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Lúcio ainda sonha com a Copa, mas destaca qualidade da zaga da seleção

Copa 2014

Com 107 jogos pelo Brasil, defensor aposta no título em 2014 e lembra a própria trajetória nos Mundiais de 2002, 2006 e 2010
por Portal Brasil publicado: 26/03/2014 15h12 última modificação: 30/07/2014 02h42

Lúcio foi sinônimo de raça e vontade por mais de uma década servindo a Seleção Brasileira. Após 107 jogos pela equipe principal, três Copas do Mundo, com a conquista do pentacampeonato, quatro Copa das Confederações, com dois títulos no currículo, o zagueiro de 35 anos atuou com a “amarelinha” pela última vez em 2011. Mesmo sem ter sido convocado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, nesta segunda passagem do treinador, o atleta afirma que ainda sonha com uma volta à equipe canarinho, apesar de reconhecer que o Brasil sempre deve passar por um processo de renovação e que a defesa atual conta com boas opções.

“Aí não é comigo, é com o professor”, respondeu, rindo, quando perguntado se teria vaga na zaga para a Copa de 2014. “É claro que a gente sempre sonha e faz o melhor em busca disso. Mas, no momento, por tudo que já passei na Seleção, entendo que sempre há busca por renovações. Isso é uma decisão do treinador, mas acredito que a equipe está bem servida com os companheiros que estão lá”, completou Lúcio, que acredita na conquista do título Mundial este ano.

“Eu acho que (Thiago Silva, David Luiz e Dante) são grandes jogadores. Estão em momentos especiais em seus clubes e na Seleção vêm de uma conquista, onde a equipe teve um desempenho excelente na Copa das Confederações. Acredito que a Seleção tem tudo para fazer uma bela Copa do Mundo e ganhar, jogando em casa, com o apoio da torcida. São grandes jogadores, estão unidos e com certeza vou estar na torcida para que tudo dê certo”.

Depois de 13 anos jogando na Europa, com passagens pelo futebol alemão (Bayer Leverkusen e Bayern de Munique) e italiano (Internazionale e Juventus), Lúcio voltou ao Brasil em 2013. Após um ano conturbado no São Paulo, o defensor foi contratado pelo Palmeiras no início da temporada. Agora, tenta apresentar o futebol que o fez vestir por tantas vezes a camisa da Seleção. “Este ano estou focado no meu trabalho no Palmeiras. Vou sempre fazer o melhor aqui”, disse o zagueiro, que fez um balanço positivo dos serviços prestados à equipe canarinho.

“É um orgulho ter estado todo esse tempo dentro da Seleção e ter tido, no final, um resultado positivo. Ajudei o Brasil a ter várias conquistas, a colocar uma estrela ali no símbolo da camisa. Para mim é resultado de muito trabalho, empenho e de passar por momentos difíceis sem desistir. Acho que isso resume a minha carreira, a minha passagem pela Seleção”.

Quando completou o centésimo jogo pelo Brasil, no empate por 0 x 0 com a Holanda, em Goiânia, o atleta foi homenageado vestindo uma camisa com o número 100. Na conversa com o Portal da Copa, o zagueiro recorda este e outros momentos marcantes da sua trajetória nas Copas de 2002, 2006 e 2010, além do gol do título (um dos cinco que anotou com a “amarelinha”) da Copa das Confederações de 2009.

A conquista do Penta
A Seleção Brasileira vinha de uma campanha irregular nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. O técnico Luiz Felipe Scolari assumiu a equipe um ano antes da competição e teve que superar uma eliminação para Honduras na Copa América de 2001. Para Lúcio, foi na dificuldade que o grupo se uniu, formando a “família Scolari”.

“A formação daquele grupo, naquele momento, deu uma motivação a mais. Saber que passamos por todos aqueles momentos de dificuldade, nas Eliminatórias, classificando no último jogo, sem dúvida deixou o grupo mais forte para a competição”.

O momento mais difícil para o zagueiro foi nas quartas de final contra a Inglaterra, que abriu o placar após uma falha de Lúcio. O zagueiro tentou dominar um lançamento longo do adversário e deixou a bola escapar nos pés do atacante inglês Michael Owen. “O primeiro gol foi uma falha minha e sem dúvida fiquei muito triste. A única coisa que eu podia pensar em seguida era numa reação, tanto minha quanto da equipe como um todo. Foi o que aconteceu”, afirmou. Naquele jogo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho marcaram os gols da virada. “O papel do defensor é tentar segurar ao máximo lá atrás, porque com a qualidade desses jogadores decisivos, sabíamos que eles poderiam definir a partida a qualquer momento”, disse Lúcio.
  
E foi o que aconteceu na decisão contra a Alemanha, com grande atuação da dupla Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, principalmente no segundo tempo, e os 2 x 0 que valeram o Penta. Lúcio conta como foi a conversa no vestiário, no intervalo daquele jogo. “Foi importante porque a gente manteve a tranquilidade. Era continuar fazendo o que a gente fez no primeiro tempo, se defendendo bem e buscando as oportunidades na hora certa, porque uma hora ia entrar. Esse era o nosso papo, a nossa convicção, como atletas ali no vestiário”, revelou.

Na volta à sua terra natal, Brasília, Lúcio teve a noção exata do feito conquistado no Japão e na Coreia do Sul, com cententas de milhares de torcedores comemorando nas ruas. “Aquele momento para mim foi marcante. Estar na minha cidade, diante de uma multidão, sendo ovacionado. Ter tido o prazer de participar dessa conquista e levar alegria foi emocionante”.

Expectativa e frustração em 2006
Após grandes atuações contra a Alemanha e a Argentina na Copa das Confederações de 2005, a Seleção Brasileira chegava como favorita para levar o Mundial no ano seguinte. A expectativa recaía sobre o chamado “quadrado mágico”, formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. No entanto, a campanha e o futebol não empolgaram.

“Acho que chegar como favorito é sempre uma carga grande, uma pressão forte. Nesse Mundial de 2006 tínhamos uma equipe forte, principalmente atacantes e meio de campo consagrados no futebol. Isso, em algum momento, fez a gente pensar que poderia resolver na hora que quisesse. Mas, em uma partida decisiva, a gente não pode pensar assim. Acho que essa foi uma das coisas que não aconteceu, como aconteceu na Copa das Confederações em 2005, onde a gente teve um desempenho espetacular”, analisa Lúcio, que teve um sentimento de frustração ainda maior por ter perdido na Alemanha, onde jogava na época.

“O sentimento quando você perde é sempre esse: poderia ter feito um pouquinho mais, tentado mais. Para mim foi uma frustração, a Copa foi na Alemanha, onde eu jogava pelo Bayern de Munique. A minha família estava acompanhando o Mundial, o meu desejo maior era vencer”. O jogador acrescentou ao sentimento de frustração o fato de ter perdido nas quartas de final para a França de Zidane & cia. “Tanto aqueles que estavam em 98, quanto aqueles que não estavam tiveram um sentimento ruim, porque pela segunda vez tropeçamos na França”.

Liderança, Dunga e a Copa de 2010
Era a hora de Lúcio assumir a braçadeira de capitão e liderar um grupo de jogadores mais jovens. A Seleção, após a decepção de 2006, iniciava um processo de renovação, passando pelo banco de reservas. Dunga, que ainda não havia exercido a função, assumiu o comando da equipe e conquistou os títulos da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009. Este último teve um gosto especial para o zagueiro.

“A gente sabia que ia ser difícil, porque os Estados Unidos já tinham batido a Espanha na semifinal, e fomos surpreendidos no primeiro tempo com dois gols deles. Voltamos para o segundo tempo mais determinados, conseguimos colocar em prática o nosso plano, que era fazer um gol logo no início. Isso dava um poder maior de reação para nós e aí a gente teria um tempo mais longo para empatar. Aquele dia foi especial pela virada e para mim foi muito gratificante por ter feito o gol da conquista”. Lúcio marcou de cabeça o terceiro gol, após escanteio cobrado por Elano. Luís Fabiano tinha anotado os dois primeiros. 

Na África do Sul, o Brasil chegou ao Mundial com menos badalação que na Copa anterior. Conseguiu a primeira colocação da chave e passou bem pelas oitavas de final. No entanto, foi eliminado novamente na fase seguinte, desta vez de virada para a Holanda. “Eu acho que são detalhes, coisas que acontecem no futebol, onde uma equipe em alguns momentos está melhor e acaba por perder a partida. O nosso time fez um primeiro tempo muito bom e em duas bolas paradas no segundo tempo tomamos os gols”, analisa Lúcio, que faz uma avaliação positiva da passagem de Dunga pela Seleção.

“Foi um trabalho excelente. A gente não pode julgar por um jogo. Claro, o objetivo maior era a Copa do Mundo, mas o histórico da passagem dele foi vitorioso. A gente teve pouquíssimas derrotas. Era um grupo alegre, fechado, onde todos se davam bem. Eu consegui fazer o meu papel bem feito, que era manter o grupo motivado e fazer parte dele como mais um jogador”, conclui. A última apresentação de Lúcio com a camisa da Seleção foi em um amistoso contra Gana, vencido pelo Brasil por 1 x 0, em Londres, no dia 5 de setembro de 2011.

Nome: Lucimar Ferreira da Silva
Natural de: Brasília-DF
Nascimento: 08/05/78 – 35 anos
Altura: 1,88m
Posição: Zagueiro
Clubes: Internacional (1998-2000), Bayer Leverkusen-ALE (2000-04), Bayern München-ALE (2004-09), Inter de Milão-ITA (2009-12), Juventus-ITA (2012-13), São Paulo (2013) e Palmeiras (2014).
Títulos: Copa do Mundo (2002), Campeonato Alemão (2004/05, 2005/06 e 2007/08), Copa Alemã (2004/05, 2005/06 e 2007/08), Taça da Liga Alemã (2004 e 2007), Copa das Confederações (2005 e 2009), Liga dos Campeões da Europa (2009/10), Campeonato Italiano (2009/10 e 2012/13), TIM Cup (2009/10 e 2010/11), Mundial de Clubes (2010) e Supercopa da Itália (2010 e 2012).

Pela Seleção Brasileira principal:
» A estreia foi em 15.11.2000, no jogo Venezuela 0 x 6 Brasil. A partida foi disputada na cidade de Maracaibo, na Venezuela, e valia pelas Eliminatórias para a Copa de 2002.
» Último jogo: 5.09.2011, num amistoso contra Gana vencido pelo Brasil por 1 x 0. Jogo foi disputado em Londres, na Inglaterra.
» Números: 132 convocações, 107 jogos e 5 gols

Fonte:
Portal da Copa

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