Você está aqui: Página Inicial > Esporte > 2014 > 03 > Ministro afirma que transparência nos gastos é legado da Copa

Esporte

Ministro afirma que transparência nos gastos é legado da Copa

Artigo

Para Aldo Rebelo, "é visível a alegria dos brasileiros em sediar um evento que, a cada quatro anos, mobiliza o País"
por Portal Brasil publicado: 31/03/2014 17h23 última modificação: 30/07/2014 02h43

Quando o esquadrão canarinho que viria a ser tricampeão do mundo em 1970 embarcou para o México, o cronista Nélson Rodrigues escreveu: "Partiu a Seleção. Terminou o seu exílio".

Com raros intervalos de altivez patriótica, parece haver uma linha de continuidade a trilhar um conjunto de sensações e apreciações de certos estratos sociais que terminam por exilar não só a seleção mas todo o Brasil dentro do próprio Brasil.

Mais uma vez, e quando vamos sediar a 20ª Copa do Mundo, um megaevento disputado pelos países desenvolvidos, motor de desenvolvimento e farol de projeção geopolítica, ecoa naqueles estratos o complexo de vira-lata de que falou o cronista.

Toda a soberba e soberana nação que construímos em cinco séculos é reduzida a deficiências e deformidades, que certamente temos, mas que estão longe de configurar a essência de nossa formação social.

Realizamos obras mais difíceis e importantes que uma Copa, e já fizemos uma em 1950, porém a de 2014 parece objeto preferencial de um derrotismo de várias inspirações – a começar do facciosismo político-partidário que atira no torneio da Fifa para atingir o governo. Críticas podem aperfeiçoar qualquer projeto, mas a diatribe só atende à morbidez das cassandras.

Não é de hoje que viceja no Brasil um pessimismo voluptuoso. As grandes rupturas de nossa história – a guerra aos holandeses, a Independência, a República, a Abolição e a Revolução de 30 – nunca foram perdoadas. Assim como ainda são increpados o Maracanã e Brasília – alvos da "fracassomania", recidiva como um cupim autofágico, apontada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em seu governo.

Daí que também não é ocioso repetir à exaustão o brasilianista americano Stuart Schwartz, professor da Universidade de Yale: o pesquisador americano procura no passado o que deu certo na sua história. Já o historiador brasileiro busca o que deu errado. Não quer estudar o que aconteceu de bom e de ruim, mas mostrar por que o Brasil nunca funcionou bem.

Para ele, a Independência não foi uma independência de verdade. A República também não é uma república. Os liberais não eram liberais, o progresso não era progresso e assim por diante.

E arremata dizendo que esse boicote "vai além de qualquer discussão séria sobre os problemas reais do Brasil". É um modo pessimista de ver o país, definido, a priori, como um lugar onde nada dá certo.

Com todas as nossas deficiências e deformidades históricas, nenhuma delas introduzida ou agravada pela Copa, seremos capazes de usufruir os resultados benfazejos de um evento que gera desenvolvimento em todos os campos.

A festa do futebol inova ou acelera obras de infraestrutura para usufruto perene do povo, traz turistas, melhorias da segurança e telecomunicações, empregos, aumento capilarizado de negócios e consequente incremento do PIB. Também reforça ou introduz em grau inédito mecanismos de transparência e escrutínio dos gastos públicos.

O retumbante sucesso popular da Copa das Confederações, com estádios lotados e a torcida cantando com fervor o hino nacional, foi uma prévia da jornada de 2014. Nada menos que dois terços dos brasileiros, segundo a última pesquisa do Datafolha, ainda apoiam a realização do torneio – e pelo andar da carruagem vão volver ao índice próximo de 80% vigente antes da onda revisora das manifestações de junho.

Quanto mais se aproxima a Copa, a ser aberta em São Paulo a 12 de junho, com Brasil e Croácia no Itaquerão, torna-se visível a alegria dos brasileiros em sediar um evento que a cada quatro anos mobiliza o País – não importa onde estiver sendo realizado.

A apropriação da natureza lúdica da competição pelo povo fala mais alto que qualquer tentativa seletiva de politizar nossas antigas deficiências e deformidades que alguns tentam relacionar ao futebol. Ao final, ficará demonstrado que o Brasil sabe realizar uma Copa do Mundo tanto quanto ganhá-la.

Aldo Rebelo
Ministro do Esporte

Artigo publicado nesta segunda-feira (31.03) na página de Opinião do portal UOL

Fonte:
Ministério do Esporte

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Tocha olímpica visita a Rota do Descobrimento na Bahia
Chama começou o dia na Rota do Descobrimento em ‎Eunápolis, passou por Itapetinga, a Cidade do Boi Gordo, e encerrou o dia em Vitória da Conquista
Ministro do Esporte visita instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Leonardo Picciani visitou as instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que já tem 88% das obras concluídas
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Chama começou o dia na Rota do Descobrimento em ‎Eunápolis, passou por Itapetinga, a Cidade do Boi Gordo, e encerrou o dia em Vitória da Conquista
Tocha olímpica visita a Rota do Descobrimento na Bahia
Leonardo Picciani visitou as instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que já tem 88% das obras concluídas
Ministro do Esporte visita instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil

Últimas imagens

Funcionários participam da operação de acessibilidade para preparar o Aeroporto de Guarulhos para os Jogos Rio 2016
Funcionários participam da operação de acessibilidade para preparar o Aeroporto de Guarulhos para os Jogos Rio 2016
Divulgação/Brasil 2016
Atletas brasileiros farão aclimatação antes dos Jogos no Centro de Treinamento de São Paulo
Atletas brasileiros farão aclimatação antes dos Jogos no Centro de Treinamento de São Paulo
Foto: Roberto Castro/ME
Pira olímpica acesa após o revezamento em Aracaju. Chama segue neste domingo para Alagoas
Pira olímpica acesa após o revezamento em Aracaju. Chama segue neste domingo para Alagoas
Foto: Francisco Medeiros/Brasil 2016
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Divulgação/Brasil 2016

Governo digital