
O jogo, muito estudado de ambos os lados, teve poucas chances de gol. E o placar de 0 x 0 perdurou até o fim da prorrogação. Pela primeira vez na história, o título mundial seria decidido nas cobranças de pênaltis.
A cobrança de Romário bateu na trave e entrou. O que ninguém esperava aconteceu quando Roberto Baggio se preparou para bater. Justamente o responsável por levar uma pouco brilhante Azzurra até a final, ele se tornou o vilão dos italianos ao mandar a bola para o espaço na cobrança que definiu o campeão.
O Brasil voltava a reinar, se tornava o primeiro tetracampeão e via Dunga alcançar sua redenção ao levantar a taça.
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