Você está aqui: Página Inicial > Esporte > 2014 > 03 > Narradores voluntários iniciam treinamento para jogos da Copa

Esporte

Narradores voluntários iniciam treinamento para jogos da Copa

Audiodescrição

Objetivo é melhorar a experiência de cegos e pessoas com baixa visão nos estádios
por Portal Brasil publicado: 20/03/2014 15h56 última modificação: 30/07/2014 02h42

Para melhorar a experiência de cegos e pessoas com baixa visão nos estádios, o Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 e a Fifa oferecerão um serviço pioneiro de narração audiodescritiva em quatro estádios do Mundial. Nesta quarta-feira (19), no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, foi iniciado o seminário de treinamento de narradores voluntários.

A audiodescrição é semelhante à narração de rádio, mas com ênfase na experiência do estádio. O narrador especialmente treinado fornece uma descrição adicional de todas as informações visuais significativas, como linguagem corporal, expressão facial, entorno, lances, uniformes, cores e qualquer outro aspecto importante para transmitir a aparência e o ambiente do estádio.

“O serviço de audiodescrição fala como a torcida está se portando, quais são as brincadeiras, como o juiz corre… Algumas coisas que ninguém acha que são importantes, porque estão todos vendo”, diz Anderson Dias, presidente da Urece Esporte e Cultura para Cegos, ONG parceira da Fifa e do COL que trabalha com projetos especiais para pessoas com deficiência visual.

“Na audiodescrição de avaliação de voluntários, ouvi o gol do Ronaldo na final da Copa do Mundo de 2002 e ouvi que o Oliver Kahn fica no chão, chateado, triste, e o Ronaldo sai comemorando de braços abertos. Isso se perde nas transmissões de TV e rádio”, completa Dias, que foi bicampeão mundial e campeão paralímpico de Futebol de 5 em Atenas 2004.

Convidado especial do primeiro dia do seminário, o árbitro Arnaldo Cézar Coelho, que comandou a final da Copa do Mundo da Fifa Espanha 1982, provocou risos na plateia ao revelar que já foi chamado de cego por muitos torcedores. Ele se mostrou encantado com a iniciativa e falou aos voluntários sobre a importância de se conhecerem as reações de um árbitro. “Minha presença foi para explicar as reações que os árbitros têm, para que os narradores orientem seus ouvintes.”

A narração audiodescritiva será disponibilizada em português em quatro estádios da Copa do Mundo da Fifa: Belo Horizonte (Mineirão), Brasília (Estádio Nacional Mané Garrincha), Rio de Janeiro (Maracanã) e São Paulo (Arena Corinthians). Haverá dois locutores por jogo, e a narração será transmitida por radiofrequência e captada em fones de ouvido individuais. Torcedores cegos ou com baixa visão podem sentar-se em qualquer lugar do estádio.

Oportunidade
Pelo menos 16 voluntários, quatro de cada uma das cidades-sede selecionadas, passarão por um programa de treinamento intensivo promovido pelo Centro de Acesso ao Futebol na Europa (Centre for Access to Football in Europe - Cafe) e pela Urece. Após a conversa com Arnaldo Cézar Coelho, os voluntários foram orientados em um exercício no qual tiveram de guiar e serem guiados por companheiros enquanto percorriam as instalações do Maracanã. O exercício fez com que muitos percebessem as dificuldades de visitar um local sem enxergar e, ao mesmo tempo, reconhecessem a responsabilidade de descrever a um cego tudo o que está a seu redor.

A voluntária Natália Caldeira, de 29 anos, que trabalha com deficientes visuais desde 2004, comemorou a chance de participar desse projeto na Copa em seu País. “É uma oportunidade incrível. Não só de estar num jogo de Copa, mas de transmitir a essas pessoas o que acontece e tornar sua experiência mais real. É uma responsabilidade muito grande, mas tenho certeza de que a gente vai ter diversas lições até lá e vai conseguir fazer isso direitinho. Estou preparada.”

Legado
Tão importante quanto o aspecto inovador do projeto em solo brasileiro é seu legado. Após a Copa do Mundo, o equipamento de narração instalado em cada estádio será doado às entidades locais dispostas a fazer parte do legado do projeto.

“O mais interessante é o legado humano que estamos deixando: esses voluntários estão recebendo o conhecimento sobre como passar a narração para pessoas que são cegas ou com baixa visão”, ressalta Paula Gabriela Freitas, líder da Equipe de Sustentabilidade da Fifa no Brasil. “São brasileiros que vão ficar aqui e vão poder, depois, realizar esse serviço não somente em jogos ou eventos esportivos, mas em eventos culturais e de outros tipos.”

Joyce Cook, diretora geral do Cafe, reforça o discurso e mostra objetivos ambiciosos para o Brasil. “Nossa vontade é ver todos os estádios e arenas esportivas do Brasil com este serviço; que se torne algo normal. Que pessoas cegas e com deficiência visual possam ir a eventos esportivos com naturalidade, ouvindo o serviço de narração audiodescritiva e tendo o serviço completo.”

Para a Copa Brasil 2014, e de acordo com as leis brasileiras, pelo menos 1% do número total de ingressos oferecidos é disponibilizado para pessoas com deficiência – e todas elas podem solicitar bilhetes complementares para um acompanhante. Os estádios da Copa do Mundo são acessíveis a pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas obesas. Assentos acessíveis, banheiros e passarelas estão disponíveis. Há entradas exclusivas para pessoas com deficiência ao lado dos acessos para pessoas sem deficiência.

 

Fonte:
Portal da Copa

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Tocha olímpica visita a Rota do Descobrimento na Bahia
Chama começou o dia na Rota do Descobrimento em ‎Eunápolis, passou por Itapetinga, a Cidade do Boi Gordo, e encerrou o dia em Vitória da Conquista
Ministro do Esporte visita instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Leonardo Picciani visitou as instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que já tem 88% das obras concluídas
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Chama começou o dia na Rota do Descobrimento em ‎Eunápolis, passou por Itapetinga, a Cidade do Boi Gordo, e encerrou o dia em Vitória da Conquista
Tocha olímpica visita a Rota do Descobrimento na Bahia
Leonardo Picciani visitou as instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que já tem 88% das obras concluídas
Ministro do Esporte visita instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil

Últimas imagens

Atletas brasileiros farão aclimatação antes dos Jogos no Centro de Treinamento de São Paulo
Atletas brasileiros farão aclimatação antes dos Jogos no Centro de Treinamento de São Paulo
Foto: Roberto Castro/ME
Pira olímpica acesa após o revezamento em Aracaju. Chama segue neste domingo para Alagoas
Pira olímpica acesa após o revezamento em Aracaju. Chama segue neste domingo para Alagoas
Foto: Francisco Medeiros/Brasil 2016
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Divulgação/Brasil 2016
Centro Aquático de Deodoro é sede de treinos e competições nacionais e internacionais
Centro Aquático de Deodoro é sede de treinos e competições nacionais e internacionais
Divulgação/Ministério da Educação

Governo digital